As possíveis soluções - profissionais - para o problema "Produzir café arábica com lucro estabelecido"

A criação e o estabelecimento de uma política agrícola específica e sustentável, deverá ser conquistada em conseqüência a fatos e fatores e não como imposição de uma categoria ou classe produtiva. O segmento produtivo cafeeiro apenas obterá êxito neste pleito, junto ao governo, no momento em que conscientizar a sociedade de que real e efetivamente o governo federal estaria utilizando de ações impróprias e indevidas em detrimento ao mesmo, provocando assim deliberada e conseqüentemente a retração do agronegócio, com todos os efeitos negativos decorrentes, tais como: redução na contratação de mão de obra, efeitos negativos de crescimento no comércio, etc.

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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Tenho lido e ouvido, há anos, sobre sustentabilidade e a alta eficiência dos produtores de café arábica. Discordo totalmente de ambas as declarações. Sustentabilidade, certamente ocorre em poucas fazendas e jamais no sentido de retratar o cenário da cafeicultura. Conseguiram banalizar totalmente o significado desta palavra, por falsas definições.

Estamos falando, é claro, de café arábica, pois sustentabilidade no café robusta certamente existe. Uma das consequências da sustentabilidade é o lucro. Sem lucro não existe sustentabilidade e isto é elementar. Da mesma forma que é elementar o fato do produtor de café arábica estar produzindo, em média, com custo superior ao preço de venda.

Sobre a eficiência, deveremos considerar fundamentalmente que esta precisa do componente "lucratividade". Então, de forma genérica, alguém poderia dizer que existe, atualmente, lucratividade na atividade em questão considerando o universo de produtores? Até mesmo, se alguns desejarem desvincular a eficiência produtiva da lucratividade, o que seria suicídio financeiro, não existiria eficiência e para isto seria necessário apenas compararmos as eficiências produtivas dos cafés robustas no estado do Espírito Santo. Vejam como é fácil citar fatos e exemplos que jogam por água abaixo o "mito" em que acreditam.

Os produtores de café arábica precisarão tomar uma posição firme, radical e urgente, em reverter este atual cenário, caso contrário, sentirão os efeitos trágicos do fim da era tradicional que vivem, onde a maioria dará lugar a uma minoria de empresários com visão extremamente gerencial e não apenas tecnológica. O que importará a estes será o aspecto lucratividade; tecnologia só fará sentido se agregar valores de lucro, o que nem sempre acontece.

Para esta posição firme e radical, será necessário:

1) Obter consistentemente o custo de produção regionalizado, considerando produtividades diversas. Esta consistência deverá se caracterizar por custos planejados eficientemente e preferencialmente com o aval científico de uma Universidade Federal - sendo este um procedimento plenamente possível, ou até mesmo usual em temas polêmicos - eliminando assim dúvidas sobre questionamentos descabidos no sentido de desacreditar valores reais e cuja aceitação implicaria necessariamente em revisão de posturas e criação de política agrícola específica à atividade, pelo governo federal.

Este custo deverá ser amplamente divulgado, após o qual a linha de produção deverá fazer valer seus investimentos no "sistema" de apoio à classe por meio de cooperativas e sindicatos no sentido de mobilizar os políticos, para assim sensibilizar o governo a aceitar os custos obtidos. Será este o momento, oportunamente correto, para jogar com todas as armas políticas no sentido de obter resultados.

A criação e o estabelecimento de uma política agrícola específica e sustentável, deverá ser conquistada em conseqüência a fatos e fatores e não como imposição de uma categoria ou classe produtiva. O segmento produtivo cafeeiro apenas obterá êxito neste pleito, junto ao governo, no momento em que conscientizar a sociedade de que real e efetivamente o governo federal estaria utilizando de ações impróprias e indevidas em detrimento ao mesmo, provocando assim deliberada e conseqüentemente a retração do agronegócio, com todos os efeitos negativos decorrentes, tais como: redução na contratação de mão de obra, efeitos negativos de crescimento no comércio, etc.

Deverão, ao ler este artigo, dar uma pausa importante, neste momento, e refletirem sobre uma questão: "Estariam, as lideranças de classe e políticos, interessados em provocar uma solução destas, sabendo que após a criação de uma política agrícola mais justa e duradoura muitos perderão suas funções, poderes, prestígios, vaidades, cargos e salários?

Se a resposta a esta questão, comprovadamente justificada, for no sentido de que todos desejam as soluções no sentido de atender a toda a classe produtiva, então porque até hoje não foram tomadas as medidas corretas, de forma concreta e em tempo?

Importante observar que sem custos consistentes, amplamente aceitos e divulgados não existe possibilidade de cogitar sobre uma política agrícola específica. Este procedimento será fundamental, em todos os aspectos, sob o ponto de vista de solução em massa, considerando o forte endividamento e descapitalização do segmento produtivo.

Esta dissertação foi no sentido apenas de apresentar a primeira das soluções, que contemplaria a toda a classe produtiva, porém sua implantação estaria condicionada aos interesses das lideranças e assim, ficaria a incógnita sobre sua eficiência e eficácia. Na minha opinião, acredito que as lideranças apenas fariam algo neste sentido se efetivamente sentirem pressão forte para isto, ou seja, se sentirem ameaçadas de perderem seus empregos, cargos e principalmente os prestígios que tanto lhes massageiam o ego.

Em breve, falarei sobre outras soluções, com características essencialmente profissionais, que provocam resultados financeiros de lucro e certamente poderão fornecer elementos para a independência dos "sistemas de apoio" ao se fazer o correto, que seria o sistema ser dependente dos produtores. Aí sim, se isto ocorrer, produtores poderão crescer sem amarras; deixarão de ser teleguiados.
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Material escrito por:

Jose Eduardo Reis Leão Teixeira

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