Celso Vegro

31/01/2011

Deus é brasileiro?

Aqueles que nesse espaço me acompanham, sabem que este escriba não é dado aos exageros, a não ser os da retórica argumentativa e de suas consequências. A escolha desse título atrai leitores mais curiosos que, ao se deparar com as chatices da economia agrícola, logo partem para outro assunto menos pantanoso, quer pela imprecisão intrínseca ao método de análise empregado nessa ciência, quer pela sua incapacidade de imaginar um futuro plausível para os fenômenos que, por pressuposto, busca elucidar. Portanto, meu leitor ou minha leitora, vá com calma e não exagere.

11/01/2011

A redenção da lavoura

O avanço do conhecimento agronômico sobre as práticas de manejo e preparo do café com qualidade de bebida, incrementaram-se enormemente nos últimos 20 anos. Muitas das inovações geradas tanto pelos centros de pesquisa como pelos próprios cafeicultores (irrigação branca, por exemplo), já alcançaram os principais cinturões produtores, colhendo êxitos em termos de ganhos da produtividade física das lavouras ou, ainda, do trabalho nelas empregado, repercutindo numa mais robusta competitividade para o agronegócio café do Brasil.

22/10/2010

Café brasileiro em Nova Iorque: e o cafeicultor com isso?

O mercado de arábicas finos estabelecido na Bolsa de Nova Iorque, constitui-se no grande formador de preços para todas as demais praças em que se negocia café em âmbito mundial. E o cafeicultor com isso? A abertura dessa possibilidade de entrega de café brasileiro na Bolsa de Nova Iorque confere ao produto do país e, consequentemente, aos seus cafeicultores a possibilidade de virem a participar do mercado de cafés finos.

22/09/2010

O verdadeiro carro chefe das exportações brasileiras

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulgou em 17/09/2010, os resultados da balança comercial brasileira com dados consolidados até agosto de 2010. Até agosto de 2010, as transações envolvendo café verde somaram US$2,84 bilhões representando 2,25% do total da pauta de exportações brasileiras. O que mais surpreende foi constatar que o café se situou acima da indústria automobilística que faturou apenas US$2,80 bilhões e participação relativa de 2,25% no total das exportações.

01/09/2010

Formação de custos na cafeicultura

Os preços são categorias que estruturam e condicionam o funcionamento do sistema econômico. Talvez, situe-se nos preços aquela variável menos considerada nas análises sobre os fenômenos econômicos sejam de caráter macro, meso ou microeconômicos. Dentre as possibilidades alternativas de organização dos fatores de produção (terra, trabalho e capital), a combinação de preços orienta pela seleção daquela de maior eficácia alocativa, ou seja, da maximização do lucro da empresa privada.

12/07/2010

Esqueçam aquilo que escrevi

Howard Schults é um dos magnatas estadunidenses mais invejados no globo. A ascensão exponencial da rede de cafeterias Starbucks, inclusive no Brasil, tornou-se um caso para estudos sobre estratégia empresarial em todas as universidades de economia do mundo. Como escritor conseguiu emplacar seu livro dentre os best-sellers da linha de gestão de negócios e empreendedorismo. No livro, a certa altura, ao comentar a produção e as qualidades do café nos diversos países produtores, Howard sentencia que a origem brasileira jamais entraria na composição dos blends de seu café! Pois chegou o momento de seu arrependimento.

21/06/2010

Nem dependência nem morte

A sociedade brasileira completa 25 anos de democracia plena, sob o mandamento de eleições amplas e sucessão saudável de orientações políticas na condução da Nação. A manifestação da sociedade civil em muitas ocasiões concentra-se apenas na denúncia, mas que não constituem bases para o avanço do conhecimento e suas ações. O aceite da origem brasileira nas negociações dos contratos C na bolsa de Nova Iorque constituiu-se em um assunto que motivou posicionamentos prós e contras. Em razão dessas divergências, faz-se necessária a continuidade das análises sobre essa questão.

14/06/2010

Um pensamento vivo 1

A Revista do Café, em sua edição comemorativa do centenário do Centro do Comércio de Café do Rio de Janeiro, publicou entrevista com o ex-ministro (agricultura e economia), ex-deputado federal e professor emérito da FEA-USP, Dr. Antônio Delfim Netto (abaixo). Percorrendo as quatro páginas que compõem a matéria, nos damos conta da estonteante lucidez com a qual se posiciona o professor. As temáticas abordadas há quase 20 anos atrás continuam pertinentes, pois transitam em torno dos problemas dos quais ainda muito padece a cafeicultura brasileira.

