Finda uma era de política cafeeira, com bons resultados

Por J.B. Matiello, engenheiro agrônomo e J. Edgard P. Paiva, engenheiro agrônomo da Presidente e João Marcelo O. de Aguiar, da Gerente Executivo da Fundação Procafé.

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Por J.B. Matiello, engenheiro agrônomo e J. Edgard P. Paiva, engenheiro agrônomo da Presidente e João Marcelo O. de Aguiar, da Gerente Executivo da Fundação Procafé

O estoque oficial de café no Brasil está esgotado. As últimas sacas estão saindo. Chega ao fim uma era de política cafeeira, onde era exercido, com eficiência, o preço mínimo de garantia ao produtor, que gerava aquisições e estocagem, sempre que necessário.

(+ Com estoque público de café zerado, como os mercados devem reagir?)

Foto: Procafé

As últimas sacas, do estoque oficial de café estão saindo

Através dessa política, praticada pelo ex-IBC, os cafés estocados serviram ao ordenamento da oferta, com reflexos nos preços ao produtor e na geração de divisas ao país. O estoque servia, ainda, para dar segurança ao suprimento de café, aos mercados externo e interno, pois as safras cafeeiras no Brasil obedecem a um ciclo bienal de produção, típico da cafeicultura a pleno sol, sucedendo-se safras altas e baixas. Os problemas climáticos, as geadas frequentes aumentavam o risco de perda de safras.

Foto: Procafé

Foto: Procafé

Os armazéns, antes cheios, estão ficando vazios


O estoque vai acabando, mas os resultados estão ficando. Ficam no aumento do consumo do café, com o mercado brasileiro evoluindo muito desde a política de utilização dos estoques excedentes, no estimulo ao consumo no país. Em 1950 eram consumidos, internamente, apenas cerca de 3 milhões de sacas/ano. Duas décadas após, em 1970, com o subsidio de cafés entregues às indústrias, o volume consumido subiu para cerca de 8 milhões de sacas.

Com estímulos de marketing e de controles de qualidade adicionais, sobre aquela base lançada, o consumo chega hoje a cerca de 20 a 21 milhões de sacas de café/ano, sendo o país o segundo maior consumidor mundial do produto, um mercado significativo e exclusivo para os cafeicultores brasileiros.

Os resultados da política cafeeira, da época do IBC ficam, também, através da nova cafeicultura, implantada mediante o Plano de Renovação de Cafezais. O qual criou a base para a transformação das lavouras de café no Brasil, antes com produtividade de 6 a 8 sacas por ha e com safras de 20 a 22 milhões de sacas/ano, para mais de 23 sacas/ha, atualmente.

Na época, em 1970, se tinha cerca de 2,2 bilhões de pés de café, em cerca de 2,5 milhões de hectares. Hoje, são cerca de 7 bilhões em área semelhante, de 2,3 milhões de hectares, assim com aumento do estande de plantas por área e as safras subiram para, agora, o nível de 45 a 50 milhões de sacas/ano.

Foto: Procafé


Foto: Procafé
Novas lavouras, modernas e produtivas, com variedades melhoradas, com mecanização plena e exploração mais empresarial, surgiram do trabalho de renovação e formam a base para maiores níveis de produtividade e das safras brasileiras de café.

Este aumento e melhoria nas lavouras aconteceram, mesmo tendo de superar os problemas de baixa fertilidade dos solos, devidos à expansão dos cafezais para regiões de cerrado, e, ainda, de suplantar as novas doenças e pragas, decorrentes de desequilíbrios, e ultrapassar os períodos críticos de seca dos últimos anos.

Conta-se, agora, com lavouras modernas e produtivas, com boa qualidade dos cafés produzidos. Em grande parte são cafezais com bom nível de mecanização, do plantio à colheita e preparo, muitos com suporte em irrigação e explorados de forma empresarial. Novas variedades, mais produtivas e resistentes, foram e vem sendo introduzidas. Temos, assim, uma lavoura mais competitiva.

A diversificação das regiões produtoras, que foi promovida pelo zoneamento climático do Plano de Renovação de Cafezais, executado pelo ex-IBC, trouxe benefícios adicionais, ao produtor e ao país, pois reduziu o risco e ampliou a margem de segurança para as safras.

Ainda temos a evoluir. Mas a boa herança, os ganhos obtidos no campo econômico-social e no tecnológico, não deve ser esquecida, deve ser valorizada, para embasar fases futuras da política cafeeira.
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Material escrito por:

José Braz Matiello

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alexandre castro cambraia
ALEXANDRE CASTRO CAMBRAIA

OLIVEIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 01/05/2017

Ainda bem que os estoques públicos estão vse esgotando...pois os leilões de venda realizados pelo governo este ano só serviram para despencar os preços ainda mais!!!

Gente, produtor rural é burro, trouxa, escravo do mercado e dos 4 ou 5 grandes players que controlam precos e dominam o mercado mundial, todos bilionários ao custo do nosso suor e do nosso trabalho... Produtor rural deveria se chamar Sofredor Rural. Não entendo como a classe pode se conformar com preços na casa dos 490 reais...quando eu mesmo vendi café a 6 anos atrás (2011) por 560 reais... Ora, se os custos como salários, energia, combustível, insumos todos subiram vertiginosamente durante todos esses anos...como fazer para se obter o mesmo resultado?

Por favor me digam qual indústria, comércio, serviço, qual empresa de qualquer área ou setor que sobrevive tendo todos seus custos aumentados...e o preços de seus produtos e/ou serviços reduzido? Qualquer comerciante que tem seu custo aumentado repassa os preços ao consumidor. Nós somos os únicos trouxas do mundo no qual o cliente é que  determina o preço que vai pagar no nosso produto!!!? :(  Não sei sinceramente como a cafeicultura sobrevive assim... Sinceramente cansei de ser Sofredor Rural...resolvi partir pro lado da indústria e torrar e comercializar minha própria produção... Cansado de ver os outros colocarem defeitos no meu café e rebaixarem o preço do meu café, que hoje eu sei, é top de linha...Fui finalista do concurso de cafés especiais da Emater 2016 , o que corrobora tudo o que os compradores alegam na hora da venda...o café está verde, está desigual, café de chão, etc...etc...jogando o preço lá embaixo para na venda/exportação ficarem com todo nosso lucro.

A cafeicultura está insustentável nesse país, a maioria das grandes fazendas de café que conheço são de empresários milionários que de tanto lucrar em negociações escusas com o governo em outras áreas ( como a construção civil) resolveram apostar na cafeicultura e " brincar" de produzir café com investimentos milionários para lavar dinheiro...  Tem muito político, e seus amigos laranjas lavando dinheiro das propinas e negociatas excusas em seus negócios na cafeicultura... Esses não precisam de política de  preços justos e renumeradores...não estão nem aí para o lucro e sustentabilidade de seus negócios....então me expliquem como o mero pobre, humilde e simples pequeno ou medio produtor ( Sofredor) rural pode sobreviver em um mercado assim?




Everton
EVERTON

LINHARES - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 26/04/2017

Esse é o Brasil. Onde a oferta é baixa e a procura é grande.

E mesmo assim o café continua baixando.