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Robusta: o impasse entre preço, volume e importação

Por Equipe CaféPoint (CaféPoint)
postado em 16/12/2016

7 comentários
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Por Thais Fernandes

O pedido de importação de café verde feito por setores da indústria de café torrado e moído e de solúvel trouxe à tona a dúvida quanto à quantidade de robusta que ainda há nos estoques brasileiros. Em entrevista exclusiva ao CaféPoint, o diretor do SINCS (Sindicato Nacional das Indústrias de café Solúvel) e da Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel), Aguinaldo Lima, falou sobre outra questão. “Se houver café em estoque, quanto dele estaria disponível para venda?”, questionou.
A indústria de solúvel busca abertura para trabalhar importação de café verde em regime drawback. “Até 80% do que produzimos é exportado e agora com a escassez de conilon temos comprometido não só o aumento de embarques, mas o próprio market share (grau de participação de uma empresa no mercado) atual. Vamos perder clientes por não poder firmar compromissos a partir de fevereiro”, pontou.

A indústria de torrado e moído precisaria seguir regras impostas pelo governo federal e teria suas taxas aumentadas caso ultrapassasse o limite de volume importado por mês. Já no caso do drawback, onde não há impostos para importação, Lima afirma que a indústria de solúvel já apresentou propostas para chegar a um denominador comum com produtores. “Vamos fazer esse compromisso de não exceder o volume de 230 mil sacas por mês e o período seria até abril de 2017”.

Ainda de acordo com a Abics, a origem requisitada teria de ser de café do Vietnã - único que teria condições de cobrir a necessidade em termos de volume e preço mais competitivo. “As vendas do ano que vem estão paralisadas. As indústrias vêm firmando compromisso apenas com clientes muito próximos e ainda assim trabalhando com menos tempo de venda. E tem países que são extremamente agressivos no setor de solúveis. Índia e Vietnã, por exemplo. Cliente perdido, é perdido para nós e para os produtores no Brasil”, afirma Aguinaldo.

Fontes ouvidas pelo CaféPoint temem pelo estremecimento de relacionamento entre a indústria e os produtores. “Se tem um cliente que é fiel ao conilon brasileiro é a indústria de solúvel”, ressalva Aguinaldo Lima.

A dúvida sobre o número de sacas de conilon no Brasil cresce conforme os debates se inflamam. O deputado federal Evair de Melo (PV/ES) apresentou, recentemente, levantamento feito no estado do Espírito Santo, maior produtor da espécie no país. Os dados apontam que ainda há café disponível no mercado nacional, contrariando argumentos da indústria para requisitar a importação.

Segundo o trabalho, historicamente, os estoques da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel, a Cooabriel, representam 10% do café estocado no Espírito Santo. Hoje, a mesma possui 490 mil sacas de estoque físico em seus armazéns. Dessa maneira, os estoques capixabas situam-se no intervalo de 4 a 5,5 milhões de sacas de café

“O único dado que nós sabemos ao certo é o da Cooabriel porque colocamos aqui. Ninguém abre o leque de quanto ainda tem de café. É igual a estimativa de safra”, pontua Antônio J. Souza Neto, presidente da Cooperativa capixaba, líder quando o tema é café conilon.

Neto explica que os produtores capixabas não tem costume de vender no mercado futuro. “Para o homem do conilon o dinheiro dele é o café. Ele não arrisca. Eles falam q a gente não quer vender café. O produtor de conilon é diferente do de arábica. Tem produtor de arábica ‘vendido’ até 2020”, afirma o presidente da Cooabriel.

O fato é confirmado por Aguinaldo Lima, da Abics. “O que temos hoje em café são de compras que foram feitas no ano passado. Historicamente, não fazemos hedge e por isso há compra em grande quantidade para evitar ficar sujeito a problemas de mercado”. A indústria tem estoque para trabalhar até janeiro e fevereiro, mas sem matéria-prima o quanto antes, teme que as vendas posteriores fiquem comprometidas.

O impasse do preço
A dúvida que ronda o café conilon brasileiro nas últimas semanas é, além do volume, também relativa ao preço que a indústria estaria disposta a pagar. “Como maior produtor e exportador do mundo, nós temos que pensar muito na importação de café para não ferir a produção brasileira, que não começou do dia para noite. É uma construção de 250 anos”, afirma Eduardo Carvalhaes, da tradicional corretora santista Escritório Carvalhaes.

Segundo Carvalhaes, abrir o mercado neste momento de quebra para os cafeicultores, coloca em risco também o fornecimento em longo prazo. “Não é em uma emergência que podemos colocar tudo a perder. Se não o cafeicultor brasileiro vai ser desestimulado quando deveria investir para produzir mais. Estamos sem estoques e isso nunca aconteceu antes”.

“A gente pode pagar até R$1mil reais na saca de conilon, desde que lá fora esteve nesse preço também”, relativizou Aguinaldo, explicando a necessidade de se manter competitivo na disputa de mercado externo. “O produtor está descapitalizado. Mas isso não pertence proibir (importação) ou não. Queremos as indústrias fortes. Precisamos deles e dos exportadores”, pondera o presidente da Cooabriel.

O contrapondo, no entanto, é que o custo de produção em outros países produtores da espécie robusta estariam muito abaixo do brasileiro. “Nós achamos a concorrência desleal. Os outros países quais são as leis trabalhistas, ambientais, tributaria?”, questiona Carvalhaes. “Os preços que o café chegou são altos, mas não são destrutivos. Ano passado os preços subiram muito também e o dólar estava com um preço historicamente alto também”, pontua o corretor.

