Com o avanço da colheita na safra 2017/2018, as primeiras amostras de café arábica que chegam ao mercado têm apresentado granação menor que o esperado, fator que preocupa os produtores, uma vez que há dúvidas sobre o rendimento na hora de completar uma saca de 60kg. Além disso, as exportações podem ser impactadas, já que os grãos maiores são os mais demandados.
Foto: Murilo Andrade/Cocapec
Tanto a Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), em Minas Gerais, quanto a Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas (Cocapec), em São Paulo, estão com a granação menor nesta safra, com baixo percentual de grãos peneira 16 acima e 17/18.
De acordo com o coordenador da área de classificação de café da Cooxupé, Luiz Evandro Ribeiro, a falta de chuva prejudicou o enchimento dos grãos. Na área de abrangência da instituição, a proporção de grãos peneira 17/18 está em 25%, o que corresponde a uma queda de 10 pontos percentuais em relação à média de anos anteriores. Já os peneira 16 acima representam 60% da produção recebida até o momento, a média gira em torno de 65% a 70%.
"Praticamente todas as regiões têm apresentado essa situação. O Cerrado Mineiro talvez seja a mais afetada", disse. A cooperativa estima produção de 1,10 milhão de sacas nesta safra 2017/2018 de seus cooperados devido à bienalidade negativa. No ciclo anterior, foram recebidas 1,65 milhão de sacas.
Até o dia 1º de julho, a colheita dos cooperados de Cooxupé estava em 35,02%, o que representa 2,38 milhões de sacas de 60 kg. Segundo Ribeiro, nesta cooperativa a granação menor não afeta o rendimento na hora de encher uma saca, já que, normalmente, são usadas cerca de 40 kg de coco para dar de 20 a 27 kg de café beneficiado, o que depois dá cerca de três sacos para dar 60 kg.