As diferentes certificações de café

Para a exportação dos produtos agrícolas, vários países já exigem informações sobre a origem e todo processo produtivo, desde a semeadura até colheita e pós-colheita. Na cafeicultura, isso se repete.

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Por Renato Bottrel¹, Daniela Andrade².

¹ Graduando em Agronomia - Universidade Federal de Lavras (Ufla)
² Mestranda em Fitotecnia/Cafeicultura – Universidade Federal de Lavras (Ufla)


O mercado, nacional e internacional, está exigindo cada vez mais produtos agrícolas certificados. Para a exportação dos produtos agrícolas, vários países já exigem informações sobre a origem e todo processo produtivo, desde a semeadura até colheita e pós-colheita, visando tanto à sustentabilidade socioambiental como à qualidade intrínseca do produto. O consumidor quer saber como seu alimento foi produzido. Na cafeicultura, isso se repete, possivelmente sendo o segmento agrícola nacional mais evoluído quanto à certificação.


Foto: Café Editora
Foto: Café Editora

A aposta na certificação, em tempos de crise, pode ser determinante para contornar os baixos preços e recuperar parte das perdas que as commodities tiveram nos últimos meses. Estima-se que uma produção certificada pode agregar entre 3% e 10% na receita final dos produtos agropecuários. Além disso, a certificação da produção por possuir garantia de procedência e respeito às normas de produção, ambientais e trabalhistas, favorece o processo de fidelização do comprador e podendo atrair novos negócios melhorando a rentabilidade do sistema.

O Brasil, apesar de ser o maior produtor e exportador mundial de café, sempre se posicionou no mercado de forma competitiva, em razão do imenso volume e pelo baixo preço do que por qualidade. Entretanto, nos últimos anos o setor tem atuado fortemente na divulgação e na comprovação da qualidade do café nacional, assim, consequentemente elevando o preço no mercado. Isso se deve, principalmente, pelo aumento da certificação no setor cafeeiro.

Diferentes padrões de certificação estão presentes na cafeicultura brasileira hoje, e cada um cobre diferentes aspectos e os produtos chegam ao mercado carregados com características distintas. Sendo os principais padrões: Orgânico, Rain Forest Alliance (RA), Utz Certified (UC), Fair Trade (FT) e Certifica Minas. Conheça um pouco sobre estas frentes:

• Certificação Orgânica: Dentre as certificações abordadas, a orgânica foi a primeira a ocorrer na cafeicultura brasileira. Há produtores exportando café orgânico certificado desde 1990. A certificação orgânica exige que não seja aplicada nenhuma forma de agrotóxico nem de adubos químicos solúveis. Também é recomendado um aumento na diversidade vegetal nos plantios e a menor dependência de insumos externos.

• Rainforest Alliance Certified: usa o poder dos mercados para prender os principais causadores do desmatamento e destruição ambiental: extração de madeira, a expansão agrícola, pecuária e turismo. A empresa trabalha para garantir milhões de hectares de florestas de trabalho, fazendas, ranchos e propriedades de hotéis sejam levados de acordo com rigorosos padrões de sustentabilidade. E, ligando as empresas para os consumidores conscientes, que identificam seus produtos e serviços através do selo Rainforest Alliance Certified e Rainforest Alliance marca Verified, demonstra que práticas sustentáveis podem ajudar as empresas a prosperar na economia moderna.

• UTZ CERTIFIED: é um programa mundial de certificação para a produção e o fornecimento de café responsável. O programa oferece segurança para toda a cadeia de café, da produção e do fornecimento de café responsável para mercados competitivos. Ele responde a duas questões importantes para a cadeia global de café, que é a origem do café e como ele foi produzido. Um sistema Rastrear-e-Relatar, rastreia o café certificado UTZ CERTIFIED ao longo de toda a cadeia desde o produtor até o torrefador. Por meio desse sistema, os compradores conhecem a real origem do café. As exigências da Cadeia de Custódia UTZ CERTIFIED asseguram que o café certificado pelo programa não seja misturado com café não-certificado.

• Fair Trade Coffee: é o café que é certificado como tendo sido produzido e comercializado a um conjunto de normas. Muitos clientes pagam um preço mais elevado na compra de café com o logotipo de certificação ou marca na crença de que, ao fazer isso, eles estão ajudando os agricultores do Terceiro Mundo. Trata-se de um movimento social e uma modalidade de comércio internacional que busca o estabelecimento de preços justos, bem como de padrões sociais e ambientais equilibrados nas cadeias produtivas, promovendo o encontro de produtores responsáveis com consumidores éticos.

• Certifica Minas: é um programa de Certificação de Propriedades Cafeeiras Mineiras, que tem por objetivo atestar a conformidade das propriedades produtoras com as exigências do comércio mundial, possibilitando ao café mineiro consolidar e conquistar novos mercados. O Certifica Minas é um Programa Estruturador do Governo de Minas. Executado pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e pela Emater-MG. Para participar do Certifica Minas Café e incluir a propriedade no processo de certificação, o produtor deve procurar o escritório da Emater-MG do seu município.
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Tchaikovisk Amaral
TCHAIKOVISK AMARAL

EM 30/10/2020

Trabalho em consultoria em certificação de propriedades cafeeiras, atendendo qualquer tipo de certificação em cafés.
Fábio Henrique Merlin
FÁBIO HENRIQUE MERLIN

ITAJAÍ - SANTA CATARINA - COMÉRCIO DE CAFÉ (B2B)

EM 25/06/2019

Bom dia;
Temos interesse em comprar café da região do Caparaó. Existe café certificado dessa região?
Fábio Merlin
fabio@ackscommerce.com