Efeito da seca em cafezais aumenta brotações das plantas

Sob condições normais, o cafeeiro arábica mantém sua característica de unicaule, mas em casos de estresse brotos chamados de ladrões são emitidos. Por José Braz Matiello e Saulo R. de Almeida, engenheiros agrônomos do Mapa e Fundação Procafé.

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Por José Braz Matiello e Saulo R. de Almeida, engenheiros agrônomos do Mapa e Fundação Procafé

O cafeeiro possui dois tipos de ramos - os ortotrópicos, que crescem na vertical, dando origem às hastes ou troncos, e os plagiotrópicos, ou ramos produtivos, que crescem lateralmente. Os ramos produtivos são sempre bem vindos, os ramos ortotrópicos, ou ladrões, nem sempre.

Nos cafeeiros arábica, nos espaçamentos atualmente adotados, com menores distâncias entre plantas na linha, a indicação é a de conduzir uma só haste por planta, que resulta em tronco mais grosso, que, por sua vez, dá origem a ramos produtivos mais longos.

Sob condições normais, o cafeeiro arábica mantém sua característica de unicaule, apesar de existirem gemas dormentes ao longo do tronco, que, em casos de estresse ou quebra de dominância apical, emitem brotos, chamados de ladrões, que irão dar origem a novas hastes.

Uma das situações que têm sido observadas como responsáveis pelo aumento da emissão de brotos no tronco dos cafeeiros, é o efeito da seca, conforme tem ocorrido neste último ano.

Com o estresse e desfolha das plantas, pela estiagem, e com maior insolação, a radiação, atingindo com maior facilidade o tronco dos cafeeiros, provoca maior estímulo à quebra de dormência das gemas ortotrópicas, presentes abaixo da inserção dos ramos laterais. Deste modo, aumenta bastante a ocorrência de brotos ladrões e, em consequência, há maior necessidade de desbrota.

Fazer ou não a desbrota é uma questão que envolve aspectos técnicos e operacionais.

Quanto à técnica, a recomendação é de fazer, religiosamente, a eliminação da brotação, especialmente nas lavouras mais novas, pois isso vai evitar problemas futuros, como maior fechamento das plantas, e, em certos casos, a ausência de desbrota pode prejudicar até a produtividade. A desbrota deve ser feita com os brotos ainda novos, com 10-20 cm.

Na parte operacional, especialmente em grandes áreas de lavouras, a desbrota dos cafeeiros envolve o uso de muita mão-de-obra, a qual, além de onerosa, nem sempre está disponível. Porém, quando a desbrota não for adotada, pela dificuldade operacional, o cafeicultor deve ficar ciente que vai, no futuro próximo, ser preciso antecipar podas corretivas na lavoura.




Cafeeiros da Cultiva Acaiá, com intensa brotação no tronco, por efeito da estiagem. Eloy Mendes-MG, setembro de 2014.

 
O colega, Saulo Almeida, fazendo a desbrota em cafeeiro afetado pela seca, em Eloy Mendes, Sul de Minas.
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José Braz Matiello

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Paulo Cesar Santos Scalli.
PAULO CESAR SANTOS SCALLI.

SÃO JOSÉ DO RIO PARDO - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 26/11/2014

Otima orientação pois esta pratica cultural nas lavouras é de alto custo, hoje poucos produtores adotam esta pratica na maioria somente podas ou esqueletamento, na nossa região tambem esta acontecendo desta forma.

  

Saudações, abraços aos colegas, Jose Bras e Saulo Roque.