Toxidez de herbicida glifosato em cafeeiros fica localizada

Confira os resultados experimentais sobre a ausência de efeito do Glifosato. Por José Braz Matiello - engenheiro agrônomo da Fundação Procafé.

Publicado em: - 1 minuto de leitura

Ícone para ver comentários 7
Ícone para curtir artigo 1

Nos últimos anos muito se tem falado sobre a possibilidade de herbicidas com base em Glifosato (Round-up e outros) causarem problemas de toxidez e de perda de produtividade em cafeeiros.

Os trabalhos de pesquisa realizados, no entanto, mostram que o uso de Glifosato, no controle do mato em cafezais, não provoca perdas produtivas nos cafeeiros.

Os resultados experimentais sobre a ausência de efeito do Glifosato podem ser vistos nos dois trabalhos cujas tabelas são aqui incluídas, nos ensaios realizados no Cepec, em Martins Soares (MG) e no Campo Experimental da Capal, em Araxá (MG).

No Cepec (tab 1) verificou-se que, na média das três safras computadas, houve até um pequeno acréscimo, de 6%, na produtividade dos cafeeiros onde foi usado o Glifosato, quando comparado com a parcela tratada só com a roçada do mato. Neste ensaio, onde o mato não foi controlado a perda foi de 39%.

No ensaio em Araxá (tab 2), desde o plantio e por dois anos seguidos, foram aplicadas doses crescentes de Glifosato, algumas até muito altas, 36 vezes superiores às doses normais, justamente para que, nessa condição, pudesse ser testada a possível ação danosa do produto sobre os cafeeiros. Os resultados obtidos mostram que, mesmo em doses muito altas, em nenhuma delas, a média de produtividade dos cafeeiros, nas dus primeiras safras, não se diferenciou daquela onde não se usou o produto.

As observações em campo confirmam os resultados experimentais. Qualquer um pode ver que nas áreas aplicadas com Glifosato para controle do mato em cafezais, quando parte da folhagem do cafeeiro é atingida, por deriva, na saia das plantas, os sintomas de toxidez, notados pela presença de folhas afiladas e de cor mais clara, ficam restritos àquela área da folhagem. Estes sintomas não se mostram em outras partes da planta, ou seja, o efeito fica localizado e não sistêmico. Mesmo ramos ao lado ou logo acima da área atingida, pela calda herbicida, não apresentam os sintomas de toxidez.



 


Sintomas da toxidez (folhas afiladas e mais claras) por deriva de glifosato, nos dois ramos da saia (no centro da foto) e dos lados ramos normais.

Sintomas da toxidez por deriva de glifosato nos quatro ramos da saia e, logo acima, ramos normais
Ícone para ver comentários 7
Ícone para curtir artigo 1

Material escrito por:

José Braz Matiello

José Braz Matiello

Acessar todos os materiais

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Leandro Balbúrdia
LEANDRO BALBÚRDIA

EM 02/05/2024

Muito obrigado. tirei a minha conclusão. depois de fazer a aplicação do glifosato. Thanks
Francisco Sérgio Lange
FRANCISCO SÉRGIO LANGE

DIVINOLÂNDIA - SÃO PAULO

EM 27/07/2015

Os parabens têm que ser dado é a Joyce e a Ana. o Comentário delas esta perfeito. Até nisso estamos na contra mão do mundo.

Muito interessante a proposta da Ana com relação a se descriminar na embalagem a utilização de fertilizantes e agrotoxicos.

Não tenho a menor duvida de quem deve decidir o que comprar é o consumidor.

Para a industria isso é o diabo em frente a cruz.
Ailton Geraldo Dias
AILTON GERALDO DIAS

VITÓRIA - ESPÍRITO SANTO

EM 24/07/2015

Prezado Matiello,

Primeiramente apresento-lhe minhas desculpas pois irei apresentar-lhe minha discordância com relação a estas pesquisas.

Há uma fragilidade no modo de organização do escopo destas pesquisas e seus resultados , por isso, não podem ser conclusivos.

