Um passo de cada vez
Bruno Miranda segue o debate proposto em seu último artigo, chamando a atenção para uma realidade que dificulta a propagação dos 'melhores exemplos' na cafeicultura: para milhares de produtores, falta ainda o básico em termos de gestão.
Publicado em: - 3 minutos de leitura
É provável que nunca descubra se aqueles cafeicultores visitados seguiram o conselho ou não. Trata-se de um detalhe menor; o exemplo que fica desta experiência é o que aqui nos interessa. Meu último artigo publicado no CaféPoint, ao convidar você, prezado(a) leitor(a), a pensar sobre a recorrência com que a palavra “governo” é usada nas queixas dos produtores, acabou por gerar interessantes contribuições na seção reservada para os comentários. Aprendi muito lendo cada depoimento, e interagindo por meio do site. E, como não podia deixar de ser, pensei muito nas últimas semanas sobre a questão.
Evidentemente, há uma série de fatores pressionando a cafeicultura. Trata-se de um processo histórico, e que tende a se manter, determinando quem ficará no mercado e quem deverá buscar outra atividade. Em outro momento já falei sobre o tema nessa mesma coluna, em artigo escrito em parceria com a professora Sylvia Saes: os médios produtores enfrentarão dificuldades crescentes. Espremidos entre a escala dos grandes e a estrutura de custos mais enxuta dos pequenos, será preciso muita imaginação e a capacidade de sempre adotar as melhores práticas para sobreviver ao desafio. Bons exemplos, já existem; é preciso correr atrás deles e seguir a tendência.
Por outro lado, exemplos como o que abre este texto mostram que, para milhares de cafeicultores, as melhores práticas ainda representam uma realidade distante. Não adianta insistirmos com os exemplos de êxito absoluto se, para muitos, a gestão da propriedade ainda é feita no melhor estilo “conta de padaria”. Em outras palavras, se o governo segue tão importante na hora da queixa, é porque muitos não sabem bem o que está errado. Convenhamos: ao estender a mão, não raramente o Estado nos pergunta menos do que nos perguntaria uma empresa privada, e guarda expectativas mais baixas em relação a uma futura retribuição. Tem-se aí uma situação ideal para o círculo vicioso.
A culpa, porém, é compartilhada, e o exemplo dado no primeiro parágrafo serve de ilustração. Enquanto um cafeicultor deixar de aproveitar um bom momento, baseado em uma percepção irrealista do mercado, e assim deixar de privilegiar uma gestão preocupada com a manutenção no longo prazo, teremos falhado todos: produtores, porque poderiam ter buscado mais e melhor informação – ou, quem sabe, sido menos “teimosos” –; governo, porque poderia oferecer ferramentas e programas que contribuíssem de forma mais intensa para a plena emancipação do agricultor brasileiro diante da realidade dos mercados e, claro, acadêmicos, porque talvez não estejamos passando a mensagem direito.
Em resumo, podemos nos equivocar em questões complexas, ou mesmo chocar contra obstáculos de difícil transposição – tais como as barreiras para a exportação de produtos com maior valor agregado em muitos segmentos. É inadmissível, porém, que sigamos tropeçando no básico. Ao desconhecer o próprio negócio, somos levados pela correnteza; esta nos obriga a adaptações drásticas – vide o avanço das relações contratuais na agropecuária e as inúmeras exigências que vêm com esse novo estado de coisas – sem que, necessariamente, os produtores se apropriem da riqueza extra gerada em um mundo mais interligado. Portanto, antes mesmo de pensar nos melhores exemplos, não custa se perguntar: tendo em vista o “feijão com arroz”, qual foi a minha evolução na atividade? A resposta pode ser surpreendente.
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Material escrito por:
Bruno Varella Miranda
Professor Assistente do Insper e Doutor em Economia Aplicada pela Universidade de Missouri
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VARGINHA - MINAS GERAIS
EM 26/09/2013

