Foto: Alexia Santi/Agência Ophelia
A cafeicultura de montanha no Brasil é composta por cerca de 700 mil ha de cafezais, cultivados em áreas de topografia acidentada, onde a mecanização normal é impraticável. Com isso, os tratos realizados, em sua maior parte, de forma manual, vêm exigindo o uso de mão-de-obra em grande quantidade, onerando os custos de produção.
Várias práticas alternativas têm procurado facilitar os tratos culturais e a colheita nas
lavouras de café de montanha. A abertura de micro-terraços nas ruas do cafezal e o emprego de derriçadoras motorizadas, de operação manual, são exemplos de evoluções importantes na adaptação do terreno e no maquinário.
Foto: Divulgação
A adaptação na lavoura, entretanto, é a prática que consideramos essencial para dar base para toda economia na lavoura. Como o principal fator de uso de mão-de-obra e, consequentemente, na elevação dos custos, é o trabalho com a colheita e, conhecendo que essa operação é mais cara em cafeeiros, a maneira de reduzir custos, como temos visto nas pesquisas e na prática dos cafeicultores, é concentrar a safra a cada 2 anos.
A poda de esqueletamento, ao cortar os ramos laterais, produtivos, evita ou zera a safra baixa e possibilita uma colheita alta, mais barata, a cada 2 anos, de quase a mesma quantidade de café que seria colhido nas duas safras. Ao mesmo tempo, permite economias paralelas aos trabalhos de colheita. Pode-se economizar, no primeiro ano pós-poda, na adubação.
Foto: Divulgação
Pode-se fazer uma colheita com maior vigor, podendo até quebrar alguns galhos, pois vai-se corta-los na poda em seguida. Pode-se, ainda, aproveitar a própria poda dos ramos para efetuar a colheita dos frutos desses ramos após a poda. Por isso tudo, os técnicos de AT e os cafeicultores das montanhas precisam adotar mais o
sistema de poda para safra zero, como, aliás, já vem ocorrendo em grande escala nas áreas planas.
É muito evidente que este sistema é ainda mais adequado às lavouras onde não se pode mecanizar. Ali a poda de esqueletamento é, sem duvidas, a “salvação da lavoura”.
