2007: Emissão de títulos pode ultrapassar R$ 8 bi

Os títulos de crédito agropecuário começam a despontar como uma opção real de financiamento para empresas agrícolas e produtores rurais. Criados no final de 2004, a emissão desses papéis atingiu R$ 3,4 bilhões até janeiro deste ano e pode ultrapassar, em 2007, R$ 8 bilhões.

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Os títulos de crédito agropecuário começam a despontar como uma opção real de financiamento para empresas agrícolas e produtores rurais. Criados no final de 2004, a emissão desses papéis atingiu R$ 3,4 bilhões até janeiro deste ano e pode ultrapassar, em 2007, R$ 8 bilhões, segundo expectativa do ministro Luís Carlos Guedes Pinto com base em projeções da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

O mercado trabalha, basicamente, com quatro títulos: CDA (Certificado de Depósito Agropecuário), WA (Warrant Agropecuário), LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) e CDCA (Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio). Eles possibilitam a participação do capital privado no custeio e comercialização da produção agrícola com taxas bastante atrativas. "Dependendo do papel, pode haver uma redução em relação às taxas de mercado de até três pontos percentuais", destaca o Secretário de Política Agrícola do Mapa, Edílson Guimarães.

No caso da LCA e CDCA, que são títulos de refinanciamento, a principal característica é o aumento da capacidade de financiamento do emissor (bancos, cooperativas e empresas) e a conseqüente redução da taxa de juros. Já o CDA e o WA, que representam produtos estocados em armazéns, possuem uma série de vantagens. Entre elas a possibilidade de atrair capital privado para o financiamento da comercialização. A emissão e a negociação desses títulos ocorrem na esfera privada, cabendo ao governo apenas regulamentar o processo.

Em dois anos de operação, os papéis superaram o primeiro título privado do setor, a Cédula de Produto Rural (CPR), criada em 1994, que demorou seis anos para somar o seu primeiro bilhão. Os títulos com maior adesão do mercado são o CDA e o WA, que movimentaram 1333 contratos até agora, o equivalente a R$ 2,4 bilhões.

"A movimentação dos novos papéis ainda é pequena em comparação com o capital de giro necessário para a safra brasileira, mas a tendência é de um crescimento acelerado já a partir deste ano", acrescenta Guimarães. Segundo ele, o maior conhecimento e a maior aceitação dos títulos irão possibilitar a expansão dos negócios.

O secretário explica que esses papéis são um complemento ao crédito rural do governo e uma tentativa de atrair recursos privados para o financiamento do agronegócio. "O governo vem aumentando o volume disponível para o setor a cada ano, mas a safra também vem crescendo a percentuais altos e não há fontes alternativas para ampliar os recursos oficiais", acrescenta.

Para a colheita 2006/07, por exemplo, estão sendo disponibilizados R$ 41,4 bilhões para custeio e comercialização. Isso significa que a expectativa de movimentação dos títulos, em 2007, pode responder por 19% desse total.

Figura 1

Fonte: Câmara de Custódia e Liquidação (Cetip) e Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F)

Produtos

Levantamento da SPA aponta que soja, milho, café e açúcar cristal lideram as emissões de CDA/WA. Apenas estes quatro produtos registraram 1.091 contratos, no valor total de R$ 2 bilhões - 84,76% de todo o volume financeiro operado com os dois títulos, nas duas centrais de registro (Cetip e BM&F).

Figura 2

As informações são Secretaria de Política Agrícola do Mapa.
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