Resistência de plantas daninhas ao herbicida glyphosate na cultura do café

Dentre essas espécies as que vêm causando danos mais severos ao cafeeiro, são as buvas (Conyza canadensis e Conyza bonariensis) e o azevém (Lolium multiflorum). Por Giovani Belutti Voltolini, Laís Sousa Resende, Dalyse Toledo Castanheira e Adenilson Henrique Gonçalves - da Universidade Federal de Lavras - Ufla.

Publicado por: vários autores

Publicado em: - 4 minutos de leitura

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O manejo das plantas daninhas no cafeeiro é uma das práticas mais importantes na condução das lavouras, pois as mesmas podem competir com o café pelos elementos essenciais ao seu desenvolvimento, como água, luz, nutrientes e também por espaço.

Dentre os métodos de controle, o mais utilizado antigamente era o controle mecânico, por meio do uso de roçadoras e/ou capina manual. No entanto, este método é muito oneroso e acarreta em grande demanda financeira por parte do produtor. A partir do surgimento do herbicida Glyphosate, o controle químico passou a ser o mais utilizado, sendo um método de controle mais barato e que possui um amplo espectro de controle e uma rápida degradação no meio ambiente.

Contudo, ao passar dos anos, o uso intensivo do controle químico por meio da utilização do Glyphosate vem causando alterações nas populações de plantas daninhas ocorrentes nas lavouras, o que pode favorecer o surgimento de algumas plantas resistente ao herbicida. No entanto, a resistência de plantas daninhas não se deve apenas ao uso intensivo do herbicida, mas também devido à ampla variabilidade genética das plantas, as condições climáticas do local e o uso de sub-doses do herbicida.

Dentre essas espécies as que vêm causando danos mais severos ao cafeeiro, são as buvas (Conyza canadensis e Conyza bonariensis) e o azevém (Lolium multiflorum). Sendo que, por meio das modificações naturais que ocorreram nessas plantas, o Glyphosate não possui mais eficácia no controle.

 

Fonte: Fundação Procafé

 

Na imagem é possível observar que o controle das plantas daninhas por meio da utilização do Glyphosate nas entrelinhas do cafeeiro não foi eficaz para as espécies de buva e azevém. Entretanto, as demais espécies invasoras foram controladas pelo herbicida. Normalmente as plantas resistentes são encontradas em pontos isolados, e devido à ausência de controle das mesmas, vão se disseminando, aumentando assim o número de indivíduos resistentes, até que as mesmas dominem a área.

No intuito de evitar a ocorrência de plantas daninhas resistentes ao Glyphosate, algumas recomendações são feitas, como por exemplo, o manejo associado das plantas daninhas, que consiste na combinação dos métodos de controle químico e mecânico, onde o principal objetivo é a redução da intensidade das aplicações de herbicidas, realizando aplicação somente em períodos estratégicos, como a época das águas e na arruação. Também é possível evitar a incidência de plantas daninhas resistentes pela rotação de herbicidas, evitando assim, o uso exclusivo de somente um determinado tipo de herbicida.

Outra forma de se evitar esse problema é a adoção do sistema de culturas intercalares, pois devido à maior abrangência de culturas na área a biodiversidade das plantas daninhas será maior, assim como os tipos de herbicidas a serem utilizados, diminuindo assim a possibilidade de surgimento de novos grupos de plantas daninhas resistentes.

 

Os prejuízos ocasionados pela ocorrência de plantas daninhas resistentes ao Glyphosate no cafeeiro são grandes, a começar pelo maior gasto do produtor na lavoura, devido ao uso do controle mecânico, que deverá ser empregado para o controle das plantas resistentes.

 

 Outra grande fonte de perda é a possível competição por nutrientes entre a cultura do café e essas plantas remanescentes à aplicação do herbicida.

Fonte: Fundação Procafé

Na imagem é possível observar a eficácia do controle mecânico das espécies de plantas invasoras à cultura do café com resistência ao herbicida glyphosate, em área onde foi feita a aplicação deste herbicida.

