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Mercado para cima ou para baixo?

ESPAÇO ABERTO

EM 24/05/2021

5 MIN DE LEITURA

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Por Marcelo Fraga Moreira*

Setembro/2021 segue em negociação com uma amplitude de 915 pontos. Fechamento/mínima/máxima respectivamente @ 152,10 / 146,55 / 155,65 centavos de dólar por libra-peso.

O Real desvalorizou -2,33% terminando a sexta-feira (21/05) em 5,3540 R$/US$. Novos rumores do risco de inflação nos Estados Unidos e a necessidade do FED (Banco Central Americano) começar a aumentar os juros nos Estados Unidos para conter a inflação voltaram a circular nos mercados. O aumento das taxas de juros de longo prazo nos Estados Unidos e o “risco político/econômico” brasileiro refletem (e refletiram) diretamente na cotação do Real. Com o atual cenário político/econômico brasileiro acreditamos que no curto prazo o Real já atingiu a valorização esperada do ano. O Real, no curto prazo, encontra suporte e resistência respectivamente 5,21 R$/US$ e 5,46 R$/US$.

Finalmente novas revisões para a safra brasileira de café 2021/2022 foram atualizadas e publicadas e deram sustentação ao mercado. Na terça-feira (18/05) o mercado chegou a subir 635 pontos com a divulgação dos números do USDA (Departamento da Agricultura dos Estados Unidos) e na quinta-feira foi publicada a última estimativa da agência Safras e Mercado.

O USDA alterou a produção brasileira de 67,90 para 51,58 milhões de sacas (e a agência Safras e Mercado alterou a produção de 57,10 para 56,50 milhões de sacas (números ainda muito acima da previsão da Conab, estimados em 46,70 milhões de sacas). Ou seja, ainda existe uma diferença de 10 milhões de sacas para ser precificada.

Produtores continuam assustados com a qualidade, a quantidade e o rendimento do café já colhido nas lavouras. O consenso entre os produtores é para uma safra menor, uma quebra elevada e a qualidade/rendimento muito prejudicados. Poucos negócios estão sendo realizados (tanto no mercado spot quanto para safra 22/23 em diante). Nessa semana foram reportados negócios a 1.000 R$/saca para entrega imediata. Preços no mercado interno seguem firmes, entre 800-1.000 R$/saca dependendo da qualidade, certificação do café e localização.

Cooperativas, tradings e indústria seguem firmes no mercado, mas comprando “da mão pra boca”. E o novo café colhido está sendo utilizado para honrar os compromissos já assumidos.

Com o clima seco e céu aberto, a colheita seguiu firme nas principais zonas produtoras do café tipo robusta. A previsão para a colheita do café tipo arábica está prevista para acelerar a partir da última semana de maio/primeira semana de junho.

Segundo a meteorologista do Climatempo, Josélia Pegorim “duas fortes massas de ar frio de origem polar vão avançar sobre o Brasil nos últimos 10 dias de maio, causando frio intenso no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país. Há previsão também de mais uma ocorrência do fenômeno da friagem (que ocorre quando as massas de ar polar provocam queda de temperatura) em alguns estados do Norte, como Acre, Rondônia e Amazonas. São esperadas duas frentes frias que deixarão o fim de maio e o início de junho bastante gelado. A primeira chegou ontem (23/05). Essas devem ser as frentes frias mais fortes de 2021 até agora. Elas vêm trazendo massas de ar frio de origem polar de moderada a forte intensidade".

A posição dos fundos e especuladores ficou estável no período, terminando comprada em +40.592 lotes x +41.185 lotes na semana anterior.

Para novas altas (no curto prazo) precisamos da confirmação real da quebra da quantidade e da qualidade da safra 21/22 brasileira. As novas projeções da produção da safra 2021/2022 precisam convergir para os números da Conab, para abaixo dos 50 milhões de sacas. E, algum evento climático mais grave, como o risco de geadas – o que ocorrer primeiro!

