África precisa aproveitar aumento da demanda por café

O aumento da demanda por café da África é uma oportunidade única para os produtores locais, mas eles precisam não deixar a qualidade cair ou assumir que o processamento é a melhor forma de aproveitar isso, informou o diretor da Associação de Cafés Finos da África Oriental, Philip Gitao. Segundo ele, o mercado da África chegou à maturidade. "A África se tornou um lugar atraente para comprar café".

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O aumento da demanda por café da África é uma oportunidade única para os produtores locais, mas eles precisam não deixar a qualidade cair ou assumir que o processamento é a melhor forma de aproveitar isso, informou o diretor da Associação de Cafés Finos da África Oriental, Philip Gitao à agência Reuters.

Segundo ele, o mercado da África chegou à maturidade. "A África se tornou um lugar atraente para comprar café". Ele disse que agora é questão de aproveitar as oportunidades e não deixar a qualidade cair.

Os países africanos produtores de café como Uganda, Ruanda e Etiópia estão vivendo um boom à medida que os preços globais aumentam e os principais compradores procuram cafés de maior classificação e especiais.

Os produtores de café dizem que os países do leste da África têm a vantagem particular das grandes altitudes e fazendas de menor escala, capacitando-os a cuidar melhor dos cafezais do que alguns produtores maiores como Brasil.

Gitao disse que o café africano está cada vez mais sendo usado para aprimorar blends. A Uganda, que se tornou líder na produção de café robusta de alta qualidade desde a crise política da Costa do Marfim, que até então era o maior produtor, disse que seus lucros cresceram 65% para US$ 17,91 milhões em maio deste ano com relação ao ano passado.

No entanto, Gitao alertou que a boa demanda tem estimulado os produtores a colher prematuramente para aproveitar os preços, o que vai, mais cedo ou mais tarde, prejudicar a demanda por levar a perdas na qualidade.

Grandes compradores, como a Starbucks, estão mirando a África. A rede de café norte-americana disse em fevereiro que planeja dobrar as importações de café africano nos próximos dois anos. A Starbucks lançou um café especial da Ruanda no ano passado e em breve começará a comercializar as marcas de café da Etiópia após o término de uma disputa referente à licença de marcas de café etíope.

A crescente demanda tem estimulado a discussão de, se os países africanos que em sua maioria vendem grãos crus, devem processar o café. O presidente da Uganda, Yoweri Museveni, disse que a África somente se desenvolverá se vender produtos terminados, e não as matérias-primas.

"O presidente fala sobre adição de valor. Existe um conceito errado dentro da África de que precisamos torrar nosso café para adicionar valor", disse Gitao, dizendo que isto é inviável porque a torrefação reduz o prazo de validade do produto, dificultando a exportação para locais distantes, como por exemplo, a América. Ele disse que cultivar, lavar e secar o café com mais cuidado adicionará um valor maior.
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