desenvolvido um novo híbrido de cafeeiros Ibairi, com característica de resistência à ferrugem. O material genético é derivado do cruzamento da variedade Mokka com a cultivar Bourbon Vermelho. Ibairi significa fruto doce, portanto, apresenta características especiais em sua bebida.
Foto: Divulgação
No IAC foi registrada a cultivar Ibairi IAC 4761, cujos cafeeiros apresentam porte médio, copa ramificada e compacta, folhas novas de coloração bronze, folhas adultas pequenas e estreitas, frutos vermelhos, arredondados, pequenos e de maturação precoce, de sementes menores que a cultivar Bourbon Vermelho. Apresenta baixa produtividade e é suscetível à ferrugem.
Em tupi-guarani, a palavra Ibairi significa fruta doce e pequena. A cultivar apresenta, então, bebida de excelente qualidade, com aroma e sabor intensos, por isso sendo indicada para mercados especiais. A Ibairi praticamente não é cultivada comercialmente, devido à baixa produção e ao tamanho reduzido de seus grãos, em parte, ainda, pela sua alta susceptibilidade à ferrugem.
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A transferência do alelo Mokka para outros materiais genéticos, visando incorporar produtividade, porte baixo, resistência e melhor tamanho de frutos, tem sido objeto de pesquisas, mas a herança da característica Mokka é mais complicada que um fator genético simples.
O híbrido agora estudado é resultado de cruzamento natural em uma população de cafeeiros Ibairi, do Banco de Germoplasma da FEX Varginha. Ao serem plantadas mudas de sementes dali oriundas, em um campo de observação novo, depois da 3ª safra e nas 2 seguintes, verificou-se que, do total de 30 plantas do campo, duas se mostravam com fenótipos diferentes das demais, ambas sendo resistentes à ferrugem.
Uma apresentava folhas maiores, normais, e outra, apresentava folhas pequenas e características de Mokka, porém, como já dito, resistente à ferrugem e com os frutos apresentando um tamanho maior do que os normais de Ibairi.
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A produtividade dessa planta tem sido boa, assim como seu vigor, parecendo ser mais resistente à seca, se mostrando sempre bem enfolhada. As plantas se encontram, hoje, com 8 anos de idade e até o momento não apresentaram nenhuma infecção por ferrugem.
No IAC, em Campinas, pesquisas realizadas já derivaram híbridos de Ibairi, embora ainda sem resultados de uso comercial. O hibrido de Ibairi em Varginha, pelas suas boas características, apresenta potencial para atender ao seu plantio em escala, visando à produção de cafés especiais. Sua nova geração se encontra, agora, em plantio, visando à observação da reprodutibilidade dessas características por via de sementes e ainda vai ser clonado para testagem em experimentos de produtividade.
