ABIC propõe medidas emergenciais para indústria

Apesar do incremento que vem tendo o consumo interno de café, as indústrias estão passando por um momento crítico, de queda da rentabilidade e empobrecimento. Foi esse o recado dado pela ABIC - Associação Brasileira da Indústria de Café ao governo e demais setores do agronegócio, durante reunião do CDPE - Comitê de Planejamento Estratégico do Ministério da Agricultura, realizada na terça-feira (09) em Brasília, quando a entidade apresentou uma série de reivindicações e propôs medidas emergenciais que venham a interromper o atual cenário.

Publicado por: CaféPoint

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Apesar do incremento que vem tendo o consumo interno de café, que em 2009 chegou a 18,39 milhões de sacas, com um crescimento de 4,15% em relação a 2008, as indústrias estão passando por um momento crítico, de queda da rentabilidade e empobrecimento. Foi esse o recado dado pela ABIC - Associação Brasileira da Indústria de Café ao governo e demais setores do agronegócio, durante reunião do CDPE - Comitê de Planejamento Estratégico do Ministério da Agricultura, realizada na tarde desta terça-feira (09) em Brasília, quando a entidade apresentou uma série de reivindicações e propôs medidas emergenciais que venham a interromper o atual cenário.

Os bons resultados no mercado interno, decorrentes das ações conjuntas das indústrias e da ABIC e da melhoria da qualidade do café oferecido aos consumidores, se em volume são positivos, financeiramente não estão permitindo uma rentabilidade mínima para garantir a sobrevivência de grande parte das mais de 1.200 empresas que integram o setor, das quais 95% são de portes médio e pequeno. "As indústrias vivem um momento crítico e paradoxal", afirma a entidade na 'Carta ao Agronegócio' entregue na reunião em Brasília.

Entre os inúmeros problemas estruturais, a ABIC aponta quatro: 1) Baixo valor dos produtos vendidos, uma vez que os preços do café aos consumidores não se valorizou nos últimos 4 anos, e pouco subiu desde 1994; 2) Grande concentração do varejo supermercadista, com a exigência de condições comerciais que anulam as margens da grande maioria dos fornecedores; 3) Aumento da concorrência interna do setor, ampliada pela grande concentração e consolidação que acontece nos últimos anos, com comprometimento dos resultados para inúmeras empresas; e 4) Grande descapitalização das empresas, com redução ou perda completa dos estoques e do capital de giro.

Para a ABIC, o empobrecimento das indústrias e a perda da sua capacidade de investimento representam um enorme risco não apenas para o setor industrial, mas para todo o agronegócio. "O consumo interno, que absorve 40% da safra brasileira, tem sido um pilar de sustentação de preços do café em grão cru, nos últimos anos. O enfraquecimento das indústrias, especialmente as médias e pequenas, poderá destruir a rede capilar de distribuição do grão cru, concentrando o mercado comprador, com consequências imprevisíveis para a rentabilidade da ponta produtora", alerta a entidade. Na situação atual, até mesmo as grandes empresas têm dificuldades, por que suas margens são extremamente achatadas e limitadas pelo varejo supermercadista.

Mercado frouxo

A ABIC pleiteia uma reversão na atual política cafeeira. "LEC e FAC não têm garantido a necessária capitalização do comércio e da indústria para a aquisição do café". O resultado é um mercado frouxo, que não paga melhores preços, porque não dispõe dos recursos que dinamizem a comercialização. "As políticas atuais mostram claramente que não têm força para ativar e impulsionar os preços no mercado interno. Servem, quando muito, para manter os patamares existentes, resolver o problema de caixa de um número determinado de agentes e transferir a solução ate a próxima prorrogação".

Para a ABIC, o mercado interno precisa ser ativado e não deprimido. "Independentemente de que setor, os agentes compradores precisam estar capitalizados para dinamizar os negócios e buscar melhores preços para o café em grão, tal que todas as atividades e negócios sejam valorizados".

A ABIC também defende a adoção imediata de quatro medidas emergenciais, que poderão restabelecer a capacidade de realização dos negócios e permitir que se interrompa o ciclo de empobrecimento do setor: 1) Aumento nos recursos do FAC em 2010 para R$ 600 milhões; 2) Implementação de PEP, para um volume de 8,0 milhões de sacas, que correspondem a menos de 2 meses da necessidade de exportação e do consumo interno, empregando recursos de R$ 350 milhões; 3) Realização de leilões dos estoques governamentais, dos cafés antigos, dos cafés da retenção e das recentes opções, no volume de 100 mil sacas/mês, com limitação da quantidade por tomador, a ser definida em estudo conjunto dos diversos setores interessados com o MAPA, e com pagamento em 18 meses, e 4) Ampliação dos recursos do Banco do Brasil e da Caixa Federal, destinados às indústrias.

De acordo com a ABIC, essas medidas poderão assegurar um fluxo consistente de café para o mercado, valorizando a matéria-prima e permitindo a recuperação da rentabilidade dos negócios com café, desde o produtor ate o exportador e o industrial de café. "Esperamos que o agronegócio café se una a estas preocupações e apoie uma mudança de paradigmas que garantam a sustentabilidade dos negócios de toda a atividade cafeeira no Brasil", finaliza Almir José da Silva Filho, presidente da entidade.

As informações são da Assessoria de Imprensa da Abic, adaptadas pela equipe CaféPoint.
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