A adubação e calagem devem suprir os nutrientes em quantidade suficiente sem esquecer do equilíbrio adequado entre os vários nutrientes, visando seu melhor aproveitamento. O excesso de alguns é prejudicial, tanto pelo maior investimento necessário, como pelos desequilíbrios e antagonismos causados. A falta, igualmente, leva ao desequilíbrio e a deficiências.
É comum o produtor efetuar sua adubação sempre com uma fórmula padrão NPK e não prestar atenção nem na disponibilidade já existente no solo, que pode influir na dose e na relação entre esses 3 nutrientes, nem se preocupar com o suprimento de outros nutrientes importantes, como o Ca e Mg e os micronutrientes. Além disso, essas aplicações padronizadas de NPK podem levar a desequilíbrios prejudiciais, como a relação K/Mg, P/Zn etc.
A correlação entre o estado nutricional do cafeeiro e a intensidade das pragas e doenças é bem nítida para algumas e pouco importantes para outras. Uma relação muito importante a ser observada é a relação Nitrogênio/Potássio (N/K); se tivermos um desbalanço favorável ao nitrogênio, teremos problemas com o complexo de doenças Phoma/Ascochita/Pseudomonas, doenças essas favorecidas pelo excesso de nitrogênio em relação a potássio. Se tivermos um desbalanço favorável ao potássio, teremos problemas com a Cercosporiose. Portanto é de grande importância a manutenção dessa relação equilibrada para não haver além do desequilíbrio nutricional, ataques inoportunos dessas doenças, visto que os controles químicos de tais doenças são menos eficientes nessas situações de desequilíbrios nutricionais.
A checagem do equilíbrio nutricional pode ser feito por meio de análises foliares, as quais trarão os resultados dos diversos macro e micronutrientes envolvidos na nutrição do cafeeiro. Caso o desequilíbrio seja constatado, a correção deverá ser realizada o quanto antes possível, visto que já estamos no final da estação chuvosa no sul de Minas. Se o problema for relacionado aos macronutrientes, a solução é a realização de adubações de solo, já se o caso for de micronutrientes, a solução é mais fácil, pois o reequilíbrio poderá ser estabelecido com aplicações foliares.
Os principais desequilíbrios que podem ocorrer em lavouras de café são os seguintes:
a)Excesso de calcário - deficiência de micronutrientes, Zn, B, Cu, Fe e Mn e provável desequilíbrio para K (pelo antagonismo com Mg e Ca do calcário).
b)Excesso de nitrogênio - deficiência de B, Cu, Zn e Fe e maior susceptibilidade a Phoma e Pseudomonas.
c)Excesso de P no plantio - deficiência de Zn e Cu.
d)Excesso de K - deficiência de Mg e Ca e muitas vezes de B.
e)Excesso de matéria orgânica - deficiência de cobre.

Cercosporiose na folha e no fruto (esquerda) e Phoma na folha (direita)

Contraste de uma planta bem nutrida em nitrogênio com uma deficiente nesse nutriente (esquerda) e uma deficiência de potássio à direita.