Abics: drawback seria complemento à produção

De acordo com Ruy Barreto Filho, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), o café importado por meio do <i>drawback</i> seria um complemento à produção nacional de robusta.

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De acordo com Ruy Barreto Filho, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), citado em notícia de Mônica Scaramuzzo para o Valor Econômico, o café importado por meio do drawback seria um complemento à produção nacional de robusta.

"Não vamos substituir a produção por importados. É um complemento". Afirmou Barreto Filho, complementando que as indústrias de solúvel consomem cerca de 4 milhões de sacas de robusta por ano e a expectativa do setor é de importar pelo menos 1 milhão de sacas.

O executivo argumenta que o segmento de solúvel tem perdido competitividade nos últimos anos, principalmente no mercado internacional, com as exportações ficando praticamente estagnadas, entre 1995 e 2002, enquanto as negociações globais dobravam, para 16 milhões de sacas, no mesmo período.

Para as indústrias de torrado e moído, a importação de café arábica se limitaria a cerca de 20% de um total de 120 mil sacas que são exportadas anualmente. "Até 2002 não havia necessidade de drawback, uma vez que não exportávamos até este período", afirmou Nathan Herszkowicz, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

Herszkowicz observou também que o Brasil assiste a um movimento recente de abertura cafeterias estrangeiras no país, que utilizam em seu blend pouco café brasileiro.

Conforme Vilmondes Olegário, diretor de café do Ministério da Agricultura, a decisão sobre a questão não tem prazo para ser tomada, pois dependeria do consenso da cadeia, estando sob responsabilidade do Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPC). Haveria receio na cadeia produtiva de que a importação de grãos possa trazer problemas fitossanitários.

Procurado pelo Valor, o presidente do Conselho Nacional do Café, Maurício Miarelli, não foi encontrado.
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Mara Freitas
MARA FREITAS

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 19/01/2007

A questão do drawback é um temário muito delicado e polêmico, por configurar-se como uma pedra no sapato da cafeicultura brasileira.

Mas antes de tudo, ela é uma questão estratégica, que depende de ampla conversação entre os inúmeros interlocutores que fazem parte do agronegócio café nacional e que vai de encontro ao anseio das instituições em finalizar a desregulamentação do setor.

Recentemente, a cadeia produtiva do café foi apresentada ao PEDEC, participou de uma ampla pesquisa nacional sobre o novo perfil do CDPC e respectiva gestão de recursos do Funcafé e mais recentemente, já em se tratando de questões nacionais, um banco internacional divulgou o índice de liberdade de mercado de cada nação, a qual segundo o estudo, é um contribuinte fundamental para o desenvolvimento, competitividade e enriquecimento da nação. O Brasil na posição 70.

Tudo, na cafeicultura, ao que parece, conduz a isso, principalmente após o advento da Starbucks no Brasil. Infelizmente, avaliando as entrelinhas dos discursos dos líderes do setor, combinada com a conjuntura, que fundamentalmente, é tornar o país líder mundial tanto no consumo per capita, quanto na exportação de produtos industrializados quanto de cafés in natura (na qual já detemos liderança), a atividade cafeeira, empreendida principalmente pelo pequeno produtor corre riscos.

Basta traçar um paralelo com o setor têxtil e ponderar sobre a exportação de empregos em função das más condições que o Brasil oferece à sua classe empresarial, em decorrência de políticas arcaicas e legislações que engessam qualquer ideal de crescimento. Ganha quem produz qualidade ao menor preço. Por sinal, esta tem sido a estratégia de entrada dos cafés industrializados brasileiros (categoria torrado em grão e ou moído) no mercado internacional, onde os preços de nossos produtos de ponta chegam às gôndolas de supermercados internacionais com valores até 50% mais baratos do que os concorrentes.

O Drawback, nesse sentido, para a indústria, traz benefícios importantes no sentido de redução de custos e a respectiva competitividade no mercado externo.

Por um outro lado, tal iniciativa, no âmbito do mercado interno, pode mudar significativamente o perfil de compra e venda até então adotado em território nacional. A característica de venda de balcão ou spot,pode mudar com a possibilidade de compra de commodities no mercado internacional, ao menor preço, via on-line, não passando necessariamente por negociações em bolsas de mercadorias. Do ponto de vista da cafeicultura nacional, isso seria um desastre, porque o negócio brasileiro ao longo dos anos vem acumulando perdas e paralelas a elas, os custos de produção e os índices de produtividade necessários para empatar as contas por hectare, tem aumentado geometricamente.

A expectativa é que, no final de tudo, a supremacia do consumidor dê a chancela final nessa briga de foices.