Série 'Potenciais Concorrentes do Café Brasileiro': Peru
O Bureau de Inteligência Competitiva do Café lança novo volume da série 'Potenciais Concorrentes do Café Brasileiro'. O objetivo do trabalho segundo os pesquisadores é ressaltar os pontos fortes e fracos dos países produtores, bem como as ações das instituições privadas e dos governos desses países, que definirão o futuro do setor. A edição deste mês é sobre o Peru. Confira!
Publicado por: CaféPoint
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Peru
Com capital em Lima, o Peru possui cerca de 30,4 milhões de habitantes. Seu território de 1.285.220 km² se localiza na América do Sul fazendo fronteira com a Colômbia, Equador, Brasil, Bolívia e Chile, além de possuir acesso ao Oceano Pacífico. O país possui o 40° maior PIB mundial, com um total de $ 325,4 bilhões, sendo 7,8% provenientes da agricultura, 33,9% da indústria e 58,4% dos serviços. Sua economia é baseada na exploração de minérios como a prata (terceiro maior produtor mundial), o zinco, o estanho e o cobre. Quanto à agricultura, são cultivados no país cana-de-açúcar, algodão, café, trigo, milho e batata. O café se destaca dentre as commodities, uma vez que o Peru é o terceiro maior produtor de café do continente, depois do Brasil e da Colômbia. Além do volume, o país é reconhecido também pela qualidade do café que cultiva, sendo considerado o maior exportador mundial de café orgânico.
Pontos Fortes
• Características propícias à obtenção de café de qualidade (densidade média de 2.000 plantas por hectare, 75% da cafeicultura encontra-se em locais sombreados e em altitudes entre 1000 e 1800 metros acima do nível do mar, colheita manual e secagem ao sol);
• Cafeicultura de pequena escala – possibilidade de obter ajuda dos grandes certificadores internacionais;
• Aumento no consumo – nos últimos 5 anos a média per capta dobrou para 600g, sendo que nos grandes centros pode chegar a 1 kg;
• Grande produtor de cafés especiais.
Pontos Fracos
• Limitações de crédito – falta de regularização do direito de posse das terras;
• Pequeno tamanho das fazendas (média de 3ha);
• Infestação de ferrugem (Hemileia vastatrix) em 130.000 hectares (40% da área total plantada);
• Escassez de trabalhadores (a cafeicultura remunera em média cerca de 13 a 15 dólares por dia enquanto o narcotráfico paga até 38 dólares por dia);
• Esgotamento natural das árvores;
• Baixo nível de uso de tecnologia, fertilizantes e defensivos;
• Falta de instituições e políticas nacionais voltadas exclusivamente para o café.
Ações
1) Implementação de estratégias de promoção do café peruano através do PromPeru (Agência de promoção de exportações do Peru) – Tunki Coffee – considerado o melhor café especial do mundo pela SCAA (Speciality Coffee);
2) Estreitamento da relação com a SCAA – Peru sediará em 2014 a reunião anual da
Associação (10.000 visitantes são esperados no evento);
3) Estímulo à produção e implementação de indústrias do setor em áreas pobres e remotas;
4) Investimentos por meio da DEVIDA (Comisión Nacional para el Desarrollo y Vidas sin Drogas) para promover a cafeicultura como cultura alternativa à produção de coca;
5) USAID (Agência para o Desenvolvimento Internacional) por meio do PRA (Programa de Redução e Combate à Pobreza) está estimulando a atividade cafeeira através do aumento dos rendimentos dos produtores que desenvolverem a cultura em áreas que atualmente se planta coca. O órgão também auxilia pequenos produtores a obterem a certificação orgânica.
Principais discussões
Cafeicultura como alternativa contra a expansão da coca, aumento no consumo dos grandes centros urbanos, cafés especiais e certificados, cafeicultura de pequena escala.
