Nutrição do Cafeeiro: A adubação começa com a análise do solo

A adubação começa com a análise do solo (e da folha), continua com a correção da acidez e termina com a aplicação do adubo. Por Rafael Antônio Almeida Dias, mestrando em Agronomia/Fitotecnia e Francisco Moreira de Sousa Neto, graduando em Agronomia, da Universidade Federal de Lavras (Ufla)

Publicado em: - 4 minutos de leitura

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Aprenda técnicas para nutrir o cafeeiro em sua propriedade. A equipe do Núcleo de Estudos em Cafeicultura (Necaf/Ufla) fala sobre o passo a passo da adubação, que começa com a análise do solo (e da folha), continua com a correção da acidez e termina com a aplicação do adubo. Confira:

Análise de solo
a) Freqüência e profundidade da amostra:
• Anual: 0-20 cm, no meio da faixa adubada
• Bianual: 0-20 cm e 21-40 cm, no meio da faixa adubada.

b) Época de amostragem: abril/maio (antes da colheita ou da arruação).

c) Número de amostras: uma (1) amostra composta de, no mínimo, 10 sub-amostras, para qualquer gleba homogênea de até 50 hectares.

Não esquecer que: “A adubação começa com a análise do solo (e da folha), continua com a correção da acidez e termina com a aplicação do adubo”.




Calagem
A calagem neutraliza os excessos de alumínio e de manganês e fornece cálcio e magnésio. Além disso, aumenta a disponibilidade de nitrogênio, enxofre e boro que resultam da mineralização da matéria orgânica.

O excesso de cobre também é controlado. A análise de solo diz qual a dose que deve ser aplicada. O calcário é aplicado a lanço, em área total, e incorporado a 20-30 cm de profundidade antes do plantio. Nos cafezais formados, o corretivo é distribuído também a lanço depois da colheita, antes de se começar o programa de adubação ou entre um parcelamento e outro.

Em terrenos onde não for possível aplicar o calcário em área total e incorporá-lo mecanicamente, o remédio é colocar na cova ou no sulco doses que não devem passar de 1-1,5 toneladas por hectare, misturando muito bem com a terra.

Gessagem
A calagem em geral não corrige a acidez em profundidade no caso de cafezais já formados, onde é inviável a incorporação do corretivo. A menos quando se procede à subsolagem ou se use doses relativamente pesadas em solos leves, empregando-se calcário de boa qualidade e se espera alguns anos. Isto se deve ao fato de que o ânion acompanhante do cálcio, CO3 2-, se dissipa na atmosfera da superfície do solo e acima dela.

Em conseqüência, o cafeeiro (ou outra cultura qualquer) tem o seu sistema radicular concentrado na superfície e, por isso, aproveita menos os nutrientes que percolam, absorve menos água e sente mais o efeito da estiagem.

O gesso, gesso agrícola ou fosfogesso, é o CaSO4.2H2O (sulfato de cálcio), subproduto da indústria do ácido fosfórico. O ânion acompanhante do Ca2+ é o SO4 2- que, ao contrário do CO3 2-, não se perde por volatilização: é capaz de descer no perfil, processo em que é acompanhado pelo cálcio.

Disso resulta que em profundidade aumenta a saturação em cálcio do complexo de troca e o Al tóxico é "neutralizado". A gessagem usualmente não modifica o pH e não é substituta da calagem. Ambas se complementam.

Quando o solo, antes do plantio, necessitar de calcário e de gesso, primeiro se faz a calagem na forma recomendada e depois se distribui o gesso a lanço, sendo dispensada a sua incorporação. Pode-se também usar produtos comerciais que contêm uma mistura de calcário e gesso. Nos cafezais em formação ou produção o gesso é aplicado a lanço, e nesse caso também pode-se usá-lo previamente misturado com o calcário (se o solo necessitar de calagem) ou separadamente.