MANHUAÇU - MINAS GERAIS
EM 04/09/2013
REALMENTE O DEBATE É IMPORTANTÍSSIMO.O MASSACRE COMEÇA COM AS OBRIGAÇOES TRABALHISTAS,AMBIENTAIS,PASSANDO PELA CADEIA ESPECULATIVA,FUNDOS QUE JOGAM O MERCADO P/ONDE INTERESSAM SEM PREOCUPAR COM A CADEIA PRODUTIVA E AINDA TEMOS A QUESTÃO CAMBIAL.
ESTA'ULTIMA SERIA POSITIVA,SE OS ESPECULADORES NAO JOGASSEM AS COTAÇÕES PARA BAIXO TODA VEZ QUE DOLAR SOBE.QUANDO O GOVERNO INTERFERE NO CAMBIO VENDENDO SEUS DOLARES,AS COTAÇÕES NAO VOLTAM AOS NÍVEIS ANTERIORES,VIDE SEMANA PASSADA QUANDO DOLAR BATEU 2,45 BOLSA CEDEU 420 PONTOS,NO OUTRO DIA DOLAR DESPENCOU A 2,35 BOLSA NAO SUBIU NEM 1 PONTO.O MASSACRE CONTINUA COM PREÇOS DE INSUMOS,DOLAR SOBE E COM ELE OS ADUBOS E OS PRODUTOS IMPORTADOS.
ACHO QUE PRODUTOR TEM QUE MUDAR A POLITICA DE VENDA,TRAVANDO ALGUMAS VENDAS PARA ENTREGA FUTURO,TROCANCO MERCADORIAS EM CAFE E OUTROS MECANISMOS DE TRAVA.SAINDO ASSIM DE UMA ''ESTORIA'' QUE UM PRODUTOR ME CONTOU E VOU COMPARTILHAR COM VOCES.
ESSE ME DISSE QUE COMENTANDO COM UM AMIGO ENGENHEIRO CIVIL SOBRE A PRODUÇÃO DE CAFE,O AMIGO LHE DISSE QUE ERA DOIDO DE ESTAR INVESTINDO NO PRODUTO,JA QUE:
QUANDO VC VAI PLANTAR/ADUBAR/COLHER,QUEM COLOCA PREÇO NA MÃO DE OBRA É O TRABALHADOR.
QUANDO VAI COMPRAR INSUMOS/ADUBO,QUEM COLOCA PREÇO É A INDUSTRIA.
E QUANDO PRODUTOR VAI VENDER SEU PRODUTO,QUEM COLOCA PREÇO É O COMPRADOR.
REALMENTE TEM MUITA COISA ERRADA NA CADEIA CAFEEIRA.SOMENTE APAIXONADOS E PESSOAS SEM TER COMO SAIR DA ATIVIDADE PARA CONTINUAR INVESTINDO.
ABRAÇO
MARCELLO BUENO
SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 03/09/2013
Agradeço o comentário. Baseado na sua contribuição, acho que as perguntas iniciais aqui são: por que o setor está sendo "massacrado?" Estamos diante de um fenômeno em que o setor sofre porque o mercado não está funcionando como deveria ou porque não está conseguindo acompanhar as mudanças do mercado? Todo o setor está sendo "massacrado"? Se a resposta for "não", qual é o perfil do produtor que está sendo "massacrado"?
São perguntas polêmicas, e imagino que os dois lados do debate têm bons argumentos. Caso mais leitores queiram dar a sua opinião sobre o tema, fiquem à vontade.
Atenciosamente
Bruno Miranda
SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 03/09/2013
Obrigado pela participação no CaféPoint. Considero fundamental esse diálogo entre todos aqui (particularmente, é a minha parte favorita de escrever esses textos).
Atenciosamente
Bruno Miranda

MANHUAÇU - MINAS GERAIS
EM 03/09/2013
ESPECULADORES,COM CAFE SENDO VENDIDO NO MERCADO INTERNO A US$84,00
OU R$200,00
GOVERNO TEM QUE INTERFERIR QUANDO UM SETOR DA ECONOMIA ESTA SENDO MASSACRADO E TEMOS 8 MILHOES DE PESSOAS SEGUNDO ALGUNS DADOS DEPENDENDO DIRETAMENTE DESSE SETOR.
TERÍAMOS QUE VOLTAR A TER UM MODELO UTILIZADO ANTIGAMENTE,QUE FOI O GATILHO.UM EXEMPLO ERA QUANDO BOLSA DE CAFE ESTA ABAIXO DE 1,20 O GOVERNO COMPRAVA E QUANDO ESTAVA ACIMA DE 1,40 O GOVERNO ERA VENDEDOR.NAO ESTOU AQUI PARA DITAR QUAL O VALOR DE NENHUMA COMMODITIE,MAS TEMOS QUE ACABAR COM ESSA ABERRAÇÃO NOS PREÇOS E EXPLORAÇÃO DOS PRODUTORES DE CAFE.
SDS
MARCELLO BUENO