Dentre as formas de controle das plantas daninhas resistentes ao Glyphosate, alguns ensaios estão sendo feitos, sendo que os herbicidas Clethodin, Haloxifope Metílico e Clorimuron ethil (produtos comerciais Select, Verdict e Classic, respectivamente e também outros similares) apresentam resultados promissores no controle das mesmas e também são seletivos ao cafeeiro, evitando assim, possíveis injúrias devido à fitotoxidez destes herbicidas.

Contudo, o que vem preocupando os cafeicultores é a falta de pesquisa que comprove a eficiência destes herbicidas no controle de espécies resistentes ao Glyphosate, e consequentemente, os prejuízos causados pela ausência de controle irão influir de forma direta na produção do cafeeiro, e também na lucratividade do cafeicultor.

Neste sentido, são necessárias novas pesquisas a cerca destes herbicidas, que provavelmente, de maneira análoga ao uso do Glyphosate, serão os herbicidas utilizados no controle das plantas daninhas ocorrentes na cultura do café e resistentes ao Glyphosate.

Uma solução mais prática e eficiente que o produtor pode adotar para o controle de plantas daninhas resistentes ao Glyphosate é a utilização do controle mecânico, mesmo sendo esse um método de controle oneroso, é um dos mais eficientes em casos de resistência. É importante ressaltar que o cafeicultor deve sempre optar pelo manejo integrado de plantas daninhas, buscando a integração dos métodos de controle e evitando o surgimento de plantas daninhas resistentes.

 

Autores:

Giovani Belutti Voltolini, coordenador geral do Grupo de Estudos em Herbicidas, Plantas Daninhas e Alelopatia (GHPD/UFLA), graduando em Agronomia pela Universidade Federal de Lavras – Ufla.

Laís Sousa Resende, graduanda em Agronomia pela Universidade Federal de Lavras – Ufla.

Dalyse Toledo Castanheira, Eng. Agrônoma, coordenadora de pesquisa do Grupo de Estudos em Herbicidas, Plantas Daninhas e Alelopatia (GHPD/UFLA), Doutoranda em Agronomia – Fitotecnia pela Universidade Federal de Lavras – Ufla.

Adenilson Henrique Gonçalves, Professor de Plantas Daninhas da Universidade Federal de Lavras – Ufla.

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Material escrito por:

Dalyse Toledo Castanheira

Dalyse Toledo Castanheira

Doutoranda em Fitotecnia - UFLA

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Giovani Belutti Voltolini

Giovani Belutti Voltolini

Técnico em Agropecuária e graduando em Agronomia pela Universidade Federal de Lavras-UFLA. Membro do Núcleo de Estudos em Cafeicultura-NECAF. Bolsista pelo CNPQ.

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Dalyse Toledo Castanheira
DALYSE TOLEDO CASTANHEIRA

BOM SUCESSO - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 11/03/2015

Exatamente João Bastita...

O importante é optar sempre pelo MANEJO INTEGRADO DE PLANTAS DANINHAS...Alternando entre os métodos de controle: Controle Cultural (cultura intercalar, consórcio), Mecânico (capina, roçada) e Químico (herbicidas).

No controle químico é importante evitar o uso repetido de herbicidas com o mesmo MECANISMO DE AÇÃO. Herbicidas com princípios ativos diferentes podem atuar na mesmo mecanismo de ação e assim favorecer o processo de resistência de plantas daninhas! Temos que ficar atentos!!!!!
João Batista Vivarelli
JOÃO BATISTA VIVARELLI

DIVINOLÂNDIA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 11/03/2015

Ervas daninhas resistentes ao Glyfosate, tem sido problemático na cultura do café, mais está muito relacionada à forma de controle, é importante saber manejar às ervas daninhas(roçadas), bem como utilização de  misturas  com outros Principios Ativos, da um sinergismo.
Fábio rogerio calais
FÁBIO ROGERIO CALAIS

TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA - COMÉRCIO DE CAFÉ (B2B)

EM 10/03/2015

To com problema na roça também .qual e indicado pro café conilon pra acabar com os matos