Parem, corrijam o rumo: estão na contramão
Os cafeicultores de Arábica precisam parar imediatamente este "caminhão desgovernado", na contramão. Não há raciocínio lógico, ciência ou matemática que justifique tanta insensatez. A atividade está em processo de falência por única e exclusiva culpa e responsabilidade de seus dirigentes, tendo por aval os cafeicultores.
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A sobrevivência de um empreendimento ou atividade econômica necessita fundamentalmente de planejamentos e estou me referindo a estratégicos - da porteira para fora -, e operacionais - da porteira para dentro. O estratégico contempla a organização da atividade, não das fazendas, considerando todos os fatores externos: produções mundiais, consumo, estoques, bem como suas tendências, entre inúmeros outros. O operacional é relacionado ao que ocorre dentro das propriedades e no aspecto financeiro e econômico de cada produtor. O "coração" do operacional está nos custos de produção e nos preços de venda. A diferença entre um e outro é o lucro.
Assim, ao pensarmos no estratégico, a cafeicultura não o possui, razão dos cenários aterrorizantes, por que passa e continuará passando.No operacional o problema é potencialmente grave e assustador. O estratégico depende diretamente do operacional sob muitos aspectos, porém, em especial o custo de produção.
O problema gravíssimo é que, ao contrário do que deveria ser, procuram informar estes custos nivelando-os por baixo. Parece que existe uma concorrência no sentido de propalarem, falsamente, que são estes custos sempre menores do que na verdade o são. E levam isto como se fosse um troféu.
Para concorrer e sobreviver, é necessário nivelar por cima ou no mínimo pela média, jamais por baixo. Não consigo compreender como não conseguem compreender isto. É tão elementar este erro que se torna inadmissível e, por isso, muitos estão falindo, e os poucos que se mantêm o fazem à custa de outros aportes financeiros. Para piorar, os que se mantêm acreditam que são eficientes, se gabando; irão quebrar mais tarde, mas certamente não escaparão.
Estão todos no mesmo barco furado, cada um mentindo mais que o outro e com vergonha de mostrar a verdadeira situação. Mesmo porque, se mostrarem ai é que não obterão financiamento algum. Precisam mentir para este efeito, mesmo sabendo que mais a frente a bolha irá estourar.
Quem possui cafeicultura mecanizada pode ter um custo menor em relação à cafeicultura manual, ou semi-mecanizada, porém isto é muito relativo e jamais serve como regra básica. Fui dar consultoria na elaboração de um planejamento em uma propriedade essencialmente cafeeira, com 2.300 hectares de café, mecanizados, onde o produtor possuía 54 tratores cafeeiros e 06 colheitadeiras automotrizes. De imediato, pela destreza neste tipo de análise, percebi que necessitaria apenas de 14 tratores cafeeiros e 2 colheitadeiras. Este caso serve para ilustrar o que ocorre na maioria absoluta das propriedades cafeeiras: um super dimensionamento de máquinas e equipamentos, elevando potencialmente os custos de depreciação e manutenção, afetando diretamente o custo horário destes.
Assim, sei por inúmeros projetos desenvolvidos, que este super dimensionamento produz um efeito desastroso, pois em média, os tratores cafeeiros trabalham apenas 411 horas/ano, enquanto deveriam trabalhar no mínimo 1500 horas/ano. Não bastasse isto, que para ser dimensionado precisaria o planejamento ser desenvolvido através de análises de processos e padronização das atividades. O profissional, ou seja lá quem for o responsável por este cálculo, para estabelecer estes custos, considera o preço da máquina retirando sua depreciação e o divide pela informação de vida útil das máquinas, impressa no manual destas. Neste caso, comum à grande maioria, divide este preço por um intervalo entre 1200-1500 horas, enquanto na verdade chega a 4 vezes inferior, falsificando ou mascarando uma informação vital, ou seja, seu custo é 4 vezes superior ao que acredita ser.
Assim, não se iludam, em acreditar que o custo mecanizado significa eficiência em relação ao manual. Posso ter uma lavoura manual com produtividade muito superior à mecanizada, que compense a não utilização desta tecnologia. Posso ter uma lavoura manual, que devido a área insuficiente para justificar tecnologia de mecanização seja mais aconselhável, porém, que sua tecnologia seja por adensamento.
Perde-se de um lado e ganha-se de outro. É assim, que deveria funcionar a cafeicultura, procurando o ponto de equilíbrio, competitividade e sobrevivência. Porém, após encontrar o ponto de equilíbrio, é fundamental que jamais nivelem seus custos por baixo, principalmente pelo fato que geralmente informam o custo medido, ou seja, que passou e raramente com um planejamento preciso que anteceda a estes. Portanto, erram muito e este erro é fatal. Razão da decadência da atividade.
Como se isto não bastasse e aproveitando as informações errôneas, além de niveladas por baixo, governo e o próprio mercado, desavisados e desconhecedores por completo disto, acreditam nisso e são os cafeicultores que perdem competitividade, concorrência pela sobrevivência, e além de tudo são taxados de chorões por seus constantes pleitos de prorrogações e novos recursos.
Estão errados, e muito errados. Desde a falta absoluta de organização eficiente no topo das lideranças, assim como no que consideram como verdades. Caso não tomem, urgentemente, medidas drásticas em tudo isto, não haverá solução alguma e perderão suas propriedades, sendo que os novos cafeicultores terão uma mentalidade totalmente diferenciada, se houver alguém com esta disposição.
O que a cafeicultura precisa é de mudança drástica de rumos, com uma visão totalmente diferenciada da costumeira. Mudar tudo, radicalmente e rapidamente, se desejarem permanecer nesta atividade.
Material escrito por:
Jose Eduardo Reis Leão Teixeira
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BOA ESPERANÇA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 23/11/2009
Gostei muito de sua matéria. É pena que poucas pessoas pesam assim. Há um ditado antigo em que diz:"Cabeça que não pensa, o corpo padece". A cafeicultura brasileira tem vivido um momento de total falta de liderança e organização. São vários os problemas que esta atividade está vivendo, sobre qualquer perspectiva que o holofote apontar, temos um grande número de variáveis que não se encontram alinhadas para sustentabilidade do setor. Nesta luta desordenada, onde o próprio cafeicultor luta contra si mesmo, parece ser difícil estabelecer a paz. A falta de um planejamento estratégico, principalmente do topo das lideranças, força-nos a buscar índices de produtividade altíssimos como uma forma de resolver o problema, mas sendo que na verdade é um grande lamaçal que colocamos à frente de nosso percurso.
Um garnde abraço e até breve!

