O mercado cafeeiro em 2012 e perspectivas futuras

Marcus Magalhães, consultor de mercado da Maros Corretora, discorre sobre os problemas enfrentados pelo setor produtivo este ano, com a queda das cotações do grão no mercado internacional. Traz à tona erros passados do Brasil, mudanças de postura do produtor, mais capitalizado e informado e reforça a máxima de que o erro gera aprendizado, prevendo um futuro mais positivo à cafeicultura nacional.

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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O ano de 2012 deverá entrar para os anais da cafeicultura brasileira por ter sido, na minha visão, um período onde a realidade produtiva se chocou brutalmente com a especulação sem precedentes. Um ano onde tivemos que administrar não só problemas do setor café especificamente como também as consequências da crise global no segmento cafeeiro.

Foram especulações de toda a ordem e sabor. Desde uma possível queda do consumo global de café até a problemas com liquidações de compras realizadas no exterior, tudo, foi motivo para que o estresse ficasse sendo um notório dentro do setor café nos 365 dias do ano. A cada notícia construtiva no quadro fundamental uma notícia não tão boa, era colocada nas mesas de operação ao redor do mundo. Mas, vamos por parte.

Do lado produtivo, começamos com uma entrada de safra atípica no Brasil com estoques baixos, 'carry over', e uma cenário climático adverso no cinturão produtivo em plena boca de safra. Temos que lembrar que a qualidade da safra esta intimamente ligada ao fator clima e assim, os primeiros lotes de cafés colhidos ficaram e muito depreciados em função do excesso de chuva e umidade, em grande parte da região produtora. Resultado, o mercado levou o primeiro solavanco do ano. Em seguida, tivemos a renda das lavouras ficando longe do ideal projetado pelo setor produtivo levando assim, um " fantasma " ao setor café que assombrou o mundo consumidor, ou seja, teríamos a real possibilidade de ter uma safra aquém tanto em qualidade quanto em volume.

O ano foi passando e esta realidade tomou corpo em nosso imenso interior produtivo e respingou em NY café, onde tivemos cotações próximas a 200.00 cts/lb em pela safra cafeeira do Brasil. Depois que os patamares em NY conseguiram testar níveis interessantes refletindo a realidade do ano safra, especulações de toda a ordem invadiram os terminais internacionais e pesadas realizações de lucros, ficaram notórias. Razões como a possibilidade de grande safra no Brasil no próximo ano safra até o agravamento da crise internacional, tudo, serviu de desculpa para batidas de toda a ordem.

Olha, falar em grande safra produtiva no atual momento é muito prematuro, já que pela bianulidade do cafezal não é possível prever tal situação e isso sem contar que o fator climático, que todo ano fica mais imprevisível impedindo que tenhamos a segurança produtiva em qualquer ativo agrícola comercializado. Resumindo, este tsunami presenciado em NY café nas últimas semanas foi totalmente descabido e sem precedente, se olharmos no quadro fundamental. Temos que lembrar que o mundo mudou e os erros cometidos no passado, dificilmente, serão repetidos outra vez. Erros a que me refiro são primeiro, a falsa ideia que os operadores internacionais tem de que o produtor brasileiro é desinformado e descapitalizado. Hoje, o setor cafeeiro no Brasil é um dos mais sólidos e informados do mundo. Recursos a custos infinitamente baixos estão disponíveis no sistema financeiro para o setor café, o que dá a gordura financeira suficiente para que o setor produtivo hiberne à espera de preços melhores.

Agora, ao meu ver, o pior erro que já cometemos no passado recente foi a transferência de nossos estoques para portos consumidores ao redor de 2002/2003 quando tivemos um cambio no Brasil que chegou a testar os r$3,00. Naquela época vendemos o dólar e entregamos o café de cortesia e muito pior, demos munição aos importadores para que eles tivessem o poder de decisão de onde, quando e a que preço iriam comprar o café brasileiro. Erro que o Brasil esta pagando até hoje. Na minha concepção, quando se tem na origem produtora o poder da decisão de venda aliado a um bom suporte financeiro dado ao setor produtivo, o setor consegue de vez, enterrar a máxima que diz que café não se vende e sim é comprado.

Partindo deste princípio e acreditando que esta é a nova realidade do setor café no Brasil, maior origem produtora do mundo, é que acredito que independente do triste cenário presenciado em NY café atualmente, teremos sim, tempos à frente de boas remunerações e progresso no pais que sempre foi chamado de celeiro do mundo, o Brasil.
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Material escrito por:

Marcus Magalhaes

Marcus Magalhaes

Marcus Magalhães é Diretor Executivo da Maros Corretora e especialista em mercado de café. Atua por meio da TV Maros para análises das cotações do dia do mercado cafeeiro, divulgadas no CaféPoint.

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paulo henrique pereira nogueira
PAULO HENRIQUE PEREIRA NOGUEIRA

SÃO GONÇALO DO SAPUCAÍ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 13/04/2013

No meu ver o grande culpado dessa instabilidade no setor é  o governo , que saudade do IBC ,onde se tinha pelo menos uma politica para o cafe ,com preço minimo de garantia isto nos traria um pouquinho mais de tranquilidade ,acorda governo,veja o que o cafe ja fez pelo Pais ,está na hora de retribuir as obras e tudo o que o cafe fez,devolva o que é nosso, nosso  funcafé, use esse dinheiro para comprar o nosso produto e vender no momento certo ,para ajudar a acabar com o poder especulativo .
GINOAZZOLINI NETO
GINOAZZOLINI NETO

LONDRINA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 05/12/2012

Na verdade estamos ao Deus dará. Pra variar o Governo só arrecada e não devolve nada. Pra chegar na minha propriedade pago um único pedágio R$ 13.50.( Deve ser o mais caro do Brasil ). Ida e volta R$ 27,00. Mais R$ 70,00 de gasosa. Se eu for uma vez por semana vou gastar R$ 388,00 por mês, R$ 4.656,00, por ano. Como uma saca hoje não rende nem 30,00 reais ( quando não dá prejuízo) significa que, só para chegar na minha propriedade eu desembolso por ano 156 sacas de café. Seco, sem falar de lanches, comida, pneus, desgaste de veículo, troca de óleo etc. etc. Com esta fúria de impostos e preços baixos, devemos mandar o Governo para onde?
marcos paulo
MARCOS PAULO

MONTE CARMELO - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 05/12/2012

Caro Marcus, do ponto de vista analítico está claro os pontos colocados, porém , acho que devemos explorar outro ponto importante. A crise na Europa(MAIOR CONSUMIDOR DE CAFÉ) influenciou muito na redução de demanda deste ano, juntamente com os pontos especulatórios expostos, ao meu ver, foram os responsáveis pela instabilidade das cotações.



Abç.
Rodrigo Sousa
RODRIGO SOUSA

BOA ESPERANÇA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 05/12/2012

Prezado Marcus,


Excelente artigo, mas não entendi a referência à transferência de nossos estoques para portos consumidores em 2002/2003. Não me recordo de ter ouvido falar nisso. Foi uma decisão do governo? Quais são esses portos? Como é que uma decisão de 10 anos atrás ainda pode influenciar de alguma maneira o mercado atual? Por fim, o que é carry over?


Atenciosamente,