A agricultura e o Código Florestal
Formada por milhares de normas e decretos que modificam e mutilam o Código Florestal Brasileiro, a legislação ambiental e florestal tornou-se um pesadelo para milhões de agricultores. A barafunda de dispositivos afeta desde os assentados pela reforma agrária até os grandes empreendimentos da agricultura e da pecuária, vitais para o abastecimento da população, para as exportações e para a indústria. O objetivo central do novo Código Florestal é deixar o agricultor trabalhar em paz e em harmonia com o meio ambiente. O Brasil precisa muito disso.
Publicado em: - 4 minutos de leitura
Nem o assentado nem o grande produtor agrícola conseguem cumprir as determinações do Código Florestal, uma boa lei que virou um labirinto normativo. Como exemplos absurdos, quase toda a produção de banana do Vale do Ribeira/SP viola as leis ambientais vigentes, assim como todo o gado do Pantanal, que come apenas capim nativo e não provocou desmatamento, está classificado como agressor do bioma. Há, portanto, algo muito errado com a lei.
A agricultura brasileira está numa encruzilhada: é competitiva internacionalmente, mas vive à mercê de normas e decretos que não se enquadram na realidade nacional, embora expedidos sob o manto do Código Florestal. A maioria desses dispositivos não tem razoabilidade alguma, mesmo considerando que o Brasil precisa ter atividades agropecuárias ambientalmente sustentáveis.
O pequeno agricultor é o mais vulnerável à legislação. A agricultura familiar cumpre função social relevante - fixação do homem no campo e provimento local de alimentos de subsistência, entre outros aspectos-, mesmo sem ser economicamente significativa. Principalmente no Nordeste, é semicapitalista ou pré-capitalista e não usa tecnologia intensiva. Mas tem outros valores fundamentais: quem vive ali fez uma clara opção existencial e espiritual, que surgiu ainda nas origens deste país, há 510 anos. Não tem sentido expulsá-lo de sua terra.
Por sua vez, o grande produtor agrícola usa intensivamente o capital, a tecnologia e a infraestrutura viária e portuária. Tornou-se responsável pelo êxito do Brasil na oferta mundial de alimentos, fazendo os preços internacionais se tornarem menos proibitivos, até para os países mais pobres. Mas é acossado pelos falsos ecologistas. A pergunta é: a quem interessa agravar essa agricultura altamente competitiva, por meio da contenção a qualquer custo da fronteira agrícola?
Os fatos respondem muito bem a essa questão. Com pouco mais de 30 mil habitantes, a cidade de Colíder, em Mato Grosso, é capaz de atrair 500 ONGs, muitas delas financiadas por produtores estrangeiros de grãos, concorrentes dos brasileiros, para obstruir a rodovia Cuiabá-Santarém. Simplesmente para impedir o transporte de grãos. A articulação ambientalista, em muitos casos, é só a face lamentável de práticas comerciais pouco recomendáveis, a serviço de interesses externos.
A Comissão Especial de Reforma do Código Florestal Brasileiro, da qual sou relator, deteve-se demoradamente no exame dessas questões. Em mais de 60 audiências públicas, foram ouvidas quase 400 pessoas.
Alguns depoimentos foram mesmo comoventes. Mas não foi isso que guiou os membros da comissão. Percebemos que o emaranhado normativo que envolve o velho Código Florestal inviabiliza atividades vitais para o Brasil: alimentação da população, controle dos preços internos de alimentos, geração de milhões de empregos e criação de renda de cerca de R$ 850 bilhões, considerando o PIB agrícola e das demais áreas interligadas.
A agricultura é basilar para os setores secundário (indústria) e terciário (comércio) e deve ser vista como uma das prioridades nacionais. E apresenta como saudável característica a rapidez com que reage a preços e a mercados. Ajudou o País a sentir menos os efeitos da crise internacional e deu celeridade à saída da turbulência financeira, ainda que também tenha sido afetada com a depressão dos preços. Mas está aí, de novo liderando nossas exportações de mercadorias não industrializadas ou semi-industrializadas.
Ao me debruçar na análise dos 11 projetos que tratam das modificações do Código Florestal, ponderei todas essas questões. É vital manter a competitividade da agricultura nacional sem ofender os pressupostos da sustentabilidade ambiental. O meio ambiente precisa ser protegido, mas sem o exagero e sem as paranoias que desfiguraram essa boa lei.
O código editado durante o governo militar foi concebido por pessoas de elevada capacidade jurídica e intelectual, entre as quais o desembargador Osny Duarte Pereira. Ele era um estudioso das questões nacionais e relatou minuciosamente as preocupações com as florestas desde o tempo do Brasil colônia até o que havia de contemporâneo nas leis florestais de vários países.
Malgrado o arsenal crítico contra as origens dessa legislação, o código está apoiado na melhor tradição jurídica nacional, inclusive do patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada, que criou o conceito de reserva legal - um sexto das propriedades destinado à preservação de florestas.
A lei oferecerá aos Estados, respeitada a norma geral, a possibilidade de acomodar a reserva legal no âmbito da propriedade, nas bacias hidrográficas e nos biomas, mantendo a essência da proteção ao meio ambiente sem o desnecessário sacrifício de áreas aptas para a agricultura e o pastoreio. O recurso à reserva legal coletiva combinará a dupla proteção: a do meio ambiente e a do esforço pelo desenvolvimento e pela produção.
Em todos os casos será possível enfrentar a ilegalidade de boa parte da atividade agrícola e da pecuária em razão das restrições impostas, com um mínimo de criatividade, que permita aos Estados, dentro das exigências atuais, preservar os porcentuais mínimos de cada bioma, adaptando-se às condições locais, ao modelo de ocupação do território e à estrutura da propriedade da terra.
O objetivo central do novo Código Florestal é deixar o agricultor trabalhar em paz e em harmonia com o meio ambiente. O Brasil precisa muito disso.
O artigo foi publicado no jornal O Estado de São Paulo, adaptado pela Equipe AgriPoint.
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Material escrito por:
Aldo Rebelo
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LAGOA DA PRATA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 09/07/2010
vamos ficar firmes desta vez e não dar chances ao azar. precisamos continuar cobrando.
olha a eleição aí. cada um em seu estado precisa ficar atento para votarmos em representantes para nossa categoria. nada de gracinha dando voto a papagaio. peça desculpa a parentada e vamos votar nos nossos deputados e senadores que estiverem em melhores condições de ser eleito.
é voto na urna e olho no telão, da votação. é claro.

