Deficit hídrico já causa perdas de produtividade das lavouras cafeeiras do Sul de Minas

A cafeicultura no Sul de Minas Gerais é responsável por cerca de 30% da produção brasileira de café. Assim, perdas de produção nessa principal região cafeeira do país afeta significativamente a safra nacional do produto. Fatores climáticos têm sido determinantes no volume da produção de café no Brasil, no passado pelas geadas e ultimamente por estiagens prolongadas. Considerando dados que se dispõe sobre perdas de produtividade por déficits hídricos e diante do que ocorre neste ano, pode-se esperar que este problema climático afete significativamente a próxima safra de café na região, sendo que o processo de perda só deverá cessar após a ocorrência de chuvas.

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A cafeicultura no Sul de Minas Gerais é responsável por cerca de 30% da produção brasileira de café. Assim, perdas de produção nessa principal região cafeeira do país afeta significativamente a safra nacional do produto.

Fatores climáticos têm sido determinantes no volume da produção de café no Brasil, no passado pelas geadas e ultimamente por estiagens prolongadas.

A região do Sul de Minas, pelo seu histórico climático, nos aspectos de temperatura e suprimento hídrico, é uma área apta à cafeicultura, por isso, a quase totalidade das lavouras é cultivada sem irrigação.

Na Fazenda Experimental de Varginha, diversos trabalhos de pesquisa têm sido realizados com irrigação, nos 10 últimos anos, com acréscimos produtivos com essa prática. Também, o Mapa/Fundação Procafé mantém um sistema de estações de aviso, apoiado em estações meteorológicas automáticas. Isso tem possibilitado a obtenção de muitos resultados de correlação entre os déficits hídricos estimados pela estação e as produtividades das parcelas experimentais, conduzidas com e sem irrigação.

Aqui pode-se observar essa correlação, pela tabela 1, onde estão colocados os dados das produtividades médias obtidas em 4 experimentos de irrigação conduzidos na FEX Varginha, no período de 2000 a 2010, ao lado dos déficits observados em cada ano. Verificou-se que o uso racional da irrigação propiciou um aumento de 45% na produtividade média dos cafeeiros nesse período, em torno de 15 a 20 sacas por hectare a mais por ano. Quando os déficits hídricos foram superiores a 100 mm a produtividade média foi reduzida em cerca de 55%.

Tabela 1- Déficits hídricos registrados e produtividades médias de café obtidas em 4 experimentos de irrigação conduzidos na Fazenda Experimental de Varginha, no período de 2000 a 2010. Varginha-MG, 2010.

Figura 1


Com relação ao déficit neste ano de 2010, pode-se observar a situação através dos gráficos 1 e 2. No gráfico 1 verifica-se a curva de disponibilidade de água no solo em 2010, em relação ao que ocorreu em 2009 e o que se observa na média histórica. Até agosto o déficit em 2010 já passava de 100 mm, decorrente do menor volume de chuva neste ano (gráfico 2). Verifica-se que na média de 1974 a 2009, no período jan-ago, o acumulado de chuva normal é de 850 mm, contra apenas 500 mm (39% menos) em 2010.

Gráfico 1. Balanço hídrico para a região de Varginha/MG, média histórica de 35 anos (1974-2009), balanço do ano de 2009 e parcial de 2010 (jan-jul).

Figura 2


Gráfico 2. Precipitações médias acumuladas para região de Varginha/MG, média histórica, e de janeiro até agosto de 2010.

Figura 3


Em outras estações de aviso controladas pela Fundação Procafé, como em Boa Esperança, verifica-se, também, um déficit, até agosto 2010, de 124,7 mm, até superior ao de Varginha. Apenas na região de montanha, em Carmo de Minas, o déficit é pequeno, de 13,3 mm.

Considerando os dados que se dispõe sobre perdas de produtividade por déficits hídricos e diante do que ocorre neste ano, pode-se esperar que este problema climático afete significativamente a próxima safra de café na região, sendo que o processo de perda só deverá cessar após a ocorrência de chuvas.

Equipe responsável pela pesquisa:

Rodrigo N. Paiva e Alysson Vilela Fagundes - Eng. Agr. Fundação Procafé,
Antônio Wander R. Garcia e José B. Matiello - Engs. Agrs. MAPA/Procafé
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Alysson Vilela Fagundes

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Alemar Braga Rena
ALEMAR BRAGA RENA

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 19/10/2010


Caro Ricardo:

Como ninguém disse nada, vou meter o bico onde não fui chamado! Mas este é problema grave que se intensificou em meados da década de noventa, nas minhas lavouras e Brasil afora. Numa palestra em Araguari, início desta década, ano de grande ocorrência do fenômeno, após mostrar minhas fotos, ouvi muitos depoimentos, inclusive de um
agrônomo de Luis Eduardo Magalhâes, BA, relatando perdas acima de 30%. Este ano já recebi consultas sobre a desordem, tanto do Triângulo Mineiro como do Sul de Minas.

Agora vem aquilo que tenho dito: os fisiologistas e os fitopatologistas não sabem ainda com segurança o que desencadéia tal coisa, e as pesquisas
estão patinando! Minha opinião: Não é fisiológico e chego mesmo a
pensar em antracnose (algum Colletotrichum virulento); outros pensam em
Phoma/Ascochyta/Pseudomonas; e assim vai. Ocorre tanto após seca prolongada e, principalmente, se o inverno é mais úmido, mas água não parece ser o principal fator que desencadeia a coisa nacionalmente. Estou de olho em minhas lavouras, mas ainda não detectei o problema.

Portanto, sinto muito, não sei o que é, mas parece que agora nada mais pode ser feito!

Saudações
Rena
ricardo jose ferreira
RICARDO JOSE FERREIRA

ILICÍNEA - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 15/10/2010

Alisson, aqui na região de Boa Esperança já pode ser percebido algumas rosetas que abortaram suas flores, flores que não abriram, ficaram mumificadas.
Este fato pode estar ligado ao défict hidrico ou ao excesso de calor na época da florada?
Nota-se que regiões que situam nas encostas tal fato é menos perceptível pelo clima mais ameno e pelo solo ter maior capacidade de retenção de agua.