Seremos todos felizes

O café, devido às suas características semelhantes ao vinho, não pode ser tratado como commodity única, servindo apenas aos especuladores e indústrias. Os produtores de vinho defendem, cada um, seu produto, e nem por isso são inimigos. No café cada um deve defender seu produto. Sairemos da época da commodity para a da marca e no final seremos todos felizes.

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Londrina, 31 de agosto de 2009.


Temos que rotular o café.

O café, devido às suas características semelhantes ao vinho, não pode ser tratado como commodity única, servindo apenas aos especuladores e indústrias. Especuladores porque jogam na bolsa ao seu sabor e necessidade; às vezes o volume de papel não corresponde, à disponibilidade física do produto. Indústrias se aproveitam da fragilidade do produtor, agregando alto valor ao produto.

Naturalmente, competência deles, incompetência nossa. Temos que descaracterizar o café como commodity. O principal instrumento é a segmentação do produto pela bebida e não se ele é desta ou daquela origem, ou é certificado ou não, ou se é produto de fairtrade, etc, isto agrega valor, mas não acaba com a commodity café e a jogatina de Nova Yorque. A rotulação levará à segmentação.

Precisa ficar claro que a bebida excelente de café Robusta é a que tem maior neutralidade de sabor. Durante os últimos anos o marketing do café Robusta foi muito eficiente e conseguiu convencer a todos que existe até o tal do café Robusta gourmet (que eu não sei o que é). A continuar a adição desenfreada do café Robusta ao café Arábica, teremos como principal concorrente do café, os produtos energéticos de alto teor de cafeína, assim como o café Robusta.

Tomar café Robusta será o mesmo que tomar Red Bull, cada um escolha o qual mais gostar. A conseqüência futura desta adição exagerada de Robusta será nefasta para o consumo, e, consequentemente, para os preços.

Não queremos afirmar que este ou aquele café é melhor, o consumidor é quem vai escolher. No momento estão apagando da memória do consumidor o genuíno sabor do café. Como todos sabem, quanto maior a qualidade do café Arábica, mais café Robusta se adiciona.

Impressionante é que em uma análise simples vemos que a adição de café Robusta estando em 50% ou mais, é simples concluir que temos falta de café Arábica no mercado, e que o café Robusta puxa o preço do café Arábica para baixo.

Não queremos que o consumidor seja enganado, precisamos rotular o café, o que nos dará instrumento de marketing, para nos posicionar como produtores de café Arábica. O café Robusta não possui aroma, portanto o café Arábica se tornou aromatizante de Robusta.

Têm razão os que dizem que não deve haver guerra. Os produtores de vinho defendem, cada um, seu produto, e nem por isso são inimigos. No café cada um deve defender seu produto. Sairemos da época da commodity para a da marca e no final seremos todos felizes.
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Material escrito por:

ricardo gonçalves strenger

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