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 05/07/2010
Impressiona o alto grau de realismo das suas palavras que mostram tambem uma notavel sensibilidade com os milhares de produtores, que estão na marginalidade,não pelo codigo florestal , mas pelas normas e resoluções, editadas à sua sombra,em clara usurpação da atividade legislativa.
Sob o titulo de regulamentação,normas e resoluções, ampliaram,modificaram e ao fim desvirtuaram um codigo florestal que era bom.
Jamais pensei que precisaria de um comunista de escol para defender os meus direitos de propridade.
parabens, senhor Aldo Rebelo, a historia é feita de homens da sua estirpe.
Atenciosamente

CACONDE - SÃO PAULO - DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS (CARNES, LÁCTEOS, CAFÉ)
EM 24/06/2010

CACONDE - SÃO PAULO - DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS (CARNES, LÁCTEOS, CAFÉ)
EM 24/06/2010

BOA VISTA - DISTRITO FEDERAL
EM 24/06/2010

IPATINGA - MINAS GERAIS
EM 17/06/2010
Que Deus permita aos homens de bom senso, encontrarem um denominador comum, entre o progresso e a conservação de todas as espécies, principalmente A Humana. E que o novo código florestal possa também contemplar a FLORA MARINHA, PARA QUE POSSAM DAR MAIS VALOR AO COMBUSTIVEL DE FONTE RENOVÁVEL, haja vista ao alvoroço do pré-sal e as conseqüências advindas das explosões de plataformas marítimas.....
Leitor assíduo...

