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Boa qualidade do café nessa safra sinaliza perda de produtividade na próxima

POR JOSÉ BRAZ MATIELLO

TÉCNICAS DE PRODUÇÃO

EM 01/08/2018

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As condições climáticas que ocorrem nas regiões cafeeiras podem influir tanto na produtividade como na qualidade dos cafés produzidos. Na safra agrícola 2017/18, a produtividade e consequentemente o volume de café produzido se encontra em ciclo de alta na maioria das lavouras. A qualidade do café agora colhido nessa safra também vem muito boa.

Mesmo em regiões onde o café costuma fermentar no pé e beber riado/rio, neste ano, a qualidade melhorou muito, pois o clima nessa época de colheita está se mostrando muito seco. Com baixa umidade, os frutos maduros quase não fermentam, secando rapidamente e favorecendo sua qualidade de bebida.

Por outro lado, a estiagem que começou a causar stress hídrico muito cedo (já em abril e maio) e que se prolonga nas principais regiões cafeeiras do centro-sul, já sinaliza, por conta da elevada desfolha das plantas, uma perspectiva de perda de produtividade na safra futura de 2019. Essas perdas prováveis por efeito climático vão se somar àquelas previstas pela dominância do ciclo bienal de safra baixa em 2019, tendo em vista o ciclo de alta ocorrido na safra de 2018.

Também o ciclo de baixa em 2019, que já indicava o maior uso de poda no pós-colheita de 2018 com o emprego do esqueletamento/desponte para zerar a safra seguinte, vai ter o uso ampliado desse tipo de poda devido à desfolha adicional pelo stress hídrico.

Veja-se o exemplo de balanço hídrico em Varginha, que representa, em boa parte, a região Sul de Minas Gerais, principal produtora de café arábica no país. De julho de 2017 a junho de 2018 choveu apenas 1100 mm, quando o normal histórico é de uma chuva anual de 1436 mm, portanto 24% a menos neste último ano (ver tabela 1). Agora, em fins de julho, já se acumula um déficit de água de cerca de 100 mm, restando pelo menos mais 2 ou 3 meses normais de pouca chuva, podendo acumular déficit de 220 a 300 mm até fins de setembro ou outubro/18.

Daí justifica-se o título dessa matéria. O clima que facilita a qualidade do café tende a reduzir a produtividade na safra seguinte.

Ainda é cedo para fazer previsões de prováveis perdas globais na safra cafeeira futura em 2019, mas pelo que vem acontecendo, o mínimo de redução provável em relação à safra atual seria de cerca de 10 milhões de sacas a menos. Uma maior redução dependerá da retomada das chuvas, se tardiamente ou mais cedo, em outubro/novembro ou em setembro. Por enquanto, as previsões existentes são de chuvas esparsas e fracas, que podem ocorrer na região cafeeira e que não mudam a situação nestes próximos meses.

Finalmente resta esclarecer o por que destacamos o efeito da desfolha das plantas por stress, seja por carga alta ou por déficit de água. Isto se deve ao fato de grande parte das reservas dos cafeeiros, aquelas imprescindíveis ao pegamento da florada e à frutificação das plantas, estar concentrada na sua folhagem remanescente no pós-colheita.

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