13/05/2010

Reconhecido pelo seu mérito¹

A imprensa especializada em café noticiou o interesse dos administradores da Bolsa de Nova Iorque em aceitar a origem brasileira para as entregas dos Contratos C negociados por aquela praça. Como já é de amplo conhecimento, saudei essa notícia como a mais relevante para a corrente safra brasileira. Ademais, procurei suscitar as lideranças do agronegócio café em se empenhar por constituir imediatamente lobby, para junto à bolsa, fornecer as informações e estudos necessários e, paralelamente, se interpor a qualquer espécie de oposição que a iniciativa possa reunir. Cafeicultores, o mérito é todo de vocês, saúdem-se com retumbantes vivas!!!

22/04/2010

Sob as bênçãos da viúva?

Com certa frequência, o agronegócio, diante de dificuldades objetivas - valorização da taxa de câmbio, os elevados juros, o descompasso de preço dos insumos e do produto final, o alto custo logístico, e as pressões comerciais dos importadores - encontra na renegociação das dívidas a única alternativa para a sua continuidade. Porém, do ponto de vista das políticas públicas deve-se decidir qual aplicação do recurso tem maior retorno social: na renegociação das dívidas ou nos investimentos em logística? Na subvenção ao seguro rural? Na subvenção ao crédito agrícola?

13/01/2010

Políticas públicas e a transparência de mercado

Os cafeicultores brasileiros, especialmente os de arábica, experimentam um já longo ciclo de cotações próximas da insuficiência para cobrir seus custos com a atividade. Diversas comparações entre produtos (óleo diesel, salário mínimo, fertilizantes, etc..) sob períodos mais ou menos elásticos (desde o lançamento do real, na atual década, etc..) confirmam que os preços recebidos pelos cafeicultores foram aqueles que tiveram modesto crescimento. Essa constatação tem mobilizado os lobbies que se concentram na atividade em defesa corporativa de seus representados. Ecos desse movimento alcançam o setor público que, felizmente, não se eximiu em desenvolver políticas de apoio à lavoura cafeeira.

06/10/2009

Um colmatar das expectativas

Ao não relacionar ações mitigadoras do impacto social da exclusão econômica, o relatório "Análise Estrutural da Cafeicultura Brasileira" torna-se um documento de limitada aplicabilidade política. Os cafeicultores situados na franja de exclusão demandam ações públicas que propiciem sua reconversão produtiva, capazes de mantê-los dignamente enquanto produtores rurais, empregando inclusive conceitos como a multifuncionalidade da agricultura, como a preservação da paisagem e produção de água, por exemplo.

04/08/2009

Arquitetos do quebragalho

Padece nesse momento a democracia brasileira e, por conseguinte, toda a sociedade. A estrutura política que alicerça o Estado Nacional bambeia carcomida que está pela desfaçatez com que os donos do poder se acarrapataram ao tesouro público. Os poucos senadores, deputados, governadores, prefeitos, vereadores, juízes, procuradores, fiscais, etc. que guardam ainda alguma integridade na consciência assemelham-se a "santos de bordel" em meio à escandalosa orgia em que o espaço público há muito tempo foi transformado.

08/07/2009

Anamnese do ciclo econômico

Diversos fatores explicativos compõem o rol de causas do ciclo econômico. A tendência progressiva para concentração e centralização do capital (constituição de oligopólios e conglomerados), restringe a possibilidade de formação dos preços sob livre concorrência, desajustando todo o tecido econômico. A experimentação de novas combinações para a satisfação do ímpeto de acumulação também contribui decisivamente para a irrupção das crises.

12/06/2009

O apanágio da inelasticidade

Esgrimir os dogmas pertence ao ofício do autêntico cientista. Discutir, portanto, a legitimidade da condição inelástica da demanda do café é um assunto por excelência, especialmente, por se tratar de uma caríssima premissa para os pseudoconhecedores desse mercado. A contração observada no mercado de trabalho em escala sem precedente traduzir-se-á em um encolhimento monumental da renda. Sim, há o reconhecimento generalizado de que o consumo de café sofrerá impactos da crise econômica.

12/05/2009

Uma lavoura infame e augusta

Em meio ao mais violento colapso financeiro global que, a cada dia dilapida mais um bocadinho o tesouro público brasileiro, as lideranças dos cafeicultores não se dão por satisfeitos com a substancial majoração dos preços mínimos. A cafeicultura carece ser abatida por uma tsunami de destruição criadora, visando desmantelar as colunas do atraso, concedendo luz para o refulgir das formidáveis inovações e das práticas gerenciais modernas que a criatividade humana é capaz de imaginar e pôr a funcionar.