Novas exigências legais para quem exporta café para os Estados Unidos

Por Isabela Machado Ferrari, engenheira química, com mestrado em Biotecnologia, especialista em normas e certificações internacionais de alimentos, com 20 anos de experiência.

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Por Isabela Machado Ferrari*


Foto: Isabela Ferrari/ Divulgação
A autora deste artigo é especialista em normas e certificações internacionais de alimentos, com 20 anos de experiência

Fique atento! Se sua empresa exporta café (grãos verdes ou torrados, bem como qualquer derivado) ela pode estar sob a mira do FDA (Food and Drug Administration) através do FSMA - Food Safety Modernization Act. As datas limites para atendimento à nova exigência estão girando em torno de 2016 e 2017, no máximo 2018, dependendo do porte da empresa.

O FSMA inclui o FSVP - Foreign Supplier Verification Program (Programa de Verificação para Fornecedores Estrangeiros), a nova legislação para a Segurança de Alimentos, baseada na ferramenta HARPC que é a sigla para Hazard Analysis & Risk-Based Preventive Controls (Análise de Perigos e Controles Preventivos Baseados no Risco).

Se você já ouviu falar no HACCP (Hazard Analysis and Critical Control Points), ou em português, APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle), digamos que o HARPC é um “primo de longe” do HACCP. Não usa a mesma lógica na definição de perigo e medida preventiva.

Podemos resumir os requisitos desta nova legislação como um grupo de regras que exigem um efetivo controle gerencial. A ideia é focar na prevenção e documentação.

A documentação baseia-se fundamentalmente no Food Safety Plan (Plano de Segurança de Alimentos) que deverá ser elaborado para cada instalação de processamento de café, seja ela de beneficiamento, torrefação, extração e demais derivados, como café solúvel, óleo e extratos, entre outros.

O Food Safety Plan deve conter o plano HARPC específico para cada instalação agroindustrial e mais cinco procedimentos básicos, no mínimo:
1. Recall Plan (plano de recolhimento)
2. Controle de Processo
3. Programa de fornecedores
4. Controle de Alergênicos
5. Programa de Higienização e Sanitização

O plano HARPC deve ser elaborado, a partir dos 12 perigos identificados e classificados separadamente pela nova legislação do FSMA:
1. Biológicos
2. Químicos
3. Físicos
4. Radiológicos (radioativos)
5. Toxinas naturais
6. Pesticidas (agroquímicos em geral)
7. Drogas veterinárias
8. Decomposição
9. Parasitas
10. Alergênicos (somente para alimentos humanos)
11. Aditivos não autorizados
12. EMA (Economic Motivated Adulteration) – adição ou substituição de ingredientes ou insumos para adulteração econômica.

Se sua empresa tem algum certificado como FSSC 22.000, BRC, ou outra como orgânico ou UTZ, pode ser que esta certificação já atenda parte das exigências do FSMA. É preciso verificar com um especialista no assunto.

Se quiser saber mais, leia sobre o assunto no meu e-book, com download gratuito no link: http://www.isabelaferrari.com/news/e-book-harpc-x-haccp-em-portugues-com-download-gratuito/

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* Isabela Machado Ferrari é engenheira química, com mestrado em Biotecnologia, especialista em normas e certificações internacionais de alimentos, com 20 anos de experiência na prestação de serviços de assessoria na elaboração e adequação destas normas para grandes agroindústrias e empresas de alimentos para humanos e ração animal. É reconhecida como PCQI - Preventive Controls Qualified Individual, com certificado registrado no FDA (Food and Drug Administration).
Contato através de email: gerencia@isabelaferrari.com
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Material escrito por:

Isabela Machado Ferrari

Isabela Machado Ferrari

Engenheira Química, Mestre em Bioprocessos Industriais e Biotecnologia. Trabalha nas áreas de gestão da produção e tecnologia de processo, garantia da qualidade, desenvolvimento de novos produtos e projetos de indústrias de alimentos e agroindústrias

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Jhonny Angelozzi
JHONNY ANGELOZZI

BOTUCATU - SÃO PAULO

EM 22/06/2017

Prezados, boa tarde,



Com mais de 20 anos no mercado, hoje a WQS do Brasil possui uma equipe de profissionais de alto performance, treinada e qualificada para atender em qualquer região do país e no exterior (Mercosul, América do Norte e etc).



Em base no GFSI (Global Food Safety Initiative) e creditada pela mesma, contamos com o melhor de atualidades no mercado de certificações, atendendo as grandes indústrias, varejos e distribuidores. Dentro de nossa sede, temos nosso próprio laboratório, acreditado na ISO 17025 para realização das análises alimentícias, garantindo assim segurança, rapidez e qualidade em nossos testes.



Qualquer duvida se encontro a disposição.



http://www.wqs.com.br

  
Cesar J Lisboa
CESAR J LISBOA

COMÉRCIO DE CAFÉ (B2B)

EM 07/12/2016

Excele artigo!

Estamos ficando melhores. Enfim as crises se bem controladas e administradas, nos trazem grandes benefícios.

Estamos nos profissionalizando, e criando condições, com pessoas capazes como Isabela Machado, e nos preparando previamente, quando no passado seria "O Samba do Criolo Doido".

Agora precisamos que a consciência dos nossos banqueiros comece a funcionar mais patrioticamente e menos gananciosamente; e permitam que os burocratas de Brasilia relaxem a taxa de juros, e voltem a acreditar no crescimento do nosso pais, com melhor financiamento as exportações.
José Adauto de Almeida
JOSÉ ADAUTO DE ALMEIDA

MARUMBI - PARANÁ - PROVA/ESPECIALISTA EM QUALIDADE DE CAFÉ

EM 06/12/2016

Parabéns pelo " alerta", Isabela. Aqui no Brasil,muita gente não vê o café como um alimento, mas nos países consumidores " alimento é coisa séria" e as doses de resíduos aceitáveis são  de 10 vezes menos do que aqui no Brasil.

Mais uma vez: parabéns pelo alerta. " O  circulo está fechando em cima de produtos que não se enquadram no padrão de segurança alimentar internacional".