GARÇA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 15/06/2010

SANTARÉM - PARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 15/06/2010

DONA EMMA - SANTA CATARINA - ESTUDANTE
EM 14/06/2010
1) Se os produtores devem retirar até 80% de suas propriedades para preservação que será utilizado para o bem coletivo, de todos nós, inclusive das pessoas que estão nas áreas urbanas e dos proprios integrantes destas ONG se eles também vão doar os mesmos percentuais, isto é, 80% do apartamento, do belissimo jardim, da sua área de festa, do playground dos seus filhos?
2) Também vão deixar de comer as deliciosas pizzas assadas em fornos a lenha nos sábados a noite? E aquele gostosos churrasco, aquela suculenta picanha na brasa de madeira? Não vale dizer que floresta plantada para fins comerciais pode ser utilizada para tais fins por que esta floresta faz o mesmo processo biologico, de diminuição do aquecimento, que as floresta nativas.
3) Como explicar que estas florestas nos fornecem o oxigênio necessário para a vida sendo que elas mesmas também necessitam do oxigênio para viverem? Todos nós sabemos que todo o oxigênio que as plantas produzem durante o dia ela consome a noite. Então dizer que a floresta Amazonica é o pulmão do mundo é facilmente desmentido pelo próprio processo biologico da própria floresta.
Portanto gente, vamos abrir nossos olhos pois estas ONGS já estão com os delas aregalados sobre nossas terras pois sabem que delas nasce, cresce e alimenta o mundo todo. Comida prescisamos dela 3 vezes ao dia.
"NOS DEIXEM TRABALHAREM EM PAZ POIS NOS JÁ ALIMENTAMOS E ALIMENTAREMOS MUITAS VIDAS NESTE MUNDO E, INCLUSIVE, OS SEUS AMBIENTALISTAS"
Abraços

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 14/06/2010
Parabens pelo artigo e principalmente por sua atuação como Relator vda Comissão Especial de Reforma do Código Florestal Brasileiro.
Discutimos bastante na Associação dos Produtores de Leite do Estado de São Paulo - Leite São Paulo a necessidade de reforma desse código.
Vim a esse Espaço Aberto por três vezes para falar sobre a reforma do Código Florestal brasileiro:
Stephanes x Minc: reforma do código florestal, publicado em 28/01/2009;
Reforma do Código Florestal: desencontros, publicado em 03/04/2009;
Rrodutor rural: vilão ou herói?, publicado em 04/06/2009.
O trabalho e as considerações de V. Excia. foram de muita coragem e lucidez. Não são só os produtores rurais que tem que agradecer a V. Excia, mas toda a sociedade brasileira, pois era preciso uma proposta de reforma do Código Florestal pautada por considerações técnicas e bom senso, que contemplasse um equilibrio entre as necessidades de desenvolvimento econômico, produção de alimentos e preservação do meio ambiente, e não por razões emocionais desprovidas de fundamento técnico e bom senso defendido por alguns poucos que se intitulam ambientalistas e se consideram os únicos defensores do planeta, e que queriam no "grito" manter o código original sem nenhuma modificação.
Esperemos que possamos ter em breve um Código Florestal reformado, onde algus ajustes possam ser, feitos mas sem distorcer o equilibrio e a racionalidade do que foi proposto.
E essa aprovação seja breve, para que todos possam trabalhar e seguir as recomendações nele contidas, contribuindo para a preservação do meio ambiente mas assegurando a geração de renda, trabalho e alimento para a população, essenciais para a preservação da raça humana.
Grande abraço.
Marcello de Moura campos Filho
Presidente da Leite São Paulo

CAJOBI - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 13/06/2010
Quando saberemos se esta revisao neste codigo florestal sera aprovada ou nao ?
PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE
EM 10/06/2010
Realmente da forma atual do Código seria um autoflagelamento ao Brasil ter que impor aos estados do sudeste que suas áreas produtivas que respondem pelo PIB do Brasil, emprego, e tudo mais ter que reduzirem suas áreas produtivas a pretexto de um desenvolvimento sustentável.
Sem sombra de dúvida que esta ONGS ambientalistas trabalham para agentes externos que lutam para que o Brasil não se desenvolva e venha ameaço-los. É uma pena que nós brasileiros não arrumamos tempo a fim de nos organizarmos e lutarmos com mais eficiencia contra estas ONGS mal intencionadas sobretudo mostrar para a sociedade que os agricultores não é criminoso que precisa de polícia ambiental para vigia-lo.
É hora de mostrar apoio aos nossos legisladores que compuseram a nova proposta do Código Florestal para que a mesma possa ser votada, caso contrário a mesma pode sofrer alterações prejudiciais ao desenvolvimento do Brasil.

