Projeto Genoma na Colômbia auxilia a enfrentar desafios da mudança climática

O estudo é realizado há cerca de 10 anos pelo Centro Nacional de Pesquisa do Café (Cenicafé) da Colômbia.

Publicado por: CaféPoint

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O conhecimento do genoma do café é uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento de variedades resistentes a pragas, melhor adaptadas climaticamente, para aumentar a produção e a produtividade, entre outros benefícios.
Por quase uma década, o Centro Nacional de Pesquisa do Café (Cenicafé) da Colômbia, uma entidade pioneira em pesquisa com café, começou a estudar o genoma do café com suporte do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural (MARD).

Essa pesquisa de ponta, que poderia soar como uma questão não totalmente aplicável na Colômbia, é certamente uma das principais ferramentas com a qual o país enfrentará os desafios associados com a mudança climática e a competitividade das colheitas de café.

Agora, o que é o genoma? É uma série de instruções ou códigos para construir e operar um organismo vivo. Por analogia, o genoma é a biblioteca que armazena informações na célula. Essas informações, ao invés de estarem agrupadas em livros, são organizadas em cromossomos. No caso do genoma a informação é codificada na molécula de DNA, em unidades mínimas chamadas genes.

Foto: Bryan Clifton/ Café Editora
Foto: Bryan Clifton/ Café Editora

Entender como os genes funcionam, quando eles são ativados e quais os benefícios que podem trazer é essencial para conhecer a operação da planta, seus ciclos de floração, produtividade e resistência a doenças, entre outros atributos. Assim, com essa informação, o desenvolvimento de novas variedades é feito com informação completa, economizando anos de pesquisa, experimentos e erros.

Ao incorporar as informações e metodologias obtidas através do projeto genoma como ferramentas de rotina nos processos de pesquisa da Cenicafé, foi dado um grande salto em eficiência. No momento, existem dados de trabalho e avaliações no campo ou no laboratório e trabalhos mais avançados que usam essas informações.
Esse conhecimento também tem ajudado a desenvolver propostas de pesquisa para chamadas externas que, depois de serem aprovados, permitiram recursos de financiadores externos, para dar continuidade a questões específicas onde o interesse dos financiadores coincidiu com os objetivos das linhas da Cenicafé de pesquisa. Em outras palavras, as capacidades desenvolvidas nesse projeto também ajudaram a atrair novos recursos para pesquisa no Cenicafé.

O conhecimento do mapa genético do café arábica, isto é, a descrição da localização dos genes nos cromossomos do café, é certamente de suma importância para o Programa de Melhoramento Genético do Café na Colômbia, à medida que permitir identificar quais genes são responsáveis por características de interesse no campo, como produção ou resistência a doenças, e economizar custos nos processos de seleção para uma nova variedade.

Esse tipo de mapa não existia para espécies de café arábica e o projeto gerou a primeira descrição da estrutura dos cromossomos, com mais de quatro mil marcadores moleculares com os quais a Cenicafé avaliou as populações de cafezais no campo.

No curso desse trabalho, 95% dos genes do café foram identificados e 90% dos genes da ferrugem foram adequadamente descritos, bem como para a broca do café e de controle do fungo Beauveria bassiana (90%). O projeto também alcançou a caracterização no componente molecular das acessões da Coleção de Café Colombiano ou Banco de Germoplasma (80%) e identificou 70% de genes de resistência para a broca do café e a ferrugem, entre outros importantes resultados. Isso é certamente uma informação valiosa atualmente usada em muitos projetos de pesquisa e disciplinas do Centro.

Outra das principais lições de se trabalhar com esse tipo de tecnologia é a necessidade de concentrar esforços no entendimento e interpretação de informações que surgem de um projeto grande como esse em questões que se aplicam e beneficiam uma realidade como a de produção de café da Colômbia. Por essa razão, no componente técnico, os objetivos do projeto sempre têm sido alinhados com metas de pesquisa de longo prazo da Cenicafé e dos produtores de café colombianos, incluindo adaptação à variabilidade climática e aumentou da produção e produtividade em áreas especificas, como exploração de coleta de germoplasma e desenvolvimento de variedades, controle de pragas e doenças, diferenciação por qualidade e entendimento das principais características da planta, como floração, nutrição e qualidade.

“O projeto genoma se tornou um dos principais apoiadores para pesquisa e novos desenvolvimentos da Cenicafé. É a base de conhecimento que estamos usando para resolver os principais desafios dos cafeicultores colombianos”, explicou o diretor da Cenicafé, Fernando Gast. “Definitivamente o projeto tem sido um dos melhores investimentos feitos na Colômbia, não somente para liderar essa área em todo o mundo, mas para treinar nossa próxima geração de cientistas em tecnologias de ponta”.

As informações são do Colombian Coffee Insider.
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