A verticalização como ferramenta de agregação de valor

Na cafeicultura, geralmente é dada maior ênfase aos aspectos técnicos da produção propriamente dita ou seja, técnicas para aumentar a quantidade e qualidade do café produzido. O que salta aos olhos é verificar que o café só passa a realmente ter mais valor agregado quando se despede do produtor e passa a ser trabalhado pelos intermediários. Assim, parece lógico supor que a sobrevivência do produtor na cafeicultura passe, obrigatoriamente por este assumir papéis mais avançados na cadeia.

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Na cafeicultura, geralmente é dada maior ênfase aos aspectos técnicos da produção propriamente dita ou seja, técnicas para aumentar a quantidade e qualidade do café produzido, segundo comentou Carlos Oliveira, de Santa Cruz do Sul, RS, no fórum técnico do CaféPoint. O que salta aos olhos, segundo ele, é verificar que o café só passa a realmente ter mais valor agregado quando se despede do produtor e passa a ser trabalhado pelos intermediários. Assim, parece lógico supor que a sobrevivência do produtor na cafeicultura passe, obrigatoriamente por este assumir papéis mais avançados na cadeia. A quantidade de produtores que estão buscando informações sobre a instalação de pequenas torrefações nas próprias fazendas parece ser crescente.

Messias Lima Ribeiro, de Caratinga Minas Gerais e gerente de cafés especiais e certificados da Volcafe - exportadora e importadora de grãos - diz que os compradores querem e precisam de consistência, regularidade e compromisso no abastecimento de suas necessidades. Ele também comenta que não é fácil convencer o setor produtivo de que ele necessita mudar a sua maneira de pensar e agir no campo, no que diz respeito a valor agregado.

Hoje, discuti-se muito sobre certificação de propriedades e isso não quer dizer que se irá agregar valor ao produto, mas sim agregar custos menores na condução do seu negócio e nas boas práticas agrícolas, de acordo com Messias. Mas contudo, para se agregar valor ao produto final é necessário estabelecer regras e conhecer o que o comprador final deseja adquirir.

"Temos em nossa empresa um departamento que cuida não só dos interesses dos compradores de cafés diferenciados (especiais) como também, cuida dos interesses de determinados grupos de produtores; somos e temos parceiros no Espírito Santo, na cidade de Iúna, onde existe uma Cooperativa de pequenos produtores que detém a certificação FairTrade, nosso trabalho é apenas de exportar o café deles para os seus respectivos clientes externos, não temos e nem fazemos a intermediação do negócio café. Temos alguns produtores individuais que realizamos a performance para eles de seus cafés, isso também sem intermediação e sim serviços de exportação; estamos abertos ao setor produtivo porque entendemos que existe um mercado específico para o produtor que deseja vender o seu café direto para o comprador final, mas esse produtor precisa conhecer as necessidades de compras do importador final e principalmente criar a sua marca própria como produtor de café, só assim o setor poderá agregar valor ao seu produto", esclarece Messias.

Carlos Oliveira ressalta que a intermediação é um elo de ligação entre a produção e a indústria e que cumpre um papel importante e necessário na cadeia do café, já que administra com competência informações obtidas tanto de um lado como de outro (produção/indústria), e as usa para obter lucro com um comércio justo.

"Imagino que ninguém veja problema nisso, afinal, competência gera lucro e isso é o mais puro capitalismo", disse Carlos, que também falou sobre o caso do vinho brasileiro dentro dos aspectos de agregação de valor.

"Há alguns anos o produtor de uvas vendia sua produção diretamente para a vinícola. Esta exigia qualidade do produto, pagava bem por isso, mas ainda não o suficiente para que o produtor tivesse uma atividade economicamente saudável. Algo parecido com o café. Alguns poucos produtores resolveram então produzir o seu próprio vinho. A partir daí, entenderam o porquê da qualidade e a importância deles próprios conhecerem o gosto e exigências do consumidor final. Resumindo, o Brasil hoje é reconhecido mundialmente pelos vinhos que produz, e certamente estes empresários rurais nem pensariam em voltar a vender suas produções para as grandes vinícolas", concluiu Carlos.

Segundo Carlos, estes empresários precisaram dos elos seguintes da cadeia, ou seja, dos intermediários entre a indústria e o comércio, além disso, ele acredita que este seja o caminho que discretamente alguns participantes da produção de café queiram assumir, já que nenhuma empresa, por maior que seja, começa grande. "Logo, o produtor que se dispuser a produzir com qualidade e planejar o início discreto da verticalização poderá aos poucos substituir a venda de uma commoditie por um produto final industrializado de alta qualidade", argumenta.

Assumir elos seguintes da cadeia pressupõe dispor de informações adicionais, a partir da iniciativa e do empreendedorismo do produtor rural, buscando informações e conhecimento para suprir suas necessidades de mercado, de acordo com Carlos, que finalizou dizendo:

"Impossível? Não... só difícil. Mas disso tudo fica uma certeza, empresas como a Volcafé, que demonstram claramente preocupação com a sustentabilidade sempre terão lugar de destaque na cadeia e serão positivas para o produtor".

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Rodrigo Cascalles, equipe CaféPoint
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