FRUTAL - MINAS GERAIS - ESTUDANTE
EM 10/06/2010
Esse é um ponto importante da legislação ambiental que precisa ser modificado e adaptado as diferentes regiões de nosso país; o pequeno produtor não pode trabalhar a terra.
O Brasil, "Celeiro do Mundo", corre risco de ficar a mercê desta legislação e das ONGs que não tem nada de ambientalistas e sim de interesses escusos do comércio internacional.

UMUARAMA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 09/06/2010
Estas áreas assim permanecem até hoje, seja a grande ou a pequena propriedade, como o solo é argiloso não existe erosão, as terras são férteis e produtivas até hoje.
Os municípios do Norte pioneiro, estão mal financeiramente devido à secas, preços agrícolas defasados, a situação piora a cada ano e não se ve uma saida. Muitos proprietários proprietários de 100, 200ha estão sem condições de pagar o supermercado. Como estas pessoas vão destacar de suas áreas as APP e os 20% de reserva legal, com todos os onus que o Nobre Deputado Rebello soube muito bem descrever.
Quando se escuta o Sarney (o do meio ambiente) falando de meio ambiente nota-se que o cara nunca produziu um ovo na vida, ou algo equivalente. Lembram-se quando o seu pai (o senador), sequestrou boi no pasto? Esta é a formação que este povo tem.
Algumas perguntas que niguem responde:
Porque no Nordeste Brasileiro não tem Ong? Porque na China não tem Ong? Porque a Ong Survival não despeja esterco em frente o portão da Rainha da Inglaterra? O Reino Unido praticamente não tem mais florestas.
CAMBUQUIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 09/06/2010
É isso que esperávamos do nobre deputado federal. Pautado pela razão e não pela emoção, com raciocínio lógico, ouvindo a todos, e tirando os extremistas.
O Brasil, não pode e não deve ficar a mercê de ONGs com interesses economicos escusos, e está sendo racional. Aliás muito mais do que o restante do mundo, sobretudo dos países de onde originam. Desconheço alguma país do mundo que tenha reservas florestais como o nosso, e que tenha tantos parques florestais com a dimensão e a diversidade que temos. A ação da Senadora Katia Abreu, de junto com a EMBRAPA, criar áreas modêlos em cada bioma, muito nos ajudará a ser o país mais conservacionista, e também com uma agricultura e pecuária sustentavel economicamente. Não existe preservação ambiental e social, sem preservação economica. Agora em outro passo, vamos ver como receberemos pela áreas preservadas, evidentemente que estamos competindo com produtores no mundo que não as tem, portanto necessário receber pelas áreas que não estão sendo utilizadas no ambito produtivo.

CACOAL - RONDÔNIA - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE
EM 09/06/2010

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS
EM 09/06/2010
PqC Lourenço - aposentado

RIBEIRÃO PRETO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS
EM 08/06/2010
PELOTAS - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE
EM 08/06/2010
Havia tempo que a grande maioria dos técnicos, produtores e boa parte da sociedade civil desejavam encontrar algo que demonstrasse equilíbrio, coerência, bom senso e independência na formulação da legislação ambiental brasileira.
Seus argumentos estão colocados com uma lógica e uma clareza que empolgam a todos realmente comprometidos com o desenvolvimento saudável deste país. É um momento de júbilo encontrar neste texto tão precisos arrazoados. Tomara que seus pares da Comissão Especial de Reforma do Código Florestal estejam imbuídos por este espírito moderno, patriótico e especialmente humano que nos é apresentado neste excelente artigo.
Espero que a nova lei alcance seus propósitos e ofereça ao universo dos produtores rurais do Brasil, a oportunidade de sentir-se honrado e orgulhoso com o desafio e o compromisso de produzir, legal e de forma sustentável, alimentos para um mundo que cresce e tem fome.
Eng. Agr. José Luiz Martins Costa Kessler

DONA EMMA - SANTA CATARINA - ESTUDANTE
EM 08/06/2010