Um herói na UTI - Por Kátia Abreu
"O agronegócio vai tão bem que pouca gente presta a devida atenção ao que se passa com cada ramo particular de produção. Os últimos anos têm sido muito favoráveis à maioria dos produtos que exportamos, mas, quando observamos de perto, vemos que os bons ventos não sopram igualmente para todos. É o caso do café." Artigo de Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária.
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Publicado em: - 3 minutos de leitura
O agronegócio vai tão bem que pouca gente presta a devida atenção ao que se passa com cada ramo particular de produção.
Os últimos anos têm sido muito favoráveis à maioria dos produtos que exportamos, mas, quando observamos de perto, vemos que os bons ventos não sopram igualmente para todos.
É o caso do café. A demanda mundial de grãos e carnes tem crescido a taxas elevadas, com a melhoria de renda das populações que deixaram a condição de pobreza nas últimas décadas. Muito concentrado em países mais desenvolvidos, há cinco anos imersos numa séria crise econômica, o consumo de café não segue a mesma lógica.
Em 2012, por exemplo, nossas exportações para os Estados Unidos caíram 27%; para a Alemanha, 19%; para a Espanha, outros 33%. E, com a melhora na produtividade, nossos cafeeiros estão produzindo mais.
Em princípio, questões de mercado devem ser resolvidas pelos mercados. Quedas de preços provocam, em seguida, queda da produção, reequilibrando oferta e demanda. É isso que precisa ocorrer com a produção de café?
Olhemos mais de perto a cafeicultura brasileira. Nosso parque cafeeiro ocupa 2,1 milhões de hectares, com investimentos em torno de US$ 25 bilhões. Essas áreas são cultivadas por 380 mil produtores que geram US$ 7,5 bilhões por ano. E grande parte delas não tem aptidão para cultivos alternativos, especialmente por questões topográficas.
Exatos 58% da produção provém de pequenas propriedades. Só 17% do total produzido vem de grandes propriedades, em média com cerca de 450 hectares.
No último triênio, o valor das exportações superou US$ 20 bilhões. Vê-se, portanto, que uma crise na economia do café não é de modo algum uma questão trivial para a economia interna, nem para o balanço de pagamentos. Compromete um produto que, por décadas, sustentou como um herói solitário nosso superavit comercial.
Nos cultivos anuais, o ajuste entre oferta e demanda pode ser feito a cada ano. Se os preços caem, a área plantada de grãos, por exemplo, é reduzida. Se os preços se recuperam no ano seguinte, a área é novamente recomposta. Com o café, isso não é possível.
O café é um cultivo permanente, com um ciclo de quatro a cinco anos entre o plantio e a colheita. Se os produtores estão perdendo dinheiro, deixam simplesmente de cuidar da lavoura. Resultado: a degradação dos cafeeiros, que dificilmente podem ser recuperados.
Uma planta permanente não é um equipamento que se desliga e, eventualmente, pode ser novamente posto a funcionar, se as circunstâncias se alteram. Ciclos biológicos não podem ser interrompidos e depois retomados.
E os problemas de mercado não são estruturais. A crise nos países desenvolvidos está aos poucos se dissipando e os mercados emergentes --como China, o restante da Ásia e países do Leste Europeu-- crescem a taxas superiores a 4% ano.
O próprio consumo interno brasileiro vem crescendo 3,5% ao ano. Previsões da Organização Internacional do Café indicam que, em 2018, o consumo mundial ficará entre 157 milhões e 173 milhões de sacas. Ao ritmo em que crescem nossa produção e o nosso consumo interno, a perspectiva é de falta, e não de excesso do produto.
Por essas razões, é o caso de perguntar se vale a pena para o país abandonar a atividade ao seu próprio destino ou se mais vale um esforço para manter intacta essa poderosa estrutura que é a economia do café, geradora de 8 milhões de empregos diretos e indiretos.
Não tenho dúvidas quanto à resposta correta: é útil e vantajoso para o Brasil a preservação da produção de café. Há mecanismos financeiros disponíveis para equilibrar preços e custos, sem sacrifícios indevidos para a sociedade.
Também não podemos deixar de considerar as dificuldades de todas as atividades intensivas de mão de obra, como o café, o cacau, a laranja e a cana, pelo elevado custo Brasil na área trabalhista. Esse é um fator inerente ao produtor.
Nesse caso, só o governo pode efetivamente agir. Ao caminhar no presente, devemos sempre ter o cuidado de não destruir os caminhos do futuro.
*As informações são da Folha de São Paulo.
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LONDRINA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 08/04/2015

SÃO GABRIEL DA PALHA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 06/04/2015
Agora Ministra da Agricultura, está propondo leilão de café do Governo às vésperas de inicio de colheita .... fala em autorizar importação de café....
Grandes incentivos estes à cafeicultura Brasilieira!

