Fundação Procafé: É preciso melhorar o aproveitamento dos adubos no cafezal

A adubação é uma prática importante na lavoura cafeeira, por influenciar diretamente a produtividade. Ela é significativa, também, sobre o custo de produção, pois representa cerca de 20% das despesas anuais com custeio da lavoura. Por isso, na condição atual, de preços baixos do café, é necessário, ainda mais, racionalizar o uso dos adubos.

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A adubação é uma prática importante na lavoura cafeeira, por influenciar diretamente a produtividade. Ela é significativa, também, sobre o custo de produção, pois representa cerca de 20% das despesas anuais com custeio da lavoura. Por isso, na condição atual, de preços baixos do café, é necessário, ainda mais, racionalizar o uso dos adubos.

As perdas dos adubos estão relacionadas a 4 tipos de fatores: a erosão, que arrasta superficialmente e leva os adubos para fora do alcance das raízes, ou para fora da área, problema maior nas lavouras novas e nas áreas amorradas; a lixiviação, que promove a perda, junto com a água, de nutrientes em profundidade, mais significativa para o nitrogênio, o enxofre e o boro; a volatilização, pela qual ocorre a perda pelo ar, comum em adubos como a uréia; e a fixação ou indisponibilização, como ocorre com os adubos fosfatados (ligados a óxidos de alumínio e Mn) e com os micro-nutrientes (Zn, B , Fe ,Cu e Mn) que se tornam menos disponíveis em condições de pHs altos.

Com relação ao Nitrogênio, alem da influência da erosão, da lixiviação e da volatilização (em algumas fontes) 3 processos podem, também, interferir na sua disponibilidade: A mineralização (da matéria orgânica), a imobilização (pelos microorganismos) e a perda, também, por dinitrificação.

A uréia tem sido a fonte de N mais usada na lavoura cafeeira, pelo seu relativo menor custo da unidade de N, em comparação com outras fontes nitrogenadas. Por outro lado, é a fonte que tem sido mais problemática em relação às perdas. Aplicada na superfície, em condições de solo seco ou em solo bem úmido, a perda da uréia ou fórmulas que a contem é menor. Com pouca umidade, sob a saia do cafeeiro, a uréia sofre a ação da urease, enzima produzida por micro-organismos do solo, mais ativos onde existe matéria orgânica. Por isso, sobre solo limpo a perda sempre é menor. A urease quebra a molécula de uréia, transformando-a em amônia (que se perde para a atmosfera), CO2 e água. São relatadas na literatura perdas acima de 30% do N, chegando até 70%. Sabe-se que parte dessa amônia volatilizada, a partir da uréia aplicada, pode ser absorvida pelas folhas do cafeeiro, especialmente nas lavouras adultas e adensadas.

Em função das perdas de N da uréia existem alguns adubos especiais no mercado, de liberação lenta e controlada, com diferentes modos de ação, baseados na inibição de urease, na proteção com partículas de cobre e boro, nametilação ou proteção física da ureia etc.

Não existem definições precisas sobre os níveis de aproveitamento dos adubos. Em termos gerais, pode-se considerar que, em média, os adubos nitrogenados têm 50-70% de aproveitamento, os fosfatados 30-50% e os potássicos 80-90%, estes inclusive sendo bem armazenados em profundidade.

O maior aproveitamento dos adubos aplicados, objetivo que deve ser alcançado pelo cafeicultor, depende do manejo correto de alguns fatores, aí se destacando: a fonte de adubo, o modo e a época de aplicação, o tipo e correção do solo, a condição climática, a situação da lavoura (idade, espaçamento, declividade, etc), e as práticas de manejo na lavoura, como o controle do mato, a irrigação, as operações mecanizadas que não destruam as raízes, etc.

Especificamente, quanto à fonte de adubo e sua correlação com o tipo/correção do solo, constata-se que existem problemas com os adubos nitrogenados e com os fosfatados. Os primeiros por perdas e os segundos por fixação no solo. Os solos bem corrigidos resultam menores perdas e fixação e os solos mais arenosos trazem menores problemas de imobilização de adubos fosfatados solúveis.

