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Fim do inverno deve ser seco com temperaturas mais elevadas

ESPAÇO ABERTO

EM 21/07/2022

7 MIN DE LEITURA

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Por Williams Ferreira e Marcelo Ribeiro*

O clima quente e seco tem favorecido a colheita do café nos últimos 30 dias. Na Figura 1, pode ser observado que, quanto mais escuro o tom de rosa, mais seco foram os últimos 30 dias. Dentre as regiões produtoras de café de qualidade, destacadas na cor laranja, a Média Mogiana, Pinhal e a Mantiqueira de Minas foram as mais secas. Pode-se também observar que a área mais seca se estende de Santa Catarina, passa pelo litoral e chega até a Bahia. As áreas em verde foram aquelas com maior volume de chuvas nos últimos 30 dias, com o Rio Grande do Sul e parte da costa nordestina apresentando volumes acima da média.


Figura 1 - Anomalias das chuvas acumuladas, em milímetros, entre os dias 17 de junho e 16 de julho de 2022. Adaptado a partir do NOAA Center For Weather and Climate Prediction

O fenômeno ENOS

No último mês de junho, a convecção que ocorre na região próximo da linha de data no Pacífico equatorial continua abaixo do normal, enquanto os ventos alísios, que ocorrem em baixas altitudes, têm se mantido mais fortes que o normal. Destaca-se que a água mais aquecida, em níveis mais profundos, tem se deslocado mais para o leste no Pacífico equatorial central. Tal fato pode, ainda durante o inverno, elevar um pouco a temperatura da superfície do oceano na região mais próxima das Américas, enfraquecendo cada vez mais o atual La Niña. Esses padrões são consistentes com o observado em períodos de La Niña, caracterizando a continuidade do atual La Niña, que pode persistir até setembro deste ano.

As chuvas no próximo trimestre

Para os próximos três meses, como pode ser observado na Figura 2, é esperado chuvas acima da média para quase toda região Norte do Brasil (chamado de verão amazônico) e para todo o Nordeste brasileiro. Chuvas abaixo da média são esperadas para o Sul do Brasil e para São Paulo e o Mato Grosso do Sul. Em Minas, é esperado que o volume de chuvas ocorra dentro do normal para o trimestre. Das regiões produtoras de café de qualidade, destacadas na cor azul, as regiões da Média Mogiana, Pinhal, Mantiqueira de Minas e Norte Pioneiro do Paraná poderão apresentar até 40% de chuvas abaixo da média do período. Deve-se lembrar que no inverno, principalmente nas regiões Central, Sudeste e Sul do Brasil, há grande redução no volume de chuvas e, devido a esse comportamento sazonal, mesmo pequenos volume de chuva que ocorrerem na região onde é esperado chuvas dentro da média, serão de importância para as culturas desse período.


Figura 2 - Probabilidade de ocorrência de chuvas para o trimestre agosto, setembro e outubro de 2022. Adaptado a partir do COPERNICUS, que se destaca como um serviço operacional voltado para Mudanças Climáticas, gerido pela Comissão Europeia

Nos próximos meses, as Frentes Frias poderão passar de modo mais rápido mais ao Sul do continente americano, sendo desviadas mais ao extremo Sul do Brasil em direção ao Atlântico. Todavia, como ainda estamos no meio do inverno, ainda há a possibilidade de entrada de frentes frias que podem derrubar a temperatura, principalmente no Sul e na região Sudeste do País.

Fazendo uma análise sinótica das atuais condições dos sistemas atuantes na atmosfera, nos meses finais do inverno poderão ocorrer ondas de calor no Sudeste e Sul do Brasil, sendo que, nesta última região, tal condição poderá ocorrer na parte Norte de Santa Catarina e em todo o Paraná. Essa condição de temperaturas mais elevadas nessa região, associada ao tempo seco, é decorrente de um bloqueio atmosférico causado pelo aumento na intensidade de correntes de ventos que desviam, em sua maioria, as massas de ar frio em direção ao Atlântico. É um tipo de “veranico” em pleno inverno austral. O comportamento padrão dos bloqueios atmosféricos nos meses de inverno é no sentido de atuarem mais ao Sul da região Nordeste do Brasil, devido a ação de ventos fortes provenientes do Pacífico. Neste ano, o bloqueio está atuando sobre os estados do Sul do País. 

Diante do atual cenário, é esperado que a secura se prolongue, com maior frequência de chuvas isoladas somente a partir da segunda quinzena de setembro, e a presença de chuvas efetivas, com retorno na região cafeeira, só a partir da segunda quinzena de outubro. Todavia, quando o La Niña findar sua ação, devem ocorrer mudanças na dinâmica da atmosfera que podem criar novo cenário para o início da estação chuvosa neste ano.

