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Agricultura e o coronavírus

ESPAÇO ABERTO

EM 29/05/2020

2 MIN DE LEITURA

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Por Antonio Roque Dechen*

Vivemos um momento histórico. A novidade é a Pandemia causada pelo novo coronavírus, preocupação geral de todos os segmentos da sociedade. O receio e o medo levaram a população à reclusão, a proteger-se por máscaras e ao distanciamento social, inclusive dos amigos, à adoção de novos procedimentos de compras online e todo o cuidado no pós-recebimento com a limpeza e a desinfecção com álcool em gel, este estrategicamente distribuído em todos os pontos da casa.

Os comerciantes estão genuinamente preocupados, pois com o comércio e shoppings em sua maioria fechados, restaurantes e lojas funcionando com o sistema de entregas, observa-se uma grande mudança no nosso dia-a-dia.

Muitos de nós talvez não tenha se preocupado com esse nosso cotidiano, pois nos alimentamos normalmente neste período atípico, com as compras nos supermercados, açougues e farmácias online; aliás, estamos com saudades dos supermercados e shoppings!

Assimilamos o uso do álcool em gel e da água sanitária na limpeza das frutas e legumes; enfim, mudamos nossos hábitos, mas, com raríssimas exceções, deixamos de encontrar nossos produtos agrícolas preferidos.

O pesquisador da Embrapa, Mário Alves Seixas, na publicação Diálogos Estratégicos, destaca que, a contínua disseminação do coronavírus na China, se estenderá além do segundo trimestre de 2020. No agronegócio chinês, os impactos negativos foram consideráveis, tanto para os setores de grãos e óleos comestíveis, como para o de carnes (consumo e distribuição), em consequência de cidades inteiras afetadas pelo vírus. No Brasil ainda não estamos tendo bloqueios, mas estamos sendo afetados pelas restrições de mobilidade da população devido ao isolamento, ressaltando que a saída para a crise econômica é o ogro, pois o ogro não para nunca!

A grande inserção do agronegócio brasileiro no cenário mundial e as exigências de controles sanitários dos produtos agrícolas fez com que as grandes cadeias e as cooperativas se ajustassem às exigências internacionais quanto aos aspectos de qualidade e sanidade dos produtos.

Esta pandemia trouxe-nos à memória, a do café nos anos setenta, quando do aparecimento da ferrugem, que num primeiro momento, pareceu decretar o fim da cafeicultura brasileira. Mas, na época, o ilustre pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), Dr. Alcides Carvalho, já tinha as variedades resistentes, pois com sua experiência na cultura do café, sabia que a ferrugem, mais cedo ou mais tarde, chegaria ao Brasil.

Assim, mandava as sementes das variedades de café por ele desenvolvidas no IAC para seus parceiros de pesquisa em Portugal, que as testavam nas colônias de Portugal na África e o informavam quais eram as resistentes à ferrugem. E estas, ele já as multiplicava! Essa atitude evitou uma grande quebra da cultura do café no Brasil. Hoje, além das instituições de pesquisa, as empresas agrícolas têm programas contínuos para a obtenção de variedades resistentes a pragas e moléstias.

Parabéns aos profissionais das áreas de ciências agrárias, florestais e de alimentos, por contribuírem para a estabilidade social e econômica do país pela produção de alimento e energia, que são o esteio da sustentabilidade social e econômica de qualquer nação.

Relembrando a memorável frase do Dr. Norman Borlaug, Nobel da Paz de 1970: “Não se constrói a paz em estômagos vazios”, registramos nosso reconhecimento aos engenheiros agrônomos, agricultores e empresas agrícolas que, pela participação na produção de alimentos, garantem essa sustentabilidade e a paz no Brasil.

*Antonio Roque Dechen, membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Professor Titular do Departamento de Ciência do Solo da ESALQ/USP, Presidente da Fundação Agrisus e Membro da Federação Brasileira de Plantio Direto e Irrigação (FEBRAPDP)

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