“A gente não pode fechar os olhos para os pleitos da indústria, mas só com ameaça de importação já caíram preços de conilon e arábica baixos”, destacou Carvalhaes. Questionado sobre a pressão que as cotações sofreram nos últimos dias, o diretor da Abics afirmou que outras questões influenciaram a queda, como o próprio dólar. Se houver estoques, Lima acredita que eles se concentrem no Espírito Santo e Sul da Bahia. “Em Rondônia já acabaram-se os cafés”, afirma.

Torrado e Moído
A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) se manifestou nesta sexta-feira (16/12), reafirmando a necessidade de importação frente à escassez de café conilon. “As entidades, com apoio da Fiesp, levaram ao governo uma proposta de importação consistente, controlada e responsável, prevendo a importação de 200 mil sacas por mês, entre os meses de dezembro/2016 e maio/2017, somente, evitando a importação no período da colheita”.

Segundo a Abic, hoje o conilon compõe os blends de café torrado e moído no mercado interno, em quantidades que variam entre 40% e 50% na média. O texto aponta, ainda, que “As soluções possíveis para suprir o mercado interno e a exportação do solúvel, passam, necessariamente, pela importação controlada de café conilon, com fluxos e quantidades conhecidas. Mas passam também pela redução do uso do café conilon nos blends da indústria, ou mesmo a sua completa substituição, tendo em vista o grande desequilíbrio nos custos de produção que os seus preços produziram e, pior, a falta de oferta dessa matéria prima que deixa a indústria paralisada. Isto é tão mais importante, quando se observa que os clientes e o varejo estão resistindo aos reajustes de preços, pelo temor da crise econômica que esta afetando sobremaneira o poder de compra dos consumidores”, pontua o texto assinado por Nathan Herszkowicz, diretor executivo da Abic.

A indústria de solúvel, no entanto, não considera a troca do conilon pelo arábica. “Isso não é uma prática corriqueira. Não temos como fazer a substituição por arábica. Usamos 20% de arábica, mas não tem como ser mais”, afirma Aguinaldo Lima.

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Comentários

mario dornelles de alvarenga

Perdões - Minas Gerais - produçaõ de cafe
postado em 19/12/2016

A grande verdade que a lei da oferta e procura só vale qdo a sobra de cafe,qdo quebra a safra por causa de seca ou geada ,tem que importar!!!Ora e´só pagar o valor justo entre oferta e demanda que tem conillon a vontade!A industria naõ pode perder nunca, só nos produtores!Reduzam sua megas margens,e continuem trabalhando pois nos produtores qdo ficamos no prejuizo,por falta de cafe,vendemos ativos,fazemos emprestimos, econtinuamos!O faz a industria ser melhor do que nós!!!Nao a importação de café!!!!!

mario dornelles de alvarenga

Perdões - Minas Gerais - produçaõ de cafe
postado em 20/12/2016

ate qdo estara sendo analisado?

ray santana

Marilândia - Espírito Santo - Distribuição de alimentos (carnes, lácteos, café)
postado em 13/01/2017

se tem 4 milhões de sacas estocadas pra que importar ........

Jose robson Vescovi Ramos

Fundão - Espírito Santo - Produção de café
postado em 21/01/2017

SE importamos cafe para forçar a baixa dos preços internos, então teremos uma demanda da cafeicultura e aumento do desemprego no campo, aumentando o caos nas cidades que cresce o numero de mendigos nas cidades a cada dia. Será que samos abrigados a produzir cafe barato para pessoas que vivem nas cidades em berços esplendidos, boa vida,
praia, futebol churrasco e cerveja, enquanto a vida de um agricultor está mais proxima de escravos agricolas como no Brasil colonia, será que escravidão acabou realmente, ou tudo não passa de uma farça. Porque os governantes se fazem como cegos. Revoltante.

mario dornelles de alvarenga

Perdões - Minas Gerais - produçaõ de cafe
postado em 23/01/2017

A importaçao de robusta é apenas o pano de fundo que a Nestle esta patrocinando para abrir a importação geral de cafe.Com fabrica de capsulas no Brasil quer importar dos paises que compra mais barato!Nosso custo é em media 35% superior a quase todos os outros produtores em virtude de nossa carga tributaria e exigencias trabalhista!Não estamos em condiçoes de abrir o mercado ainda !Somente qdo as condiçoes forem iguais para todos os produtores,senão quebraremos!!!!!

Jose robson Vescovi Ramos

Fundão - Espírito Santo - Produção de café
postado em 25/01/2017

Só venceremos se nos unirmos, precisamos de um lider que vá nossa frente para defender nossa causa. Mas quem seria essa pessoa, onde estaria ele neste momento.Temos que lutar pela cafeicultura Brasileira, ou o produtor vai virar peça de museu.

Robinson Grego

Cachoeiro de Itapemirim - Espírito Santo - Produção de café
postado em 03/06/2017

O conilon vai faltar. Vai faltar como consequência das estiagens mais severas dos anos anteriores, que dizimaram muitas lavouras. Vai faltar pela dificuldade financeira de muitos cafeicultores endividados refazerem suas lavouras. Vai faltar, principalmente, pela falta de estímulo com preços que não incentivam reconstruir as lavouras perdidas e aumento de área plantada. O café do Vietnã não vai suprir esta falta.  Ou o mercado acorda e paga valores  que encorajam refazer plantios e  as novas áreas ou teremos situações difíceis de suprir o  mercado, causada pela cegueira de não enxergar o óbvio. 

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