Abundância de café pode sufocar planos do Brasil de comprar grãos
Governo se reúne nesta tarde para discutir um apoio aos produtores de café no momento em que os preços de grãos despencam. "Os produtores estão desanimados", disse Carlos Melles, presidente da cooperativa Cooparaíso/MG "Com estes níveis, os produtores (de Minas) vão acabar cortando árvores na maior área de café do Brasil." Analistas dizem que os amplos estoques privados e outra safra grande prevista no Brasil este ano deverão criar um excedente de café arábica.
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Analistas dizem que os amplos estoques privados e outra safra grande prevista no Brasil este ano deverão criar um excedente de café arábica.
Produtores, reclamando que os futuros da arábica caíram para níveis desvantajosos, têm feito lobby intenso nas últimas semanas para Brasília intervir.
No mês passado, o contrato de maio da arábica em Nova York atingiu 1,3760 dólar, seu nível mais baixo em mais de dois anos e para menos da metade dos níveis recordes vistos em 2011, quando os preços saltaram para 3 dólares por libra-peso com preocupações sobre oferta. Na quarta-feira, eles estavam em torno de 1,41 dólar por libra-peso, operando em alta.
"Os produtores estão desanimados", disse Carlos Melles, presidente da cooperativa Cooparaíso, em Minas Gerais, Estado que cultiva cerca de metade do café do Brasil. "Com estes níveis, os produtores (de Minas) vão acabar cortando árvores na maior área de café do Brasil."
O pesado investimento necessário para o plantio das árvores de café torna essa ação precipitada improvável. Enquanto isso, o governo escuta os produtores, prometendo ficar aberto a "todas as opções" quanto as suas demandas.
"A ideia não é voltar a 3 dólares por libra. Era um preço elevado e que não vai voltar... Agora estamos de volta a preços que não cobrem os custos de produção... Cerca de 2 dólares por libra é o preço que queremos", disse Silas Brasileiro, presidente da principal associação de produtores de café no Brasil, o Conselho Nacional do Café (CNC).
O CNC quer que o governo estenda empréstimos aos produtores para que eles possam ajustar o ritmo das vendas de grãos, ao invés de correr para vender, para restringir a oferta e firmar os preços. A entidade também quer que um bônus especial usado pela última vez em 2008/09 seja retomado, gratificando os produtores que vendem acima do preço de mercado e encorajando os produtores a coletivamente esperar por melhores taxas.
Brasileiro disse que o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, tinha assegurado a ele que estava comprometido em fornecer ajuda para os produtores. Altos funcionários dos ministérios da Agricultura, Fazenda e Planejamento vão participar da reunião.
Mas com os estoques privados inchados e uma grande colheita no Brasil prevista para junho, o governo será bastante pressionado a corrigir um mercado bem abastecido que mal sofreu com o surto de ferrugem que assolou as fazendas da América Central.
Os futuros de arábica caíram acentuadamente em 4 por cento na terça-feira, mesmo com os produtores colombianos mantendo a ação de greve, bloqueando estradas em protesto contra os preços baixos e rejeitando uma oferta do governo para aumentar os seus subsídios.
Os preços mal se mexeram na quarta-feira apesar de uma dura advertência do executivo da Organização Internacional do Café Ricardo Villanueva, que disse que o surto de ferrugem poderia reduzir a produção da América Central em cerca de um terço na temporada 2013/14.
Todos esses fatores são superados pela expectativa de uma safra brasileira de 47 milhões a 50,2 milhões de sacas de 60 quilos e pelos estoques privados no Brasil que saltaram para 11 milhões de sacas ou quase 50 por cento até 1 de janeiro, em comparação ao ano anterior.
"Eles realmente precisam fazer um grande anúncio, ou não anunciar nada", disse James Cordier, operador-chefe do Liberty Trading Group/Optionsellers.com, na Flórida, apostando que somente uma ação agressiva afetaria o mercado.
A mais recente intervenção agressiva do governo no mercado de café foi quando comprou 1,5 milhão de sacas de 60 quilos da safra de café de 2009. Os preciso estavam cerca de 10 centavos por libra abaixo do que estão atualmente. Os futuros caíram por semanas após o anúncio.
As informações são da Reuters e do CNC.
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VIÇOSA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 14/03/2013
A poucos meses atrás a mídia comentava que haveria déficit de café. Na atualidade toda mídia comenta é que está havendo excesso de café.
Em relação ao arabica, parece que estamos diante de um mar de café. Nem na época do fim do IBC pelo então presidente Collor em março de 1989 e do fim da OIC, em junho do mesmo ano, quando havia mais de 60 milhões de sacas de café estocado no mundo para um consumo, também em torno de 60 milhões de sacas, se falou tanto em excesso de café, como se tem comentado na atualidade.
Para mim o mercado do café continua sendo manipulado de acordo com os interesses dos torrefadores e os fundos de pensão Americanos.

GARÇA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 11/03/2013
Um exemplo simples seria os cafeicultores implementarem ao menos 30% de reformas anuais em seus cafezais; outra idia seria impactar as cadeia a nosso redor máquinas e insumos são exemplos, a utilização de mecanismos como safra zero também. Enfim temos que saber utilizar com estratégia as tecnologas e possibilidades a nosso favor; ações individualistas e a péssima mania de querer intervir e não agir no mercado sempre nos levam de volta à estocagem. O mercado mudou, o mundo mudou e somente os brasileiros querem estocar. Vamos parar com essa mania de estoque, particularmente nos ultimos quatro anos tenho colhido e vendido e não me arrependo em 1 centavo por isso. Só provocaremos mudanças significativas quando esse café entrar oficialmente no mercado, por enquanto, n´s assumimos as broncas e nossos concorrentes se ajeitam. Os outros se mexem e nós continuamos estáticos.

POÇOS DE CALDAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 10/03/2013
Precisamos descobrir novos nichos, novas atividades e parar de querer mudar o imutável: especulador não tem pena de produtor. Nas gôndolas o produto não baixou nenhum centavo. Atravessadores e industriais estão ganhando dinheiro a rodo. Então, se eles querem matar a galinha dos ovos de ouro, que são as lavouras, que matem. Vamos ver, depois de dizimadas as lavouras, como eles vão fazer prá ganhar tanto dinheiro.
Se todas as cidades que produzem café arrendarem suas terras para canaviais, por exemplo, o desajuste social será imenso, pois todas as lavouras empregam mão-de-obra em grande escala, o que não acontece com a cana. Apesar disso, o governo não se move. Os dirigentes da classe só são bons às vésperas de eleições, depois somem... Não sabemos quem cuida e como cuida do nosso dinheiro, o Funcafé, que deveria ser usado agora, nessa crise que atravessamos.
Mas, como disse, onde estão nossas lideranças?

ARAGUARI - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 08/03/2013

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 07/03/2013
Em um relatório da reunião de Londres foi dito que o mundo tomou 2,5 milhões de sacas a mais de café, sendo 2,0 milhões às custas do robusta, ou seja, 80%. Esse aumento do consumo se deveu aos emergentes que tomam os cafés mais baratos. Traduzindo, o futuro do arábica não é nada bom.
Espero que algum representante do setor possa levar o assunto de erradicação de lavouras pelo menos para ser discutido. É uma medida dolorosa, porém, necessária.