Ervas resistentes ao glifosato já causam prejuízos em cafezais

Por José Braz Matiello, engenheiro agrônomo da Fundação Procafé, V. Josino, engenheiro agrônomo e Reginaldo Araujo, Tec. Agropecuária São Thomé.

Publicado em: - 2 minutos de leitura

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Até pouco tempo atrás se achava que o problema de ocorrência de ervas resistentes ao Glifosato era coisa de artigos científicos, sem importância prática. Ledo engano. Os prejuízos estão sendo agora constatados e exigem soluções novas e mais custosas, para o controle dessas plantas daninhas resistentes.

O exemplo da Agropecuária São Thomé, em Pirapora-MG, ilustra bem a questão da ocorrência das ervas resistentes em cafezais. Nestes 2 últimos anos sua infestação está predominando nas lavouras, verificando-se o capim amargoso e a buva, ervas que não vem mais sendo controladas com o sistema normal, com o uso de roçadas acopladas à aplicação de herbicidas à base de Glifosato, que, na fazenda, durante 10-12 anos, vinha sendo adotado para o controle do mato. Curioso é observar que, mesmo em lavouras novas, onde pouco se usou o Glifosato, já ocorrem ervas resistentes, muito provavelmente oriundas de sementes vindas das áreas mais velhas.

Com o problema presente, vamos às soluções que se mostram mais viáveis, pelo menos no curto prazo, até que apareçam produtos herbicidas novos, que rompam a resistência das ervas. Começamos por retornar ao uso, em maior escala, de processos mecânicos, com carpideiras, roçadeiras ou trinchas. Este sistema resolve parcialmente o problema, especialmente para a buva. Para o capim amargoso ocorre rebrota. Neste caso, pode-se optar por herbicidas pós-emergentes mais específicos para ervas de folhas estreitas, citando-se os produtos à base de Cletodin e Haloxifope Metilico (produtos comerciais Select e Verdict ou similares), estes usados na dose de 400-500 ml /ha, sendo indicado o uso de 0,5% de óleo na calda e, de preferência, com as ervas mais novas e com bom estado de vegetação. Estes produtos são especialmente indicados para controle na linha de cafeeiros, sendo que são seletivos, ou seja, não causam fitotoxidez às plantas de café. Outros herbicidas de contato, com pouca sistemicidade, podem também ser usados, nesse caso com preferência sobre ervas jovens, pois, assim, mesmo com apenas queima da folhagem acabam matando as ervas.


Pode-se ver a sobrevivência de capim amargoso e de buva, ao lado de outras ervas mortas, após aplicação de Glifosato, mesmo na dose de 4 l por ha. Pirapora- MG, setembro de 2014.


Já dominam as ervas resistentes ao Glifosato, em lavoura cafeeira, ainda jovem, na Agrop. São Thomé, em Pirapora - setembro de 14.


 

Para o controle da buva junto à linha de cafeeiros, na foto acima, pode ser necessário o arranquio, com enxada, ou a aplicação de herbicida seletivo na linha, conforme se pode ver na foto anterior, o qual, com dose elevada, consegue controlar mesmo o capim amargoso bem adulto. O indicado é controlar ervas mais novas.
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ELTO EUGENIO GOMES E GAMA
ELTO EUGENIO GOMES E GAMA

VILA VELHA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 08/10/2014

Sugiro mencionar também o nome científico das ervas daninhas que resistem ao principio ativo do herbicida. Parabéns pela reportagem..
Welington Geraldo Rosa
WELINGTON GERALDO ROSA

ALPINÓPOLIS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/10/2014

Estou com infestação de Erva de Passarinho em alguns talhões de lavouras, o glifosato não tem nenhum efeito, como faço para combate~la, existe algum produto?
CLAUDIO HONORATO DE SOUZA
CLAUDIO HONORATO DE SOUZA

MUTUM - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 01/10/2014

Os novos controle de ervas daninhas aqui na região das Matas de Minas, região na qual a Coocafé atua com seus consultores Técnicos, temos um bom controle da mesma com os glifosatos. Parabéns pela publicação e estamos te esperando aqui na Coocafé, abraço.