Demanda interna firme valoriza robusta e limita exportação – Com a demanda mais firme, os valores do café robusta reagiram em janeiro. Apesar disso, os atuais patamares ainda estão abaixo dos verificados no mesmo mês de 2012, quando atingiam recordes. A maior procura foi observada pelo tipo 7/8 bica corrida, que é destinado basicamente ao mercado interno.
A alta do preço do robusta do Espírito Santo só não foi maior porque o volume produzido na safra 2012/13 foi grande. Nos últimos meses, o movimento de alta nos preços dessa variedade tem superado o do arábica, reduzindo, assim, o diferencial entre os preços. Mesmo com o estreitamento do diferencial, a tendência é que a demanda interna pelo robusta continue firme, visto que tem havido gradativo aumento da participação da variedade nos blends de café torrado e moído.
Segundo informações da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), os blends brasileiros apresentariam, hoje, de 40% a 50% de robusta em sua composição, sendo que há 15 anos essa participação era de 20%. Conforme agentes consultados pelo Cepea, trata-se de uma estratégia das indústrias brasileiras para reduzir o custo do produto final – estratégia que se consolidou e ganhou destaque com a valorização do café arábica a partir de 2011.
Em Rondônia, porém, as cotações não apresentaram valorização em janeiro/13 quando comparadas a dezembro/12, seguindo abaixo dos valores do início do ano passado. A saca de 60 quilos de grãos com até 400 defeitos foi negociada em média a R$ 245,42 em janeiro/13, enquanto que, há um ano, era comercializada a aproximadamente R$ 270,00.
O interesse de grandes torrefadores pelos grãos de Rondônia permaneceu reduzido, visto que a qualidade é inferior à do café capixaba, além do maior gasto com frete. De acordo com colaboradores do Cepea, os preços firmes do robusta no físico brasileiro têm até mesmo limitado as exportações desse tipo.
No âmbito internacional, os patamares oferecidos estariam consideravelmente inferiores aos negociados no mercado doméstico. Além disso, a demanda externa pelo produto nacional estaria um pouco retraída desde outubro de 2012, quando se iniciou a colheita no Vietnã. O principal motivo da maior procura pelo robusta do Vietnã em detrimento do brasileiro é que o café daquele país geralmente apresenta preços menores. Em dezembro, por exemplo, segundo dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), o preço médio do robusta brasileiro exportado foi de US$ 124,41/saca de 60 kg, enquanto o vietnamita teve média de US$ 121,47/sc de 60 kg.
As informações são do Cepea, adaptadas pelo CaféPoint.