Em função (mais provável) das perdas do N de adubos como a uréia, ensaios onde são comparadas fontes de nitrogênio na adubação do cafeeiro, como o aqui apresentado (quadro), mostram as fontes Nitrato e Sulfato de Amônia resultando em maior produtividade do cafeeiro, no médio prazo.


Quadro: Produção, na média de 3 safras úteis, em cafeeiros sob diferentes fontes de adubo nitrogenado. 

As informações são da Fundação Procafé, adaptadas pelo CafePoint.
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Frank
FRANK

BAHIA - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 20/11/2016

NovaTec 45 - Alguém poderia me dar alguma orientação?

É uma boa tecnologia? Como funciona, alguém com experiência?
Pedro Dias Moreira
PEDRO DIAS MOREIRA

DIVINO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 17/11/2016

Gosto muito de trabalhar sempre com análise de solos na mão e carga pendente e a partir daí programo a adubação fosfatada para antes do início das chuvas (setembro/outubro) e apartir daí com  misturas de NK+micros,sendo que o N sempre com Sulfato de Amônia,tem dado muito certo !
Guilherme Augusto
GUILHERME AUGUSTO

COROMANDEL - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 08/08/2016

Para diminuir essa perca pode optar pela fertilirrigacao mas a o risco de sanalizar o solo e lixiviar, mas feita por um profissional especializado a produção chega a 70 a 100 sacos ...a cultivar tambem influência .
Ediézio vimercate de carvalho
EDIÉZIO VIMERCATE DE CARVALHO

IRUPI - ESPÍRITO SANTO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 15/04/2015

Parabéns!!! Excelente artigo. Vale ressaltar que todas essas técnicas são embasadas em uma análise de solo bem coletada e interpretada.
Murilo Nasser Pinheiro
MURILO NASSER PINHEIRO

SÃO ROQUE DE MINAS - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 14/04/2015

Excelente artigo. Pena que muitos produtores, ainda não adotaram a maneira correta de saber quanto e quando aplicar corretamente os fertilizantes.
Edwin Jimenez
EDWIN JIMENEZ

INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 30/12/2014

CONSIDERAÇÕES DA NUTRIÇÃO

POR CARBONO 12 NA  FOTOSSINTESIS







Numa folha pode ter milhões de Fito cromos, que são os que se encarregam de fazer a fotossínteses para produzir ATP que é energia, mais quando o nível ótimo do Carbono 12 está abaixo do 0,15 %, não todos os Fito cromos são ativados e podem trabalhar, dependendo do nível que esteja o Carbono 12, a metade ou mais ou menos dos 20 milhões dos Fito cromos podem ser ativados, e o ideal é que todos os Fito cromos estejam  ativados e produzindo muito ATP, então si fornecemos Carbono 12 com aplicações de produtos Ergo ás plantas, sempre a planta vai ter o 0,15 % de Carbono 12, ativando toda a quantidade de Fito cromos que tenha essa folha  e por isso vai aumentar a taxa fotossintética produzindo mais ATP e ao final mais C6H12O6 (Glicose).



Alem disso, quando o nível esta abaixo do 0,15 % de Carbono 12, a planta vai produzir na noite muito NADP que não é bom, si isto acontece na planta, ela vai respirar muito e aumenta muito a consumo de energia e no dia seguinte, a planta não vai ter muito ATP que aproveitar porque este já foi consumido pelo NADP na noite.  



Para hidrolisar um 1 ATP na noite a planta precisa de 0,264 de NADP, então a questão é ter um equilíbrio entre uma alta produção do ATP no dia e a produção necessária do NADP na noite para hidrolisar tudo o ATP que foi produzido durante o dia. Tudo isto é conseguido quando o nível esta no 0,15 % de Carbono 12 tudo o tempo na planta.



