Da retórica a ação: o mundo real não espera

"Por mais que o governo federal seja alertado que a atual configuração da assimetria do mercado de café exige uma clara intervenção governamental, ajustando a oferta de curto prazo contra uma demanda dispersa, a reação de Brasília simplesmente não acontece". Por Francisco Ourique, superintendente da Cooparaíso.

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Por Francisco Ourique, superintendente da Cooparaíso

Enquanto a política cafeeira brasileira para a safra 2013/14 permanece perdida entre um e outro gabinete de Brasília - quem diria um governo dito de origem popular - os 220 mil cafeicultores brasileiros, sem contar os 4 milhões de trabalhadores da cidade e do campo que dependem da atividade, começam a perder a paciência.

Nesta segunda-feira (01/07) em Manhuaçu produtores de café colocaram fogo em algumas sacas bloqueando estradas. Na cidade de Três Pontas outra manifestação está marcado para quinta-feira.

Pelo lado do macro, a receita cambial brasileira com exportações de café jogou fora U$ 2 bilhões no ano passado e vai jogar outros U$ 2 bilhões no corrente ano por pura e simples paralisia do governo federal com política cafeeira. Na verdade, essa perda de receita virou margem adicional da indústria mundial de café.

Evidentemente, não deve haver ninguém no planeta com algum grau de inteligência que possa chamar alocação de crédito rural como uma política, quando muito, linha de crédito, que algum dia deve ser paga, é uma ferramenta para algum propósito.

Até o momento, o fluxo de caixa do produtor rural brasileiro com a colheita da safra de 2013/14 está negativo em alguns bilhões, levando nossos produtores a procurarem no mercado quem queira comprar café na busca de recursos para saldar suas despesas correntes.

Por mais que o governo federal seja alertado que a atual configuração da assimetria do mercado de café exige uma clara intervenção governamental, ajustando a oferta de curto prazo contra uma demanda dispersa - devemos lembrar sempre que café é produto não perecível, permitindo aos agentes de mercado adiarem suas decisões de compra sempre que o mercado fica frouxo - a reação de Brasília simplesmente não acontece.

O governo federal brasileiro, cuja agenda vai se complicando na medida em que ele próprio deixa as conjunturas setoriais se deteriorarem, por falta de ação a tempo e hora, está, a bem da verdade, perdido no que diz respeito a política cafeeira.

Sendo o Brasil o principal país exportador do produto, responsável por mais de 25% do volume mundial, e consumidor de outras vinte milhões de sacas, além do café ser o maior segmento empregador de mão-de-obra do país, nossos governantes têm a responsabilidade e o dever de ter o setor em suas agendas de prioridade. Esse não parece ser o caso atual.

Entre debates em torno de um programa de equalização de preço – Pepro – demandas por leilões de venda ao governo federal, o certo que o governo não tem uma estratégia clara para o setor cafeeiro.

Ele está reagindo, ou administrando, a pressões isoladas e não consegue formar uma política.

Enquanto isso, milhões de pessoas no Brasil estão no sufoco, e outras milhares no exterior simplesmente acham que o gigante adormeceu.

As informações são do Coffee Break.
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