Queremos um plebiscito?
A aclamação de Dilma Rousseff lança o Brasil definitivamente na campanha de sucessão ao presidente Lula. Esse fato ocorre um pouco antes da hora, é verdade, tendo em vista os prazos estipulados pela justiça eleitoral. A regra, porém, nem sempre vale o que deve em nosso país, predominando a lógica da ação prática, voltada aos resultados. O que nos resta é refletir acerca do significado do processo sucessório, e suas consequências para a sociedade brasileira.
Evidentemente, a formalização da candidatura Dilma não acrescenta elementos novos a um processo iniciado há alguns meses. Do lado da situação, todos sabiam que a fiel escudeira de Lula iria à luta, propondo a sequência da administração de seu mentor. Já a oposição, representada especialmente pelo PSDB, segue sem definir um rumo para suas ações. Na verdade, trata-se de um passo desnecessário para a instauração do clima de campanha. Afinal, a proposta de comparação entre mandatos torna o passado uma das principais referências para o eleitor.
Mais especificamente, muito tem se falado, nas últimas semanas, acerca do caráter plebiscitário das eleições de 2010. De acordo com os líderes do PT, o pleito serve para que o eleitor compare as administrações FHC e Lula, optando por aquela que considera melhor. Já a oposição, embora tímida diante da indecisão de sua cúpula, tampouco refuta essa hipótese. O próprio ex-presidente Cardoso argumenta que uma comparação seria salutar, desde que amparada em uma análise imparcial - o que, imagina-se, é tarefa das mais complicadas.
Isso posto, a pergunta que emerge é a seguinte: bastaria para nós, eleitores, a comparação entre os oito anos de FHC e os oito anos de Lula? Ou, em outras palavras, deveria a eleição assumir as características de um plebiscito? A resposta para esses questionamentos, suspeitamos, é um sonoro "não". Motivos para tal opção abundam, conforme discutiremos abaixo.
Em primeiro lugar, comparar é insuficiente pois obscurece uma importante dimensão do cotidiano social de um país, qual seja: o encadeamento entre cada administração. Rupturas fazem parte da vida política, é verdade. O sucesso de um Estado, porém, deriva da continuidade de certos princípios. Por exemplo, se por um lado o governo Lula é aclamado por suas conquistas na esfera social, por outro é evidente que isso só foi possível devido à estabilização econômica empreendida por FHC e à conjuntura externa favorável. Embora muita gente reconheça esse fato, o temor é que a pirotecnia natural de uma campanha preste o desserviço de instaurar um clima de confronto entre dois "Brasis". Nada pior para um país tão apegado a maniqueísmos e soluções messiânicas.
Ademais, a eleição com caráter plebiscitário assume como um dado variáveis que empobrecem sobremaneira a qualidade do jogo político brasileiro. Entre outros fatores, reconhece o PMDB, partido sem ideologia e afundado na falta de ética de seus líderes, como figura indispensável para a governabilidade da República. Aceita, da mesma maneira, ainda que implicitamente, o vale-tudo eleitoral, produtor de mensalões, cassações e outros tristes fatos que demonstram a irresponsabilidade de parcela considerável de nossos representantes.
Por isso, a expectativa é que a campanha eleitoral traga novas ideias, e não a comparação entre projetos antigos. Dito de outra forma, esperamos que os debates referentes à sucessão do presidente Lula olhem verdadeiramente para o futuro, propondo não apenas a manutenção daquilo que foi feito, mas também transformações na forma como a política é feita no Brasil. Tão importante quanto assegurar as conquistas da redemocratização é a busca pelo amadurecimento de nossas instituições. Só assim daremos o salto definitivo que há décadas dizemos merecer.
Material escrito por:
sylvia saes
Professora do Departamento de Administração da USP e coordenadora do Center for Organization Studies (CORS)
Acessar todos os materiaisBruno Varella Miranda
Professor Assistente do Insper e Doutor em Economia Aplicada pela Universidade de Missouri
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VIÇOSA - MINAS GERAIS
EM 08/03/2010
1 -Cada um deles governou em tempos diferentes, enfrentou estrangulamentos diferente e teve seus acertos e erros em função de conjunturas interna e externa distintas e não comparáveis.
2 -Lula e Ferando Henrique não são candidatos.
3 - Os atuais candidatos, mesmo que identificados como os citados anteriormente, terão posturas obrigatoriamente diferentes, de acordo com as suas convicções pessoais, com as equipes formadas e com o panorama atual e futuro do Brasil e do Mundo.
A segundo ideia central do artigo diz que devemos fazer nossa escolha tendo por base as propostas de governo e não as pinimbas do passado. Ótimo! Nesse caso, certamente, vale a pena termos darmos uma olhada bem detalhada nas propostas para o setor primário de nossa economia.

RIBEIRÃO PRETO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 04/03/2010

RESPLENDOR - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 01/03/2010

ANHEMBI - SÃO PAULO - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS
EM 01/03/2010

RANCHARIA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 28/02/2010
O momento é muito delicado, pois perpassa impressão de que o debate será forçado a um desviu fugindo do essencial para o superfluo como estratégia para confundir o eleitor pouco esclerecido.
Os vinte e dois anos do ambiente democrático permitiu avanços importantes mas, ainda não consolidou as reformas necessárias para termos o status de nação livre e soberana, onde o progresso em todos as suas faces, aconteça de forma harmonica. Há um reconhecimento de que os dois últimos governos tiveram maturidade e responsabilidade para responder aos objetivos maiores do desenvolvimento da nação, oxalá o próximo não se deixe contaminar por ideologias que segregue e, que não combinem com o espírito da nação.