África poderá suprir crescente demanda por café

A produção de café na África poderá ajudar a suprir a crescente demanda pelo produto, mas o continente está prejudicado pela falta de investimentos em infra-estrutura e tecnologia, disseram analistas. "O potencial está na África, mas depende de investimentos e em o quão rápido eles agirão", disse o diretor executivo da Organização Internacional de Café (OIC), Néstor Osorio.

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A produção de café na África poderá ajudar a suprir a crescente demanda pelo produto, mas o continente está prejudicado pela falta de investimentos em infra-estrutura e tecnologia, disseram analistas.

"O potencial está na África, mas depende de investimentos e em o quão rápido eles agirão", disse o diretor executivo da Organização Internacional de Café (OIC), Néstor Osorio durante a Conferência Internacional de Café ocorrida na Guatemala.

A demanda global continua crescendo, com o consumo projetado a alcançar 134 milhões de sacas de 60 quilos em 2010. Ao mesmo tempo, a OIC estimou que a produção global de café poderá cair possivelmente para 123-125 milhões de sacas em 2009/10.

A Organização de Café Inter-Africano (IACO), disse que a participação da África na produção global de café caiu de 27% na década de 80 para 12% na safra de 2008/09 após cotas no Acordo Internacional de Café terem sido inutilizadas. O fraco setor privado do continente tem lutado para lidar com a liberalização da produção de café.

"A coisa mais importante que pode ser feita para melhorar a sustentabilidade global de café é transformar a produção de café da África em uma indústria moderna e progressiva", disse o coordenador de desenvolvimento de projetos da CABI Bioscience, Peter Baker. A CABI é uma organização internacional sem fins lucrativos localizada na Inglaterra.

O rendimento da produção de café da África é baixo quando comparado com outras regiões, como Vietnã e dados preliminares mostram que as pegadas de carbono da produção de café da África são extremamente baixas, disse ele. "Então, se uma companhia quer reduzir suas pegadas de carbono, a melhor coisa a se fazer é comprar café africano".

À medida que o consumo global aumenta, a maior produção na África poderá suprir essa demanda. Baker disse que "o céu é o limite" quando se fala em previsão de produção para o continente.

O pesquisador sênior do Jimma Agricultural Research Centre na Etiópia, Taye Kufa, disse que as regiões produtoras de café da África são as mais vulneráveis a mudanças no clima global e no mercado. "O custo de mão-de-obra está aumentando na maioria dos países africanos", disse Kufa, acrescentando que isso significa baixa lucratividade para os produtores à medida que eles são menos competitivos no mercado. "É muito caro para os produtores pobres. A sustentabilidade ecológica é uma opção viável".

A quantidade de café que é certificado como sustentável, que tipicamente segue um padrão para requerimentos ambientais, econômicos e sociais está crescendo globalmente. O café certificado recebe tipicamente um preço premium pago ao produtor. Baker estimou a quantidade de café certificado produzido globalmente em cerca de 8%, dos cerca de 1% há 10 anos. A OIC estimou esse dado em cerca de 7%.

A reportagem é da Reuters, traduzida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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