Cafezais irrigados respondem por 25% da produção nacional

O Brasil já irriga 233.000 hectares de todo o seu parque cafeeiro, o que representa quase 10% da cafeicultura nacional. O que chama a atenção é que esta fatia irrigada responde por 25% da produção nacional, mostrando a grande competitividade da cafeicultura irrigada nacional. Os cafezais irrigados estão mais concentrados nos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia e, em menor proporção, em Goiás, Mato Grosso, Rondônia e São Paulo.

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O Brasil já irriga 233.000 hectares de todo o seu parque cafeeiro, o que representa quase 10% da cafeicultura nacional. O que chama a atenção é que esta fatia irrigada responde por 25% da produção nacional, mostrando a grande competitividade da cafeicultura irrigada nacional. Os cafezais irrigados estão mais concentrados nos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia e, em menor proporção, em Goiás, Mato Grosso, Rondônia e São Paulo.

A irrigação tem sido utilizada mesmo nas regiões consideradas tradicionais para o cafeeiro, como o sul e Zona da Mata de Minas Gerais, Mogiana Paulista, Espírito Santo e outras. Trabalhos de pesquisa demonstram que o aumento de produtividade média com o uso da irrigação (médias de pelo menos três safras) tem sido de 50%, quando comparada com as lavouras de sequeiro, trabalhos estes desenvolvidos nas regiões de Lavras e Viçosa, em Minas Gerais, regiões consideradas aptas climaticamente ao cultivo do cafeeiro, sem a necessidade de irrigação.

Convém salientar que, embora a irrigação seja viável nestes locais, o benefício do uso desta tecnologia é mais evidente em regiões mais quentes, onde a temperatura média mensal dificilmente fica abaixo dos 19ºC, como as novas fronteiras do café: Barreiras, Luiz Eduardo Magalhães e Cocos, na Bahia. Vários experimentos têm sido conduzidos nas diferentes regiões cafeeiras, objetivando, principalmente, avaliar o efeito da irrigação na produtividade e qualidade do cafeeiro, sendo vários deles relacionados a estresse hídrico x produtividade/qualidade do café.

Escolha do melhor sistema

Existem diferentes sistemas de irrigação que podem ser utilizados, sendo que a escolha do mais adequado depende de uma série de fatores, destacando-se o tipo de solo, a topografia, o tamanho da área, os fatores climáticos, os fatores relacionados ao manejo da cultura, o deficit hídrico, a capacidade de investimento do produtor e o custo do sistema de irrigação.

Além disso, deve-se ter em mente também que é grande o volume de água exigido na irrigação e, por isso, a necessidade de otimizar a utilização deste recurso é um dos aspectos mais importantes que deverá, também, ser considerado no momento de decidir pelo método e pelo sistema de irrigação a ser utilizado.

Em geral, a irrigação do cafeeiro é feita por dois métodos: aspersão e irrigação localizada. Os sistemas de aspersão utilizados na irrigação desta cultura são os seguintes: aspersão convencional móvel (com aspersores pequenos, médios e canhões) ou fixa (que inclui o sistema de aspersão em malha), autopropelido e pivô central. Em função de aspectos relacionados ao consumo de energia, exigência de mão-de-obra e outros quesitos operacionais, os sistemas mais viáveis de irrigação por aspersão têm sido o convencional (principalmente do tipo malha) e o pivô central.

Já com relação à irrigação localizada, os sistemas mais utilizados são o gotejamento, por suas características técnicas que permitem uma irrigação com grande precisão, economia de água e energia, e as fitas de polietileno (sistema também conhecido como "tripa"), principalmente pelo menor custo de implantação.

Irrigação localizada

Compreende os métodos de irrigação em que a água é aplicada diretamente sobre a região radicular, em pequena intensidade e alta frequência, para manter a umidade próxima da ideal, que é a de capacidade de campo. O principal sistema é o gotejamento, em que a água é aplicada de forma dirigida e localizada na zona de maior aproveitamento das raízes das plantas.

São caracterizados pela localização, que implica um umedecimento parcial da área total sob irrigação, reduzindo, portanto, o volume total de solo explorado pelas raízes. O restante da área não se umedece, fazendo com que a planta modifique seu crescimento radicular, o qual se concentra nos volumes de solo umedecidos.
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André Luís T. Fernandes

André Luís T. Fernandes

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alexsandro pivetta
ALEXSANDRO PIVETTA

SANTA TEREZA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 05/08/2011

    Acredito muito no gotejamento como irrigaçao pra formação do cafezal, pois sua economia é enorme mas com o cafe adulto creio que o gasto de agua em relação a cafe irrigado por malha deve ser igual ou maior ...

   Mas aprovo a materia e devemos ter sempre materias assim pra tirar nossas duvidas e dar nos maior conhecimentos para podermos ser cada vez mais competentes no que fazemos.



parabens

alexsandro
Gustavo Alexandre Grossi
GUSTAVO ALEXANDRE GROSSI

MONTE CARMELO - MINAS GERAIS

EM 05/03/2010

Boa noite ,André.

Gostei muito da sua publicação, mais do seus comentários sobre irrigação , em relação da irrigação localizada ,gotejo ,localizado em maior parte do sistema radicular , acredito que este sistema inibe o desenvolvimento do sistema radicular assim limitando as fontes de nutrientes nas partes da saia do café diminuindo o desenvolvimento do sistema radicular e eliminando melhor aproveitamento do resto da das áreas entre linhas , que no sistemas de manejos como calcário , gesso e outros tratros como esterco e camas de aviários vai limitar a exploraçao de busca dos demais tratos culturais.

Sem mais
Att Gustavo Grossi
André Luís Teixeira Fernandes
ANDRÉ LUÍS TEIXEIRA FERNANDES

UBERABA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 05/10/2009

Prezado Anselmo Augusto de Paiva Custódio,

Estes dados foram publicados no último livro que publiquei, que é a segunda edição da obra: Irrigação da cultura do café, 2008, 476p. Na primeira edição, em 1996, tínhamos 10.000 ha irrigados. Hoje, 12 anos depois, já chegamos a quase 240.000, uma grande evolução, tanto em números quanto em tecnologias envolvidas.

Se tiver interesse em adquirir, favor me enviar um e-mail

Att,
Prof. André Fernandes
Anselmo Augusto de Paiva Custódio
ANSELMO AUGUSTO DE PAIVA CUSTÓDIO

JABOTICABAL - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 02/10/2009

André, boa tarde.

Sobre esse trecho inicial do seu trabalho que achei muito interessante:

"O Brasil já irriga 233.000 hectares de todo o seu parque cafeeiro, o que representa quase 10% da cafeicultura nacional. O que chama a atenção é que esta fatia irrigada responde por 25% da produção nacional, mostrando a grande competitividade da cafeicultura irrigada nacional. Os cafezais irrigados estão mais concentrados nos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia e, em menor proporção, em Goiás, Mato Grosso, Rondônia e São Paulo."

possui algum trabalho bacana para que possa referenciá-lo?

Parabéns pela matéria.
Abraço,