
O 11° Agrocafé, que está sendo realizado em Salvador/BA, com tema: Café, um gigante na corda bamba, teve início nesta segunda-feira (08). Na cerimônia de abertura, diversos líderes e representantes do agronegócio se pronunciaram sobre a atual situação da cafeicultura no Brasil e a importância desse evento nacional. O evento contou com a participação da senadora Kátia Abreu, presidente da CNA; Roberto Rodrigues, ex-ministro da agricultura; Lucas Tadeu Ferreira, do MAPA, João Lopes Araújo, presidente da Assocafé; Néstor Osorio, diretor executivo da OIC; entre outras.
João Lopes Araújo, presidente da Assocafé (Associação dos produtores de café da Bahia), instituição realizadora do evento, iniciou seu discurso apontando as dificuldades enfrentadas pelos produtores de café. "O produtor não está conseguindo obter renda. Os estoques mundiais de passagem são baixos. É inacreditável que o preço do café não suba com estoques tão baixos", comentou ele.
Lopes diz ainda que os produtores tem tido dificuldade em se manterem na atividade, e querem apoio do governo para garantir sustentabilidade de consumo. "O industrial não consegue colocar seu produto no mercado nem obter capitalização", acrescentou ele, comentando as dificuldades também enfrentadas pelos industriais.
João afirma também que é preciso criar mais renda para a cadeia do café, e que isso pode ser conseguido com investimento em gerenciamento da propriedade e orientação dos produtores. Ele comenta que o programa do Sebrae, Educampo, tem muito a contribuir para o desenvolvimento sustentável da produção para o pequeno produtor.
As leis trabalhistas foram citadas como o grande entrave da cafeicultura. Atualmente, o empregador está exposto há muitos riscos desde o momento da contratação de mão-de-obra (quando cumpre leis trabalhistas). Dentro disso, João Lopes afirma que "a revisão dessas leis tem que ser feita com urgência, senão só restará no campo mão-de-obra mecanizada."
Como outro entrave, aponta-se os custos de produção elevados. Os custos com mão-de-obra, insumos, cumprimento da legislação ambiental (que passou a ser exigido com imediatismo), entre outros, são altos. "Diante de tantas dificuldades, os produtores esperam empenho diplomático para retirada da taxação do café, principalmente do solúvel, e para a viabilidade da comercialização do café brasileiro na bolsa de Nova York", comenta João Lopes.
Muitos foram os problemas citados enfrentados pelo agronegócio. Diante dessa situação, muitas ações devem ser mudadas, organizadas e criadas. João Lopes deseja que 2010 seja o ano de recuperação da cafeicultura brasileira.
Ainda na cerimônia de abertura, Roberto Muniz secretário da agricultura da Bahia, aponta que o grande desafio da cafeicultura é o aumento de produção e produtividade, porém, o cafeicultor que é quem corre riscos com intempéries, cumpre um emaranhado de leis, se preocupa com todas as etapas de produção de sua fazenda para garantir um produto de qualidade, não está vendo os recursos entrarem pela porteira.
O Brasil é o maior produtor mundial de café e a cafeicultura é responsável pela geração de milhões de empregos. "Algo precisa ser feito para que esse gigante, que está na corda bamba, desperte e comece gerar renda", afirma Roberto.
Produtores, líderes, secretários da agricultura do Brasil, empresas e cooperativas se reúnem no 11° Agrocafé até amanhã, dia 10, com o objetivo de encontrar soluções para cafeicultura.
Natália Fernandes, equipe CaféPoint.
