Diferencial hídrico induzido é essencial em cafeeiros arábica em região quente

Estudos iniciais mostraram que induzir estresse hídrico melhora abertura da florada dos cafeeiros. Por José Braz Matiello - engenheiro agrônomo da Fundação Procafé e V. Josino, Reginaldo Araujo e Cláudio Lara - técnicos da Agropec. São Thomé.

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Por José Braz Matiello - engenheiro agrônomo da Fundação Procafé e V. Josino, Reginaldo Araujo e Cláudio Lara - técnicos da Agropec. São Thomé

A cafeicultura de café arábica no Brasil está zoneada, pelo aspecto térmico, em regiões aptas, sendo as que possuem temperatura média anual na faixa de 19 a 22ºC. Acima desse nível as regiões são consideradas aptas para cultivo do café robusta.

Nos últimos 15 anos, entretanto, foi desenvolvido outro padrão de cafeicultura, com o cultivo de variedades arábica mesmo em regiões mais quentes, com temperatura média de 23ºC a 24,5ºC, só que com apoio na irrigação sistemática e com cuidados especiais. Essa cafeicultura ocupa, atualmente, diversos projetos empresarias de lavouras, em sua maioria com irrigação sob pivô-lepa na região Norte de Minas, com o maior polo em Pirapora, onde vem sendo obtidos bons índices de produtividade.

Nessas regiões, aqui citadas como zonas quentes de arábica, os estudos iniciais mostraram a conveniência de induzir estresse hídrico, para uma melhor abertura da florada dos cafeeiros. Na época foram publicados resultados, pelos autores, indicando que um período de 30-40 dias de déficit, seguido de irrigações concentradas, resultava em floração abundante e igualada.

Nos dois últimos anos, em 2014/2015, novamente surgiu o problema de indução de diferencial hídrico como fator responsável pela boa floração e frutificação da lavoura.

No ano agrícola de 2014/2015, as lavouras de café da região de Pirapora tiveram dificuldades na produção, resultado de floradas pequenas e muito parceladas. Analisando o que ocorreu foi possível verificar que a irrigação vinha normal até agosto e com uma pequena chuva, de cerca de 5mm em seguida, houve uma pequena abertura de flores. Diante disso, foi decidida a continuidade da irrigação, visando a salvação dessa florada e, ainda, a recuperação vegetativa dos cafeeiros. O que aconteceu, em seguida, foram as pequenas floradas sucessivas, conforme já abordado.

No ano agrícola 2015/2016, agora sendo iniciado, diante dos conhecimentos do passado, em especial do que ocorreu em 2014, tomou-se a decisão de a partir de 1º de agosto de 2015 cortar completamente a irrigação. Isso induziria um diferencial hídrico que seria devido ao estresse das plantas, seguido da retomada, cerca de 30-40 dias após, da irrigação. O resultado desse diferencial hídrico induzido foi a constatação de floradas abundantes e concentradas no inicio de setembro/15, fenômeno que se repetiu em três grandes projetos de cafeicultura na região de Pirapora, mostrando o efeito benéfico da indução.

Os cuidados que se mostram necessários, na formação do diferencial hídrico nas regiões quentes, tem sido fazer um estresse controlado, adequado a cada tipo de lavoura, observando a condição das plantas. Áreas de lavouras mais jovens, com sistema radicular menor e menos profundo, se estressam em tempo mais curto. Deve-se fazer o estresse de com o retorno da irrigação mais cedo, ainda com temperaturas mais baixas, isto favorecendo o pegamento da floração. Ainda, o estresse deve ser acompanhado pelos dados de evapo-transpiração, verificando-se que o estresse ideal deve acumular cerca de 100-150 mm no período. Assim, em anos mais quentes, como o atual, o período se torna mais curto. Finalmente, como a retomada da irrigação deve ter a função de abertura concentrada da floração, ela deve ser precedida de testes localizados de colocação de água, para aferir a época ideal. Além disso, na retomada, em ocorrendo em período de baixa umidade, as áreas devem receber irrigação no pivô de forma abundante, no sistema de passa repassa.



 






O mesmo cafeeiro, ainda mostrando estresse hídrico, três dias depois de irrigado (primeira foto) e 10 dias após, mostrando abertura uniforme da florada – Pirapora (MG)







Detalhe da abertura da florada em setembro e a respectiva frutificação em maio do ano seguinte, Agrop. S. Thomé, Pirapora (MG)
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Equipe CaféPoint
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SÃO PAULO - SÃO PAULO - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 17/09/2015

Boa tarde Rogerio,



Mande suas fotos, sim! E conte, também, sobre a sua produção neste ano. Sua participação é muito importante!



Abraços,

Equipe CaféPoint.
Rogerio Mendes
ROGERIO MENDES

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 17/09/2015

muito boa florada bela florada mesmo.

vou mandar imagens dos meus orgânicos p/ cafe point
Vicente Castro
VICENTE CASTRO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 17/09/2015

Para efeito de planejamento e estudo de viabilidade econômica para implantação, reforma ou expansão de lavouras de café, sugiro a publicação de mapas (ou tabelas) com os dados citados nesse artigo, informando por região:.

Precipitação pluviométrica; temperaturas - médias, máximas e mínimas; altitudes; evapotranspiração; produtividade por espécie (arábica e robusta); experiências de fazendas em produção; solo; espaçamento.

Essas informações, reunidas em um mapa por região darão sustentação de boa qualidade para elaboração de estudos sobre a rentabilidade do café.

Obrigado.