Considerações:
• A produção de café no Peru em 2013 apresentou queda de aproximadamente 15% em relação ao ano safra recorde de 2011/2012, quando foram colhidas cerca de 5,15 milhões de sacas. Para 2014, é esperado redução de 6% em relação a produção de 2013, atingindo 4,4 milhões de sacas.
• A produtividade média de 12,5 sacas por hectare, resultado do baixo uso de fertilizantes e defensivos, se contrasta com as produtividades dos grandes produtores que atingiram
38,3 sacas por hectare em 2013,
• O consumo interno dobrou nos últimos 5 anos, atingindo 600 gramas per capta. Crescimento motivado, sobretudo, pelos jovens nos grandes centros urbanos que estão passando a adotar o hábito de tomar café nas cafeterias.
• Em decorrência da queda da produção, em 2012 as exportações de café peruano foram de 4.405.716 sacas, 10% inferior em relação a 2011. Além do menor volume, os preços pagos pelas sacas também sofreram queda. Em 2012 o preço médio das sacas exportadas foi de U$230,64, enquanto que em 2011 esse valor chegou a U$321,96.
• Crescimento da importação do café peruano pela Colômbia. Em 2012 o volume de sacas importadas pelo país chegou a 500.000 unidades.
• Alta concentração de empresas quanto ao volume e o valor total exportado. Apenas 20 companhias exportadoras são responsáveis por aproximadamente 90% da quantidade exportada, sendo que as 10 primeiras respondem por 75% do valor total exportado.
• Reconhecimento como maior exportador mundial de café orgânico do mundo, resultado dos 90.000 hectares certificados do país.
• Indústria incipiente, sendo a maioria do café exportado na forma de grãos e o consumo interno de torrado e moído e solúvel feito a partir de torrefadoras localizadas em países vizinhos, como a Colômbia.
Cenário:
Vista como uma solução para ajudar o país a conseguir um maior desenvolvimento econômico e social, a cafeicultura do Peru se encontra dividida de duas diferentes formas ao longo do território nacional. Na região próxima a capital, prevalecem os grandes latifúndios, com altas taxas de produtividade decorrentes do elevado nível de tecnificação e melhores infraestruturas. No restante do país, a produção em pequena escala, voltada a diferenciação se sobressai. O baixo uso de fertilizantes e defensivos, antes motivados pela situação financeira dos produtores e agora pela exigência da produção, faz com que o Peru seja o maior exportador de café orgânico do mundo e o terceiro maior produtor mundial de cafés especiais, depois da Colômbia e Guatemala.
Em 2011, as exportações de cafés especiais representaram 25% do total dos envios de grão do país (US$ 1,56 milhão). Desses, 80% correspondem a café orgânico e 20% ao comércio justo, entre outros. A elevação da produção desse café pode ser prejudicial para os produtores brasileiros que queiram contornar a falta de competitividade de seus custos de produção através dos prêmios por diferenciação, uma vez que quanto maior a oferta, menores serão os preços pagos pelo mercado internacional.
Ademais, merece destaque a ausência de instituições e políticas nacionais voltadas diretamente para o café. A atividade é sustentada e impulsionada, sobretudo, por órgãos internacionais de combate ao narcotráfico e erradicação da pobreza. Essas entidades acabam financiando boa parte da expansão da cafeicultura nacional a juros baixos ou mesmo a fundo perdido, ajudando a alavancar a competitividade do café peruano.
Sobre o Bureau
O Bureau de Inteligência Competitiva do Café é um programa desenvolvido no Centro de Inteligência em Mercados (CIM) da Universidade Federal de Lavras (UFLA) que objetiva criar inteligência competitiva e impulsionar a transformação do Brasil na mais dinâmica e sofisticada nação do agronegócio café no mundo. O Bureau contribui com o CaféPoint por meio de seu Blog no Portal, coordenado pelo Prof. Luiz Gonzaga Castro Junior e pelo Ms. Eduardo Cesar Silva.
Publicado por:
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