Nesse caso, para o mercado acelerar, o setembro/2021 precisa romper as resistências @ 155,65 / 157,20 centavos de dólar por libra peso. Para a nova safra seguimos construtivos no curto prazo, com os fundos podendo voltar para as compras “pesado” com qualquer sinal de risco de geadas nos próximos 30-45 dias.

Para novas baixas, se as chuvas previstas para os próximos dias voltarem com volume nas principais zonas produtoras (aliviando o stress hídrico das lavouras) e o risco das geadas dissiparem, então acreditamos que os fundos deverão “virar a mão” rapidamente. Para o setembro/2021 os suportes estão entre 149,00 / 146,90 / 139,50 / 135,40 e finalmente 121,70 centavos de dólar por libra-peso.

Já no setembro/2022 (o mercado está negociando “esticado”, acima de todas as médias móveis) temos resistência @ 162,00 centavos de dólar por libra-peso e suportes @ 157,50 / 155,20 / 145,20 / 144,20 / 138,50 e finalmente 132,80 centavos de dólar por libra-peso. Se as condições climáticas normalizarem os preços poderão corrigir rapidamente e voltar para o patamar dos 700/650 R$/saca equivalente! Protejam-se comprando “seguro contra as baixas”, comprando as opções de venda “Put”, ou as estruturas de “Put-Spread”.

Para a safra 2022/2023 e 2023/2024 nossa recomendação continua sendo a mesma da semana passada: Produtores aproveitem esse movimento de alta para vender “A FIXAR”, garantindo o preço mínimo atual ao redor dos 850/950 R$/saca para o café tipo arábica e garantindo o preço mínimo ao redor dos 400/450 R$/saca para o café canéfora (robusta).

Procurem negociar com as cooperativas e tradings para realizar as vendas “a fixar” e/ou as travas em Dólar/saca.

Para o setembro/2022 fiquem atentos na compra do “Put-Spread” +150/-120 vendendo a “Call” -200 com custo ao redor de “flat”. Essa estrutura, considerando uma venda do café físico com um desconto de -30 pontos contra NY, garante ao produtor um preço em US$/saca entre 158 e 264,00 (entre 870 – 1.230 R$/saca, considerando um câmbio futuro 5,50 R$/US$), e desde que o setembro/2022 feche acima dos 120 centavos de dólar por libra-peso e abaixo dos 200 centavos de dólar por libra-peso. Se o mercado negociar e fechar acima dos 200 centavos de dólar por libra-peso o produtor estará com sua venda limitada nos 264 US$/saca / 1.230 R$/saca. 

Como sempre, sejam prudentes, protejam-se! Aproveitem as oportunidades! E cuidado: o inverno e os riscos das geadas estão começando.

Ótima semana a todos!

*Marcelo Fraga Moreira atua há mais de 30 anos no mercado de commodities agrícolas e escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting.

_____

** “Call” = opção de Compra

** “Put” = opção de Venda

** “Compra Call-Spread” = compra e venda simultânea de 2 Opções de Compra comprando a Opção com preço de exercício mais baixo vendendo a Opção com preço de exercício mais alto);

** “Venda Call-Spread” = venda e compra simultânea 2 Opções de Compra vendendo a Opção com preço de exercício mais baixa e comprando a Opção com preço de exercício mais alto);

** “Compra Put-Spread” = compra e venda simultânea 2 Opções de Venda comprando a Opção com preço de exercício mais alto e vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo);

** “Venda Put-Spread” = venda e compra simultânea 2 Opções de Venda vendendo a Opção com preço de exercício mais alto e comprando a Opção com preço de exercício mais baixo);

** “CFTC” = Commodity Futures Trading Commission – agência independente do governo dos Estados Unidos que regula os mercados de futuros e opções das commodities;

** “IBGE” = Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

As informações são da Archer Consulting.

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