Segundo dados da OIC, os preços dos cafés naturais brasileiros aumentaram 107% em Dólares de Setembro de 2003 a Setembro de 2007. Entretanto, o equivalente de preços em Real aumentou apenas 36%, o que representou um ganho real de menos de 15% descontando-se a inflação. No mesmo período, os preços de referência da OIC para o Robusta aumentaram 148% em Dólares e 63% em Reais; com a correção da inflação, os preços aumentaram 40% para os produtores.


O Real forte está reduzindo os ganhos dos cafeicultores brasileiros, que estão se tornando menos competitivos em relação a produtores de outras origens. Mas, ao contrário das expectativas, a área cultivada com café no Brasil não está diminuindo da maneira como seria previsível. A explicação para este fato é a grande demanda do mercado interno. No mesmo período mencionado acima, o consumo doméstico passou de 13,5 para 17 milhões de sacas de 60 kg/ano. Hoje, praticamente 100% de toda a produção brasileira de Robusta (Conilon) é comercializada internamente, de 3 a 4 milhões de sacas para a indústria de solúvel e o restante para os torrefadores, que também compram cerca de 30% da produção de Arábica para fazer os blends oferecidos ao mercado brasileiro.
Com uma demanda interna tão grande, não é surpresa que os Conilons sejam vendidos no mercado local a preços superiores àqueles que poderiam ser obtidos com sua exportação. O mesmo pode ser dito de alguns tipos de Arábica comprados pelos torrefadores brasileiros. Se não fosse pela pujança de nosso mercado interno, os brasileiros, especialmente os que produzem Arábica, poderiam estar com problemas ainda maiores e a área plantada poderia estar diminuindo bastante como resultado do Real forte. Ao invés disso, os preços e custos de café que prevalecem no Brasil hoje apontam para um cenário onde o crescimento da área de Robusta irá continuar até que os preços no mercado interno estejam alinhados com os preços internacionais.