VARGINHA - MINAS GERAIS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS
EM 02/09/2013
Discordo quando afirma que de forma geral as lavouras estão em bom estado vegetativo. Pelo que tenho observado, pontualmente existem lavouras "vestidas", mas há uma desfolha mto grande, principalmente naquelas que produziram , inclusive safra média. Na minha opinião, a ferrugem pegou mta gente que descuidou das ultimas aplicações com os vários fungicidas disponíveis no mercado.
SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 02/09/2013
Obrigado pelo seu relato. Fica o convite para que volte sempre a este espaço, trazendo críticas, sugestões ou descrições daquilo que está observando.
Atenciosamente
Bruno Miranda

ALFENAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 02/09/2013
SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 31/08/2013
Obrigado pelo comentário. Convido os outros leitores a opinarem sobre a hipótese lançada por você aqui.
Atenciosamente
Bruno Miranda

JACAREZINHO - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 30/08/2013
ESTA SERÁ A REALIDADE DA PRÓXIMA SAFRA BRASILEIRA DE CAFÉ
MOTIVOS: AS LAVOURAS DE CAFÉ ESTÃO UM VERDADEIRO LENHEIRO TOTALMENTE SEM FOLHAS, USO INDEVIDOS DE COLHEITA MECANICAS
FALTA DE REMUNERAÇÃO AO PRODUTOR, OBRIGANDO ELE A TRABALHAR NO PREJÚIZO
SUBIDA ASTRONOMICA NOS CUSTOS DE PRODUÇÃO
MÃO DE OBRA CARÍSSIMA E DIFÍCIL E DE BAIXA QUALIDADE
PRODUTORES CONSEGUINDO RECOLHER NO MÁXIMO 90% DE SUA PRODUÇÃO
COM CERTEZA HAVERÁ UMA INVERSÃO DE CICLO COM BRASIL COLHENDO UMA SAFRA EM TORNO DE 45 MILHÕES DE SACAS DE CAFÉ.
SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 30/08/2013
Muito obrigado pelo comentário. Veja bem, eu não critiquei os produtores de café, nem os culpei por problemas de gestão. O espírito do artigo vai mais no sentido de tentar lembrar que existe enorme heterogeneidade entre os cafeicultores... Há muitos bons exemplos, mas há também um grupo de produtores que somente agora vai conhecendo o básico da gestão da propriedade.
Conforme deixo claro no artigo, a responsabilidade por tal realidade é compartilhada. O objetivo, assim, é que eventuais "retardatários" nesse processo possam ser trazido para o nível dos outros que já estão adotando as melhores práticas.
Finalmente, não acho que o governo não tenha uma política agrícola. O que podemos discutir é se a política atual é adequada ou não, mas eu consigo identificar uma série de traços que, por sinal, tornam o relacionamento entre as iniciativas pública e privada relativamente previsível.
Atenciosamente
Bruno Miranda
SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 30/08/2013
Obrigado pelo comentário. Sou cético em relação a uma política que defina áreas ou limite a produção. Acredito que o mercado desempenha esse papel melhor do que qualquer medida do governo. Caso tenha alguma sugestão sobre como essa política poderia funcionar, porém, convido-o a usar o espaço para compartilhar com todos. Assim, podemos discutir a conveniência de uma política nesse sentido.
Da mesma forma, sempre que tenha críticas ou ideias, o espaço é seu!
Atenciosamente
Bruno Miranda

CABO VERDE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 30/08/2013

BOM SUCESSO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 29/08/2013
Esta estoria de que produtor nao conhece custo e coisa de passado. O QUE O PRODUTOR NAO CONHECE A MUITOS ANOS E LUCRO.