VARGINHA - MINAS GERAIS
EM 19/10/2009
É importante esclarecer que nem toda a área é mecanizável para efeito de colhedeiras automotrizes. Existem diversos talhões, com expressivas áreas, em que estas máquinas não operam, razão da minha afiirmativa ao texto. Não as citei, pois fugiria ao tema principal. Além disto é importante observar que estas máquinas precisam operar com três turnos, caso contrário, devido a sua pequena operacionalidade em dias durante o ano, o custo horário de máquina parada potencialializaria negativamente a hora trabalhada. Detalhes como estes produzem uma forte diferença em redução de custos e eficiência operacional e financeira.
Extrapolando este raciocínio a todos os processos e suas inerentes atividades produzimos o que se chama padronização de processos, sendo esta o fornacedor de elementos formadores de custos.
Formar custos é simplesmente padronizar as atividades e através dos parâmetros pré-estabelecidos fazer suas composições.
A diferença entre esta metodologia de padronização de processos, se comparado com as demais, gera redução de custos que normalmente atingem 50%. Assim, perceba o potencial ganho financeiro e operacional, que associado a tecnologias de produção possivelmente representarão a criação e estabelecimento de sobrevida e competitividade.
Atenciosamente,

VARGINHA - MINAS GERAIS
EM 19/10/2009
A área total de café informada possui diversos talhões representativos em que as colhedeiras automotrizes não operam. Trata-se de propriedade situada no Sul de Minas, portanto, com terras mecanizáveis e não mecanizáveis. No caso em questão, caberia a opção de outro tipo de colhedeira, que não automotriz, e acrecida por derriça manual.
No texto, ficaria por demais extenso explicações detalhadas, mas o iportante é a compreensão pelo que desejei transmitir, que em geral é via de regra e produz efeitos extremamente negativos nos resultaods financeiros.
Atenciosamente

SERRA DO SALITRE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 17/10/2009
O consultor também esquece que, naturalmente, a produtividade cai com a idade das plantas. O cafezal de hoje, com as exceções de praxe, dura de 10 a 12
anos com produtividade economicamente viável. Depois cai, só produz na ponta dos ramos. Podas, recepas e esqueletamento acabam com as reservas da planta. As varidades modernas são precoces, mas pouco longevas.
Quando a maioria das plantas entra nesta fase, em que a produção começa a cair, os compradores aumentam os preços por uma semana, um mês ou dois, até que a burrada - nós produtore - se anime e faça novos plantios, que irão repetir o mesmo ciclo perverso.

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 16/10/2009
Assutei-me, todavia, com a afirmativa de que apenas duas colhedoras seriam suficientes para colher 2300 ha, pois isso significaria quase 6000 horas de trabalho, exigindo 4 meses de operação ininterrupta por 24h, 7 dias na semana!

LINHARES - ESPÍRITO SANTO - PESQUISA/ENSINO
EM 14/10/2009

BATATAIS - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO
EM 14/10/2009
Uma das questões que o produtor tem que reavaliar e lutar por alguma solução, junto às entidades representantes da classe, são os custos de colheita manual, que nesta safra ficou entre R$ 80,00 e R$ 120,00/sc - um absurdo, pois chega a representar 50% do valor da saca, ou seja, é mais negócio colher café que produzir café!
Abraço a todos