ITABELA - BAHIA - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 03/04/2015
A festa do café que convidei acima não é patrocinada por cafeicultores, os shows são pela prefeitura, as exposições e máquinas pelas empresas vendedoras do seu produto, apenas a organização é elaborada pelo sindicato dos produtores rurais, os palestrantes alguns da incaper do E.S.
As dificuldades estão estampadas em todos estados produtores de café, não tem mentirinha na matéria acima, não sei voce, mas não sou disso.

LONDRINA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 03/08/2013

ITABELA - BAHIA - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 31/07/2013
Sem contar na colheita do café que somos visitados por fiscais do trabalho que as vezes chegam como se fôssemos bandidos, talvez é porque no campo não usamos paletó e gravata, até quando vamos ter forças para suportar tanto descaso?, amo o campo e a cafeicultura, e espero que meu filho de 06 anos também tenha entusiasmo para dizer o mesmo no futuro, um abraço a todos.
OBS:Teremos neste final de semana a festa do café em Itabela, palestras, maquinas, exposição, shows, inovações de empresas do ramo e muito mais, convidamos a todos de 02 a 04/08.
MARUMBI - PARANÁ - PROVA/ESPECIALISTA EM QUALIDADE DE CAFÉ
EM 30/07/2013

TUPÃ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 30/07/2013

PIUMHI - MINAS GERAIS - INSUMOS PARA INDÚSTRIA, DISTRIBUIÇÃO E VAREJO
EM 30/07/2013
Isso mostra que ainda existe pessoas inteligentes e preocupadas com a economia do pais, e de onde vem a sustentabilidade de seus pilares...do campo é claro! Os pequenos produtores a cada ano vêem sofrendo mais e mais, o governo nada faz, cade o preço congelado? Propostas mais justas e condizentes de acordo com o mercado, seria uma boa opção e um começo de um nova era para todos aqueles que lutam e buscam com dignidade o crescimento. Abraços.

PERDÕES - MINAS GERAIS
EM 30/07/2013

LONDRINA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 30/07/2013

SÃO GABRIEL DA PALHA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 30/07/2013
GUAXUPÉ - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 30/07/2013

ABRE CAMPO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 30/07/2013

BOA ESPERANÇA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 30/07/2013
A senadora colocou muito bem a respeito das contas pagas ao mundo todo com o café. Colocou muito bem sobre a biologia do café, ciclo, responsabilidade empregati-
cia, impostos recolhidos, etc. Colocou que faz bem para arrecadação do municipio, do estado, do país e dos que compram ( compram barato e vendem caríssimo), Tem aqueles que vendem insumos (adubos, defensivos, maquinas, etc) que também ganham e muito em cima do cafeicultor. Por que o governo não compra o café garantindo um preço razoavel, por ex. R$400,00/sc, e o próprio governo vende, exporta, consome, etc? Muito fácil de responder. - O produto café será especulado da produção até a venda, Vão aparecer produtores de todo jeito e quantidades, qualidades, etc, O mercado ficará cheio, e os preços de graça. Como sugestão, deveriam fazer igual ao produtor de algodão do Centro Oeste e Bahia, diminuir a area plantada pela metade, assim ganhamos o dobro, gastamos tudo pela metade, metade
de problemas trabalhistas, com mão de obra, maquinas, insumos e o municipio, o estado e o pais que se fumentem pra outros lados. Simples, não acham? abs a todos e boa sorte.
ESPÍRITO SANTO DO PINHAL - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 30/07/2013
Então minha dúvida , será que a classe dirigente quer realmente resolver os problemas da cafeicultura ?
Para os que não conhecem minha proposta , abaixo transcrevo sucintamente :
Preço mínimo de exportação de café , vinculado ao custo de produção do café arábico brasileiro
Para os leigos , o custo de produção dos cafés arábicos do Brasil é um dos menores do mundo .
Esta medida acima , não impede outras medidas de PEPRO , OPÇÕES DE VENDA , COMPRA POR PARTE GOVERNAMENTAL , etc .
Então minha pergunta ao CNA , na diretamente ao Bruno e Natalia , porque não discutir a proposta de PREÇO MÍNIMO DE EXPORTAÇÃO vinculado ao CUSTO DE PRODUÇÂO ???

SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 30/07/2013
Quem precisa ler este artigo é o desenformado ministro da agricultura.
Willes.
SANTA MARIA DE JETIBÁ - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 30/07/2013

MARUMBI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 30/07/2013