A pesquisa pretendeu avaliar o efeito do glifosato - se danoso ou não ao cafeeiro - partindo de uma base de avaliação equivocada e insuficiente. Explico-lhe melhor. Se se pretende avaliar o efeito do glifosato (sobre o cafeeiro ou sobre qualquer outra cultura), seria adequado que nesta avaliação fossem incluídos também outros herbicidas e outras estratégias de controle dos matos. Por exemplo: uma parcela com controle mecânico (capina); uma parcela com controle utilizando-se dessencante; uma parcela com controle utilizando outro herbicida;uma parcela com controle utilizando-se o glifosato; e, finalmente, uma parcela sem o uso qualquer controle. Outrossim, as variáveis nutrição; disponibilidade hídrica; e, controles fitossanitários teriam que se niveladas de modo que não pudessem exercer impactos sobre os resultados.

Sugiro que você leia um vigoroso trabalho realizado no IAC sobre a Rota da Cafeina.

Neste trabalho, entre outras evidências, ressalta-se a importância da cafeína (alcalóide encontrado nos grãos do café e do guaraná) na fitossanidade das plantas; no peso dos grãos; etc... Qualquer interferência na síntese de cafeína, reduzindo-a, irá impactar de forma negativa na produção, na produtividade e na qualidade final dos grãos. Neste trabalho citado, do IAC, fica evidente que o uso do glifosato interfere na síntese de cafeína, impactando negativamente os resultados.

Voltemos aos trabalhos de pesquisa conduzidos no Cepec e em Araxá.

Conduzir parcela de cultivo do cafeeiro com o uso de roçadeiras; conduzir parcelas de cultivo do cafeeiro com o uso de glifosato (variando ou não as doses) e comparar os resultados pretendendo que os mesmos sejam conclusivos é de uma fragilidade quase pueril.

A ciência requer procedimentos mais vigorosos e mais sérios.

Abraços,

Ailton Geraldo Dias

Eng. Agrônomo

Professor, Pesquisador e Consultor

27 - 99619-3002


Jonas Leme Ferraresso
JONAS LEME FERRARESSO

SERRA NEGRA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 24/07/2015

Parabéns pelo artigo meu amigo Matiello, sempre ajudando e esclarecendo as dúvidas dos técnicos e produtores.
Ana Paula Paixão
ANA PAULA PAIXÃO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS

EM 23/07/2015

Bom dia. Glifosato tem quer banido do Brasil. Enquanto o mundo o proíbe, produtores o utilizam. Comprovadas inúmeras doenças vindas desse tóxico herbicida da Monsanto. O Brasil está na contramão do mundo ! A hora é de investir em pesquisas para combater pragas com produtos ecologicamente corretos, que não causem danos aos trabalhadores do campo e nos consumidores finais.

Infelizmente a legislação brasileira é fraca e omissa em relação ao que o consumidor final consome. Deveria constar na embalagem do produtos informações como os nomes dos agrotóxicos e fertilizantes utilizados na lavoura, além da quantidade. Porque o consumidor final tem que ter o direito de escolha ! 

www.anainternationallawyer.com



Olhem:

http://www.canalrural.com.br/noticias/agricultura/ministerio-publico-quer-banir-glifosato-brasil-56002
Joyce Gianvecchio
JOYCE GIANVECCHIO

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 23/07/2015

É preciso levar em consideração também a toxicidade do glifosato para o consumidor no produto final. Para os que não possuem muita informação sobre o assunto, poderia gerar uma falta de atenção na aplicação deste herbicida. O glifosato está sendo assunto de atenção para torrefadoras europeias conceituadas! Inclusive a recusa de lotes de alta qualidade em função do limite acima do permitido.
Paulo Roberto de Souza
PAULO ROBERTO DE SOUZA

IBAITI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 23/07/2015

Esta é uma matéria de relevada importância é esclarecedora quanto a utilização do glifosato e irá responder ao questionamento de milhares de produtores de café.

Parabéns aos pesquisadores!