Desuniformidade produtiva é mais crítica em catuaís

Fatores que levam à produtividades diferenciais entre cafeeiros já começam a atuar a partir da 2ª safra.

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Por José Braz Matiello, Iran B. Ferreira e Marcelo Jordão – da Fundação Procafé

A bienalidade de produção em cafezais é uma característica bastante conhecida na cafeicultura brasileira, sendo provocada, principalmente, pelo sistema de cultivo de cafezais a pleno sol. Neste sistema, as plantas com alta carga, em um ano, concentram suas reservas no processo de frutificação e crescem menos sua ramagem nova, resultando em safra baixa no ano seguinte.

A alternância de safras, altas e baixas, se agrava em condições de maltrato, com práticas culturais deficientes, especialmente quanto à nutrição, controle de pragas-doenças e falta de água.

Nessa condição desfavorável, os cafeeiros, ao produzirem bem, se estressam, sofrem desfolha e seca de ramos, com isso reduzindo, ainda mais, a sua produção futura.

Temos verificado, no campo, que esta desuniformidade produtiva ocorre, também, entre cafeeiros, dentro do mesmo talhão de lavoura. Nesse aspecto, a cultivar catuaí tem sido a que apresenta maior variabilidade de carga entre plantas.

Observa-se que os fatores que levam a produtividades diferenciais entre cafeeiros já começam a atuar a partir da 2ª safra e esta variabilidade tende a aumentar na medida em que a lavoura envelhece, pois ocorre um acumulo de situações que afetam as plantas de forma variada, por exemplo, umas tiveram maior desfolha por ferrugem ou receberam dose menor de adubo etc e acabam com ciclo produtivo trocado.

Por que seria que na variedade catuaí se observa mais o problema de desencontro de safra entre plantas. A resposta não pode ser dada com certeza. Talvez isso aconteça pela característica de alta produtividade, associada a uma menor relação folhas/frutos, o que leva a um maior stress pós-colheita, aliada a uma recuperação mais lenta da planta.

A variabilidade de produção entre plantas afeta os picos de produtividade do talhão. Nessa condição, o produtor passa a reclamar que sua lavoura não vem conseguindo atingir os níveis altos de produtividade de antes. No entanto, no ano seguinte, a produção também não baixa demasiado.

O diferencial produtivo entre plantas também atrapalha a execução dos tratos, que deveriam ser também diferenciados, por exemplo, nas doses de adubo, sendo que na prática é impossível executá-los assim.

Resta, agora, saber como eliminar este diferencial. Uma maior uniformidade produtiva pode ser obtida através de podas, como o esqueletamento, que vai tirar a produção por igual e, assim, sincronizar o ciclo produtivo das plantas de um determinado talhão.



Na foto em Franca-SP, 4 plantas de catuaí amarelo, na frente, com alta carga, seguidas por outras quase sem carga. Jun-14


Detalhe de um cafeeiro amarelo completamente sem carga, no centro,
ladeado por plantas com alta carga. Na próxima safra a situação se inverterá.
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Ovidio Camilho da Silveira
OVIDIO CAMILHO DA SILVEIRA

MOGI GUAÇU - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 30/06/2014

Levando em consideração tudo que foi escrito acima, gostaria de saber qual  seria a planta mais indicada para se cultivar?
LESLIE ANTONIO CRUVINEL
LESLIE ANTONIO CRUVINEL

PATROCÍNIO - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 29/06/2014

Adubacao individual, por planta? Isso sim que e Cafeicultura de Precisao... Como fazer isso  de modo economicamente viavel, eis

a questao...
Artur Queiroz de Sousa
ARTUR QUEIROZ DE SOUSA

CAMBUQUIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 27/06/2014

Prezado Carlos Eduardo de Andrade, muito propícia sua colocação. O que sua equação não levou em conta é quanto a forma destes fertilizantes entrarem em circulação na planta. Ao fazer analise de solos, verifiquei que sobretudo P e K estão no solo, sem ter havido absorção. Sem água, não tem como a plantar buscar. Plantas como Acaiá, Mundo Novo, sobretudo adultas, tem sistema radicular profundo e conseguiram ainda buscar nutrientes, já as plantas novas, com pequeno sistema radicular, e as plantas de porte baixo, tambem sofreram tempestivamente quebra na safra deste ano. O tamanho das perdas, somente conseguiremos calcular no fechamento da colheita e termino do beneficiamento do café. A perda estimada de 25% ela pode ser pequena e de 40% pode ser grande. Vai depender de cada propriedade, da sua relação entre plantas de porte alto e porte baixo, plantas novas e plantas adultas. Otimista que sou estou esperando um quebra de previsão de safra de mais ou menos 25%.
Carlos Eduardo de Andrade
CARLOS EDUARDO DE ANDRADE

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 26/06/2014

Essa situação é típica de tratos culturais inadequados, principalmente, relacionado a nutrição e controle de pragas e doenças inadequados.

No meu livro, Calagem e Adubação do Café, publicado em 2001, desenvolvi um fórmula de cálculo de adubação por planta.

Método simples e  que leva em conta a necessidade de nutrientes para planta vegetar mais expectativa de produção. Resumindo, a fórmula é:



Q(N;K2O) = 46,5+8(X)     e     Q (P2O5)= 10+1,5(X)     sendo que:



Q(N;K2O) = Quantidade de Nitrogênio (N) e Potássio (K2O) em g a ser utilizado por planta por ano;

Q (P2O5)= Quantidade de Fósforo em (P2O5) em g por ano a ser utilizada por planta por ano; e

x = Produção estimada em litros de café no ponto de colheita por planta.



A  recomendação da quantidade de adubo recomendado em razão da utilização da fórmula é adaptada levando-se em conta o resultado da análise de solo.

È lógico que além do trato nutricional é feito um controle eficiente de pragas e doenças.

Tenho utilizado essa recomendação de adubação tanto em minhas lavouras, quanto nas lavouras dos produtores que presto assistência técnica e tem dado ótimo resultado, e as lavouras não tem apresentado alta oscilação de produção .

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