Com a crescente necessidade de ser cada vez mais eficiente em relação aos processos produtivos, visto o aumento dos custos de produção, a utilização correta do conhecimento sobre a cultura em questão se torna imprescindível para a eficiência do processo produtivo.
Sendo assim, sempre que o valor econômico da cultura esteja em risco devido a ataque de pragas, doenças e plantas daninhas deve ser realizado intervenção como forma de reduzir os danos causados na mesma.
O uso da tecnologia de aplicação faz com que se tenha maior eficiência na utilização de defensivos, sendo que seu conhecimento proporciona a correta colocação do produto biologicamente ativo no alvo, em quantidade adequada, de forma econômica e com o mínimo de contaminação em outras áreas.
Sempre que necessário o controle, devem ser consideradas as seguintes questões:
- Qual o alvo biológico a ser controlado?
- Qual tratamento mais adequado?
- Como realizar uma aplicação eficaz?
Para um bom entendimento em relação às práticas adequadas a serem utilizadas, o conhecimento a respeito de alguns conceitos se torna necessário para a utilização correta das técnicas:
- Pulverização: processo físico-mecânico de transformação de uma substancia líquida em partículas ou gotas.
- Aplicação: deposição de gotas sobre um alvo desejado, com tamanho e densidade adequada.
- Regulagem do equipamento: ajustar os componentes da máquina em relação às características da cultura e produtos utilizados.
- Calibragem do equipamento: verificar a vazão das pontas, determinação do volume de aplicação e quantidade do produto a ser colocado no tanque.
Há uma relação direta entre o produto a ser aplicado e o pulverizador utilizado, sendo necessário o conhecimento destas interações para a utilização correta das técnicas adequadas, como será descrito posteriormente.
Agitação da calda
A primeira observação a ser realizada, é a verificação do sistema de agitadores se está funcionando corretamente. Em pulverizadores tratorizados a tomada de potência (TPD) deve trabalhar com rotação de 540 RPM, pelo fato de o sistema normalmente ser dimensionado para esta rotação.
A não utilização da rotação adequada faz com que a calda não seja revolvida adequadamente e não se tenha o retorno correto da calda devolvida ao tanque, podendo interferir na eficácia do produto utilizado. Formulações pó-molhável e suspenção concentrada contêm partículas sólidas em suspensão que tendem a se depositar no bundo do tanque de pulverização. Isso faz com que se tenha aplicação desuniforme do produto quanto à dose por área.
Utilização de filtros corretos
A malha do filtro utilizado deve ser adequada em relação ao produto que se está sendo aplicado junto à calda de pulverização. Filtros de malha inferior ao tamanho da partícula faz com que estas ficam retidas, formando uma pasta que o bloqueia com frequência. Esse fato faz com que seja necessária a limpeza constante, reduzindo o tempo útil de trabalho e aumentando os riscos de contaminação pelo operador.
Misturas de tanque de suspensão concentrada ou pó-molhável com adjuvantes oleosos pode potencializar o problema, visto que a coalizão entre as partículas pode resultar na união entre duas de pó e uma de óleo.
Podem-se verificar estas interações conforme a figura seguinte.
Volume de pulverização
Não há um volume de calda pré-estabelecido, sendo este dependente de fatores como o alvo desejado, tipo de ponta utilizada, arquitetura da planta e tipo de produto a ser utilizado.
Por motivo econômico deve-se utilizar o menor volume indicado por hectare, como forma de intensificar a capacidade operacional.
Tamanho de gotas
A ponta de pulverização não produz apenas um único tamanho de gota, variando sim a proporção entre elas.
Gotas grandes (>400µm) são menos arrastados por derivas e apresentam menores problemas por evaporação até o alvo. Em contrapartida as mesmas possibilitam menor cobertura da superfície tratada e menor concentração de gotas por cm², também apresentam menor capacidade de absorção pela cultura e maior escorrimento superficial foliar.
Gotas médias (200-400µm) possuem características intermediárias entre gostas grades e pequenas. São indicadas quando não há recomendação de tamanho de gostas na bula do produto de forma a minimizar as chances de erro.
Gotas pequenas (<200µm) são mais arrastadas pela deriva e apresentam problemas com evaporação até o alvo. Em contrapartida possibilitam maior cobertura da superfície tratada e maior concentração de gotas por cm², também apresentam maior capacidade de absorção pela cultura e menor escorrimento superficial foliar.
O tamanho de gota a ser empregado, em sua maioria, está descrito junto a bula do produto a ser utilizado visando maior eficiência do mesmo.
Pontas de pulverização
A ponta de pulverização se caracteriza pelo componente do bico responsável pela formação de gotas.
As pontas de pulverização são classificadas em função da energia utilizada para formação das gotas. Em aplicações agrícolas, as pontas hidráulicas são as mais utilizadas. Nelas o líquido sob pressão é forçado através de uma abertura, fazendo com que o mesmo se espalhe, desintegrando em gotas de diferentes tamanhos.
Vários são os modelos de pontas de pulverização, sendo que cada uma apresenta características únicas; fazendo com que a escolha adequada influencie na eficiência da aplicação.
Os principais modelos de pontas são:
- Pontas de jato plano: podem ser de jato tipo leque ou de impacto, produzem jato em um só plano, sendo indicada para alvos planos como solo, parede e culturas como soja.
- Pontas de jato cônico: compostas por dois componentes denominadas de ponta (discos) e núcleo (difusor, caracol, espiral). Podem ser de dois tipos: cone cheio e cone vazio.
São utilizadas na pulverização de alvos irregulares, como folhas de uma cultura.
Influência climática
Alguns fatores podem influenciar no momento da pulverização como vento, temperatura e umidade relativa.
As condições que limitam esses fatores são:
- Umidade relativa do ar: mínima de 55%;
- Velocidade do vento: 3 – 10 km/h;
- Temperatura: abaixo de 30ºC.
Seguindo as técnicas adequadas de aplicação se tem maior eficiência na utilização de defensivos agrícolas, obtendo sucesso no trabalho realizado.
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Referência bibliográfica
Manual de tecnologia de aplicação/ANDEF - Associação Nacional de Defesa Vegetal. -- Campinas, São Paulo: Linea Creativa, 2004.
