A atuação das instituições públicas na cafeicultura

Na prestação de serviços públicos, nem sempre se vê qualidade e compromisso. Sou convicto que quando o produtor abrir mão de falsos "privilégios" governamentais, como as pouco eficazes empresas de ATER (e algumas de pesquisa também) e assumir os "destinos" de sua atividade ele terá serviços mais eficientes e eficazes.

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José Eduardo Ferreira da Silva discute em sua carta, enviada ao artigo "Estimativa de safra no Brasil: um grande chute ou jogo de interesses?", a atuação das instituições públicas na cafeicultura. Veja a seguir.

Carta de José Eduardo Ferreira da Silva

Achei interessante a forma como todos participaram deste papo. Isso reforça apenas que o elo mais fraco da cadeia é o produtor. Até aí nenhuma novidade. O Cássio do ES também tocou num ponto interessante que é a prestação de serviços públicos. Nem sempre se vê qualidade e compromisso.

Então será que não está na hora de rever posições? Será que faz sentido manter instituições públicas como a "Emater"? Também devemos todos ter a noção do quanto os produtores rurais são desorganizados.

Será que a estrutura organizacional dos produtores leva ao fortalecimento da categoria? Será que a CNA e as suas federações estaduais não deveriam mudar? Por que não se altera sua organização, mudando o núcleo básico dos anacrônicos sindicatos municipais para sindicatos setoriais (como acontece com as federações das indústrias e seus sindicatos)? Será que isso é suficiente ou relevante?

Eu acredito que no dia que o produtor rural se organizar de forma mais efetiva ele vai parar de incorporar adjetivos usados, tais como explorador, pão-duro, velhaco, inocente, ingênuo, escravagista etc.

E sou convicto que quando ele abrir mão de falsos "privilégios" governamentais, como as pouco eficazes empresas de ATER (e algumas de pesquisa também) e assumir os "destinos" de sua atividade (e não simplesmente deixar que programas saídos de gabinetes com ar condicionado, como citou o Seu Geraldo de Capelinha, para serem implantados por técnicos de botinas mal pagos e que sabem que o seu patrão, aquele que deposita o salário mensal na sua conta, está no palácio e não na roça) ele terá serviços mais eficientes e eficazes.

Só gostaria de lembrar que as relações comerciais são sempre permeadas por oportunismos e aumentar o poder de barganha é o primeiro passo para melhorar as condições de troca. Por isso, mexam-se! Produtores devem assumir um pouco mais de responsabilidade pelo seu destino, o caminho só vocês poderão construir, e não esperem complacência, gratidão, ou qualquer outra coisa. Mudem a história de vocês.

Leia a carta de José Eduardo Ferreira da Silva na íntegra.

Rodrigo Cascalles, Equipe CaféPoint.
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Juliano Tarabal
JULIANO TARABAL

PATROCÍNIO - MINAS GERAIS

EM 28/08/2007

Muito bem colocadas as palavras do senhor José Eduardo Ferreira, principalmente no momento em que questiona a organização ou melhor, a falta de organização entre os produtores de café. E também quando instiga o produtor a caminhar com suas próprias pernas, ou seja, não depender ou ficar esperando pela ajuda de determinadas entidades destinadas a estarem prestando assistência técnica aos mesmos e também de pesquisarem melhorias que auxiliem o produtor no seu dia-a-dia.

De certa forma são muito plausíveis os argumentos utilizados pelo senhor José Eduardo, mas o fato não reside em questionar ou não a permanência da existência de instituições como Emater e outras de extensão e pesquisa mantidas pelo governo, mas sim de reavaliar como estão os serviços de dadas instituições no presente momento, e que, em se detectando falhas essas possam ser sanadas e reorientadas, se preciso reinventadas para que as instituições possam reinserir em si próprias sua verdadeira essência, pois não podemos generalizar a serventia de empresas como Emater que em muitas regiões do estado de Minas Gerais contam com bons profissionais que nem sempre recebem o quanto merecem por sua qualificação.

Estamos na era da capacitação, da qualificação de pessoas, da transmissão e veiculação da informação para que estas sejam modificadoras do meio, ou dos meios em que vivemos, e na cafeicultura isso não é diferente, pois diante de um momento de segmentação do mercado cafeeiro frente as diferentes exigências de cada mercado importador que busca por diferentes bebidas, diferentes certificações e vários outros pré-requisitos de um mundo globalizado o que o produtor de café mais necessita no momento é de ajuda, em que esta ajuda viria em forma de assistência técnica qualificada, capacitação, qualificação, enfim, treinamento, e não só ao produtor mas a todos os profissionais envolvidos na cadeia cafeeira a fim de que esta se profissionalize cada vez mais e se fortaleça estando assim pronta para as novas que não são mais tão novas assim tendências de mercado.

Portanto a existência de instituições de pesquisa e extensão são de extrema valia para qualquer atividade e contudo devemos pensar sempre na permanência e na revitalização destas.

Quero também deixar aqui ressaltado que estamos iniciando em Patrocínio-MG, mais especificamente no Centro Universitário do Cerrado - UNICERP uma organização composta por acadêmicos e professores dos cursos de Agronomia e Agronegócios que visa justamente a extensão do conhecimento aos produtores de café, principalmente ao pequeno produtor. A organização se denomina GEPECCAFE (Grupo de estudos, planejamento estratégico e capacitação em cafeicultura) e visa repassar ao produtor conhecimentos sobre gestão do seu negócio, assistência técnica, consultoria em certificação, treinamentos em geral, elaboração de estratégias e claro pesquisa. Estaremos lançando nosso Grupo no Seminário do Café em Patrocínio. Contamos com a presença de toda classe cafeicultora.

Obrigado.