As temperaturas no próximo trimestre

No trimestre agosto, setembro e outubro, é esperado que as temperaturas ocorram acima da média ao longo de todo o estado do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul. Em Rondônia, as maiores temperaturas são esperadas na parte Leste do estado e, em Goiás, é esperado para todo o estado, com exceção da parte Norte dele. Temperaturas elevadas também são previstas ao longo do trimestre para todo o Rio Grande do Sul, com exceção da parte Nordeste do estado, e em todo o Paraná, com exceção da região metropolitana de Curitiba. Em Santa Catarina, é esperado temperaturas acima da média somente para o extremo Oeste do estado. Já em São Paulo, somente para a região litorânea não são esperadas temperaturas acima da média. Em Minas Gerais, as regiões do Triângulo Mineiro, Noroeste de Minas, Oeste de Minas e Bom Despacho, na região Central Mineira, devem também apresentar temperaturas acima da média nos próximo trimestre, assim como também o Sul de Minas, com exceção, nessa última, das microrregiões de Andrelândia, São Lourenço e Itajubá, nas quais as temperatura devem ocorrer dentro da média do período. Na região litorânea do país, desde o Amapá até a região Metropolitana de Recife, são esperadas temperaturas acima da média do trimestre. 

A umidade do solo em Minas Gerais

Com relação ao percentual de umidade no solo, pode ser observado, na Figura 3, a ausência de chuvas na última semana, quase todo o estado apresenta condição limitada e insuficiente de água para o cultivo em geral, sendo o Triângulo Mineiro, a Zona da Mata e a microrregião de Passos e São Sebastião do Paraíso, no Sul de Minas, aquelas ainda com condições adequadas as plantas.


Figura 3 - Percentual de umidade no solo em Minas Gerais. Elaborado pela USDA Foreign Agricultural Service, com base nos dados da Organização Meteorológica Mundial

A chuva nas próximas semanas

Nas próximas duas semanas, é esperado que persista a secura na maior parte do Brasil, com chuvas ocorrendo principalmente no Rio Grande do Sul e Sul de Santa Catarina, no litoral de Pernambuco e Alagoas, em Anajás e Chaves, na Ilha do Marajó, e no litoral do Nordeste do Pará, no Sul do Amapá e no Norte e Sudoeste do Amazonas. 

Café

Considerando a possibilidade do prolongamento do atual período seco e o atraso no início da estação chuvosa, a prática da poda pode favorecer as plantas. Caso o produtor entenda ser necessária, devido as condições de sua lavoura, deve ser realizada o mais breve possível, principalmente devido a desfolha que a ferrugem vem causando em algumas lavouras ao longo da região cafeeira, bem como a proximidade do término da colheita e final do inverno.

Ainda devido a permanência do tempo seco, o produtor deve também estar atento a possibilidade de infestação da broca. Nessa condição, é recomendado que seja feito o repasse dos grãos (catação dos grão no chão) visando o controle dessa praga. Tal ação,diante da situação atual do mercado também contribui para o aumento da renda da propriedade.

Na atualidade, em que há escassez de chuvas, práticas conservacionistas como o uso de terraços, de caixas de contenção de água, da roçagem e da produção de matéria orgânica, podem contribuir para a maior retenção de água no solo, favorecendo a lavoura no todo, principalmente o desenvolvimento da cultura.

Prognóstico

As análises e os prognósticos climáticos aqui apresentados foram elaborados com base nas estatísticas e nos históricos da ocorrência de fenômenos climáticos globais, principalmente daqueles atuantes na América do Sul. Considerou-se, também, as informações disponibilizadas livremente pelo NOAA; pelo Instituto Internacional de Pesquisas sobre Clima e Sociedade — IRI; pelo Met Office Hadley Centre; pelo Centro Europeu de Previsão de Tempo de Médio Prazo — ECMWF; pelo Boletim Climático da Amazônia elaborado pela Divisão de Meteorologia (Divmet) do Sistema de Proteção da 

Amazônia (Sipam) e com base nos dados climáticos disponibilizados pelo INMET. (5º Disme) / CPTEC-Inpe. O prognóstico climático faz referência a fenômenos da natureza que apresentam características caóticas e são passíveis de mudanças drásticas. Desta forma, a EPAMIG e a Embrapa Café não se responsabilizam por qualquer dano ou prejuízo que o leitor possa sofrer, ou vir a causar a terceiros, pelo uso indevido das informações contidas no texto. Portanto, é de total responsabilidade do leitor o uso das informações aqui disponibilizadas.

*Williams Ferreira é pesquisador da Embrapa Café/Epamig Sudeste na área de Agrometeorologia e Climatologia. Atua principalmente em pesquisas voltadas para o tema Mudanças Climáticas Globais e cafeicultura - williams.ferreira@embrapa.br

*Marcelo Ribeiro é pesquisador da Epamig na área de Fitotecnia. Atua em pesquisas com a cultura do café - mribeiro@epamig.br

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