Tem muitos pesquisadores que estão querendo a maneira de fornecer Carbono ás plantas, atomizando com melaço, açúcar, mel, leite,  fazendo aplicações do CO2 em cultivos em estufas, etc., mais não são formas corretas, viáveis e de fácil manejo para fornecer Carbono 12 ás plantas,  por isso, ter encontrado a forma de produzir Carbono 12 e colocá-lo nos produtos nutrientes foliares e nos corretivos para solo que a tem empresa Ergo Corporação do México, da muita facilidade para o produtor Brasileiro que esta querendo usar esta tecnologia para aumentar os níveis de produtividade por área.



Quando o nível está no 0,15 % de Carbono 12 na forma de Difusão Iônica tudo o tempo na planta, esta aproveita todos  os elementos nutricionais que são aportados nos adubos, formando fosfatos solúveis que é a forma ideal para que a planta os aproveite melhor.



Os incrementos de produtividade têm uma relação direta com manter um excelente nível de Carbono 12 nas plantas.
Francisco Dias Nogueira
FRANCISCO DIAS NOGUEIRA

EM 06/08/2014

A adubação NPK comercialmente formulada ou não proporciona resposta das lavouras que são dependentes do comportamento do gênero, espécie e características genéticas expressivas (dominantes) selecionadas para a produtividade e qualidade dos grãos ou alimentos. Recursos fisiológicos, naturais, hereditários ou não, influentes nas reações, do SOLUM ( profundidade somdas dos horizontes A + B) os como compostos orgânicos de baixa massa molecular continuamente fotosintetisados e translocados, via floema, para a rizosfera, exercem um efeito benéfico na nutrição de plantas e, ainda como fontes de carbono orgânico para a microbiota do solo, biodegradável, a curtíssimo prazo, propiciam alterações enzimáticas (oxidases, redutases, hidrolases, fosfatases ácidas e alcalinas) as quais transformam fontes e/ou formas orgânicas de nutrientes não absorvíveis em outras que vão ser absorvidas e assimiladas.Exemplo Po = P orgânico, mais ação enzimática >>> Pi  = P inorgânico. Na realidade, sendo o solo um "corpo vivo ele precisa também, ser modelado e reativado por outros corpos vivos" para a perpetuação das vidas sobre o planeta em que habitamos. Todavia, na atualidade, o estudo mais completo da relação estreita entre organismos e materiais inorgânicos (também inertes, como cristais e rochas) tem olvidado a quantificação dos benefícios genéticos, raízes portadoras de GENES na formação de "CLUSTER ROOTS, riquezas e/ou preciosidades das quais as plantas de algumas famílias botânicas Proteaceae, Casuarinaceae, Fabaceae) e outras foram contempladas.  Conclusão: Os indivíduos podem ser produtos do meio mas podem ser, concomitantemente, agentes promotores da melhoria do meio. Portanto, um novo foco na disciplina acadêmica "Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas" iluminará o advento de novas tecnologias para o maior progresso humano e Glória de Deus.
João Batista Vivarelli
JOÃO BATISTA VIVARELLI

DIVINOLÂNDIA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 16/01/2014

Artigo de extrema importância ,para técnicos, produtores,realmente à adubação na cultura de café ainda  é de muitas dúvidas.
Raimundo antonio da s amorim
RAIMUNDO ANTONIO DA S AMORIM

CONSELHEIRO LAFAIETE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 10/03/2018

GOSTEI DA MATERIA,Ma a grande verdade e a naturezA SE ICAREGA DE PRODUZIR E M ALGUNS TIPOS DE SOLO TEM DEFICIENCIA DE ALGUNS ELEMENTOS MAS A RESPOSTA E GRAÇA DE DEUS O TEMPO O SOL ACHUVA A HUMIDADE DO AR E VONTADE DE PLANTAR POS ELE DISSE FAÇA A SUA PARTE E EU TE AJUDAREI.