Recomendações de Adubação
Na adubação do cafeeiro em produção é importante considerar vários fatores, como: elemento(s) deficiente(s), quantidade do adubo a aplicar, época de aplicação e localização do adubo. A análise de solo e a diagnose visual são úteis para definir os elementos que estão deficientes no solo e na planta, respectivamente. A dose de adubo necessária depende, no caso da planta em produção (geralmente a partir do 4º ano), do nível de fertilidade do solo, da adubação feita na cova (principalmente em se tratando do fósforo), e da colheita pendente ou desejada. A época de aplicação dos adubos é determinada por dois fatores principais:

• Os períodos de maior exigência do cafeeiro: depois da colheita e do início da vegetação; no pegamento da florada e no crescimento dos frutos. Na prática, entretanto, para simplificar, a dose total geralmente é dividida em parcelas iguais.

• O comportamento do adubo no solo: o nitrogênio é sujeito a perdas por lixiviação, o fósforo é muito fixado no solo e o potássio ocupa posição intermediária. Por causa disso, o comum é fracionarse a dose dos três elementos, o que é determinado principalmente pelo comportamento do nitrogênio. As duas principais "ferramentas" para a recomendação da adubação do cafeeiro são a análise de solo e a análise foliar.

 
Figura 2. Tabela de adubação corretiva.


Análise de folhas
a) Época:
. Antes da 1ª adubação
. Um mês depois da 1ª adubação
. Um mês depois da 2ª adubação.
Com essas três amostragens e análises, é possível monitorar o estado nutricional do cafezal de modo mais seguro. Alternativamente, pode-se fazer uma amostragem depois do 1o parcelamento, no caso de se fazerem três, ou depois do 2o, quando são feitos quatro parcelamentos.

b) Amostragem: coleta do 3º e do 4º pares de folhas, na altura média da planta, num total de 50 pares de folhas/gleba, em 25 plantas, colhendo 2 pares, um de cada lado da planta.

Figura 3. Amostragem das folhas para análise: o 3º e o 4º pares são colhidos; 1º par = folhas com cerca de 2,5 cm de comprimento.





Figura 4. Macro e Micronutrientes via Foliar.


 
Figura 5. Esquema de divisão de glebas para retirada de Análise de terra.


Fontes de Pesquisa:
ARQUIVO DO AGRÔNOMO - Nº 3, 2a edição - revisada e ampliada “SEJA O DOUTOR DO SEU CAFEZAL” – Autores: Eurípedes Malavolta1, Durval Rocha Fernandes2, Hélio Casale3, José Peres Romero4.

REVISTA ATTALEA AGRONEGÓCIOS – edição Maio de 2014, disponível em http://www.revistadeagronegocios.com.br/


Autores: Alunos do Núcleo de Estudos em Cafeicultura - NECAFE/UFLA;
• Rafael Antonio Almeida Dias, Mestrando em Agronomia/Fitotecnia;
• Francisco Moreira de Sousa Neto, Graduando em Agronomia;
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Mariana Pompeo de Camargo Gallo
MARIANA POMPEO DE CAMARGO GALLO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 16/04/2015

Olá pessoal,



Gostaria de informá-los que estamos com inscrições abertas para o Curso Online "Correção do solo e adubação para aumentar a lucratividade do cafezal".

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Claudinei
CLAUDINEI

PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 09/11/2014

Muito bom,

Parabéns pelo artigo.
hugo velez montes
HUGO VELEZ MONTES

PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 07/11/2014

Gracias por el articulo es indispensable seguir la secuencia de lasrecomendaciones.
José Antonio do Nascimento
JOSÉ ANTONIO DO NASCIMENTO

MANHUAÇU - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 07/11/2014

Parabéns pelo artigo, é sempre bom estar  nos lembrando da importância das análises.
Enio Heckert Junior
ENIO HECKERT JUNIOR

ALTO JEQUITIBÁ - MINAS GERAIS - INSUMOS PARA INDÚSTRIA, DISTRIBUIÇÃO E VAREJO

EM 07/11/2014

Muito bom o artigo!