Qualidade média e baixo volume de peneiras 17 e 18 preocupam no café

Colheita na Cooxupé está atrasada. Equipes da cooperativa analisam, agora, tamanho do grão (peneira), rendimento e qualidade da bebida.

Publicado em: - 2 minutos de leitura

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Por Thais Fernandes

A Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), maior cooperativa brasileira de café, está neste momento fazendo estudos para analisar o volume e a qualidade dos grãos colhidos. “Estamos avaliando o impacto da seca e das altas temperaturas de janeiro de 2015 no tamanho do grão (peneira) e no rendimento. O departamento de classificação também está avaliando se as chuvas que ocorreram durante o primeiro decêndio de julho poderão causar prejuízos na qualidade da bebida. Ainda não temos resultados definitivos”, informou ao CaféPoint Éder Ribeiro dos Santos, engenheiro agrônomo e coordenador de Geoprocessamento da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé.

Atraso
Em recente levantamento que faz menção ao andamento da colheita entre os cooperados da Cooxupé, o atraso chega a 22,99% em relação a safra do ano passado. Até o dia 25 de julho, a colheita dos cooperados da Cooxupé avançou para 41,57%. No entanto, na mesma época de 2014 os trabalhos chegavam a 64,56%.

Cerrado, São Paulo e Sul de Minas
Entre os produtores das regiões que a Cooperativa abrange (incluindo cooperados ou não), a colheita atingiu 40,72%. O resultado é que no comparativo com o mesmo período de 2014, por exemplo - quando a colheita havia atingido 63,57% - tem-se um atraso de pelo menos 22,85% nos trabalhos. Confira nas tabelas, abaixo:


As informações que chegam de cooperativas e agrônomos até a exportadora e corretora Escritório Carvalhaes, confirmam o forte atraso da colheita brasileira 2015 de arábica. “Até o presente estágio de colheita a qualidade média e o baixo volume de peneiras 17 e 18 preocupam os cafeicultores e os compradores que receberam seus primeiros lotes da safra de arábica 2015. O volume de negócios é pequeno devido ao pouco volume ofertado, a ausência de cafés mais finos e também pelos preços oferecidos pelos compradores, considerados baixos e fora da realidade pelos cafeicultores”, afirmou o boletim semanal da empresa, emitido na última sexta-feira (24/7).

Mercado
Comentando sobre a forte crise econômica e política do Brasil, a exportadora comentou, ainda, que especuladores tem derrubado cotações na bolsa de Nova Iorque, reguladora dos preços do café arábica. “Em uma semana (de 17 a 24 de julho), o dólar se valorizou aproximadamente 5% em relação ao real e os operadores em Nova Iorque derrubaram as cotações do café na ICE Futures US em aproximadamente 5%. Apropriam-se assim dos ganhos em reais que os produtores de café teriam com a desvalorização do real frente ao dólar”, dispara o informativo, que pontua elevação nos custos de produção do cafeicultor brasileiro.

Foto enviada pelo leitor Anderson Barbosa Marim
Foto enviada pelo leitor Anderson Barbosa Marim

Safra 2016
Em seu boletim, o Escritório apontou, ainda, que “O potencial de produção do parque cafeeiro brasileiro para a safra de café do próximo ano começou a ser comprometido”. Entre os problemas causados pelo clima nas regiões produtoras, a empresa aponta que o inverno de 2015 com temperaturas mais altas e chuvas na primeira quinzena de junho resulta em surgimento de botões florais fora da época esperada. Enquanto a estiagem do início de 2015 já havia pressionado o crescimento vegetativo das lavouras, diminuindo em muitas delas o número de internódios onde crescerão os frutos em 2016.
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Equipe CaféPoint

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