No Brasil, o processo de secagem artificial, em secadores compatíveis com a capacidade de investimento da pequena e média cafeicultura, foi iniciado recentemente, com a criação do CBP&D-Café. Apesar da disponibilidade de tecnologias, a maioria dos pequenos e médios produtores ainda usa processos primitivos para secagem e armazenagem de seus produtos.
Particularmente para o café, a secagem em secadores mecânicos termicamente eficientes e confiáveis é considerada muito importante, pois agiliza a colheita e, sobretudo, não depende das condições climáticas. Apesar de ser economicamente mais viável que o método de terreiros, que muitos consideram uma tecnologia de baixo custo, as exigências técnicas e financeiras para a instalação de um secador mecânico, aliada à necessidade de treinamento por parte do agricultor, dificultam a adoção de sistemas de secagem e armazenagem tecnologicamente elaborados para a pequena cafeicultura, os quais, segundo MACHADO ET AL. (2003), são responsáveis por grande parte da produção brasileira de café.
No processo de secagem artificial de café, um dos problemas refere-se ao fato de a operação ser realizada em sistemas ineficientes, muitas vezes, projetada para outros produtos e resultando, além da baixa qualidade do produto, em alto custo operacional e baixa eficiência energética (PINTO FILHO, 1994); SAMPAIO, 2004). Além disso, o tamanho dos secadores disponíveis no comércio não é compatível com a quantidade produzida pelo pequeno cafeicultor.
No caso do desenvolvimento ou adaptação de secadores para atender as necessidades de secagem do pequeno cafeicultor, deve-se levar em conta não somente o tamanho, mas também a capacidade de funcionar, com regularidade, para outros tipos de produtos, pois segundo Silva et al. (2005), a pequena cafeicultura é também conhecida por produzir quantidades variáveis de diferentes tipos de grãos como arroz, feijão e milho.
Outro produto observado no processo de secagem do café é a dificuldade de escoamento dos grãos no início da secagem, o que muitas vezes inviabiliza a utilização de secadores dotados de dispositivos normais de movimentação dos grãos (helicóides e elevadores de canecas). Os secadores equipados com mecanismos convencionais para o transporte de grãos não são recomendados para secagem do café natural e descascado quando estes apresentam teor de água acima de 40% (b.u.) Nesses casos, recomenda-se a pré-secagem em terreiros ou em pré-secadores com ar aquecido. Deve-se lembrar, que a pré-secagem onera, substancialmente, o sistema de secagem.
É sabido que um secador dotado de qualquer sistema de carga, revolvimento e descarga poderá produzir um café de qualidade se a matéria-prima, saída da pré-secagem (natural ou artificial), apresentar qualidade. Em outras palavras, não se pode melhorar a qualidade de um produto no secador, o que se pode conseguir é a manutenção da qualidade ou a redução, a um mínimo, da intensidade de degradação do produto. Assim, por mais eficiente que seja o secador, o sistema de transporte adotado pode, se não for dimensionado e operado corretamente, provocar danos mecânicos e descascar o produto, produzindo grão com secagem desuniforme.
Os transportadores pneumáticos usados em unidades armazenadoras tiveram origem nos equipamentos de pressão, usados para carga e descarga de grãos em navios. Eles transportam grãos pela ação de uma corrente de ar com alta velocidade, por meio de uma tubulação aberta apenas nas extremidades. São transportadores versáteis e, com a utilização de condutores flexíveis, podem ser usados para conduzir grãos em locais de difícil acesso para transportadores convencionais.
O ganho tecnológico advindo das pesquisas em pós-colheita do café, aliado a processos mais eficientes, de baixo custo e de simples utilização, tem permitido salto de qualidade, com valorização do café brasileiro no concorrido mercado internacional. A racionalização do uso da energia e a redução dos impactos ambientais gerados pelas práticas e tecnologias adotadas também são desafios a serem vencidos para alcançar a qualidade, a sustentabilidade e a competitividade do café brasileiro.
Dessa forma, com a utilização de uma única máquina de fluxo (ventilador), o custo do conjunto será substancialmente reduzido, o que permitirá, em uma única máquina de fluxo (ventilador), o custo do conjunto será substancialmente reduzido, o que permitirá, em uma única operação, realizar a pré-secagem e a secagem do café com qualidade, sem a necessidade de investimentos em grandes áreas de terreiros convencionais.

Referências bibliográficas
MACHADO, M. C., SAMPAIO, C.P., SILVA,J.S., Avaliação técnico-econômica do processamento de café:secagem completa em terreiros. In: SIMPÓSIO DE PESQUISAS DOS CAFÉS DO BRASIL E WORKSHOP INTERNACIONAL DE CAFÉ & SAÚDE, 3.:2003, Porto seguro. Anais... Brasília, Df: Embarapa Café, 2003. (447p).
PINTO FILHO, G. L. Desenvolvimento de um secador de fluxos cruzados com reversão do fluxo de ar de resfriamento,para a secafem de café (Coffea arábica L.) 1993. 72p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Agrícola)- Universidade Federal de Viçosa, 1994.
SAMPAIO,C.P. Desenvolvimento de um secador com reversão do fluxo de ar com sistema de movimentação pneumática de grãos. 2004, 97p. Dissertação (Doutorado em Engenharia Agrícola)-Universidade Federal de Viçosa, 2004).
SILVA,J.S.; NOGUEIRA, E.M. ROBERTO, C.D. Tecnologia de secagem e armazenagem para a agricultura familiar. Viçosa-MG: 2005.138p. (2005).