Produção requer "mudança de passo" para acompanhar demanda

"Até o final do século, precisaremos produzir duas ou três vezes a quantidade de café que produzimos agora", disse Andrea Illy.

Publicado por: CaféPoint

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A produção de café requer uma mudança de passo para acompanhar a crescente demanda por grãos, que poderá dobrar até o final do século, disse o presidente e diretor executivo do grupo italiano, Illycaffe, Andrea Illy. Segundo ele, a demanda por café, inchada pelo crescente consumo per capita devido ao crescimento da população mundial, requererá um grande aumento na produção acima dos níveis atuais, estimados em cerca de 150 milhões de sacas.

Foto ilustrativa: Alexia Santi/agencia ophelia/ Café Editora
Foto ilustrativa: Alexia Santi/agencia ophelia/ Café Editora

“Até o final do século, precisaremos produzir duas ou três vezes a quantidade de café que produzimos agora”, disse Illy durante o Fórum Global do Café, em Milão, na Itália.

As previsões de aumento na demanda também foram levantadas no evento por Michel Neumann, ex-diretor executivo da Neumann Kaffee Gruppe, que previu um consumo de 200 milhões de sacas em 2030.

O diretor executivo da Organização Internacional de Café (OIC), Roberio Silva, previu um aumento na demanda de cerca de 25 milhões de sacas em uma década, direcionado pelo crescente gosto por café “nos mercados emergentes e países produtores”.

Enquanto muitos países produtores viram tradicionalmente o café como um produto de exportação, há sinais de que isso está mudando, com o Brasil surgindo como o terceiro maior mercado, depois da União Europeia (UE) e Estados Unidos, e com um rápido crescimento na Indonésia colocando o país entre os 10 maiores consumidores.

Entretanto, a busca pelo maior consumo vem contra um cenário de mudança climática que, por exemplo, ficou evidente no Brasil, maior produtor mundial. “O Brasil está sofrendo com temperaturas muito altas, particularmente em janeiro”, disse Illy, que também é presidente do comitê de desenvolvimento e promoção do mercado da OIC.

De fato, o clima mais quente fará com que haja “menos terra adequada” para produção de café, disse ele, prevendo que “alguns países possivelmente se tornarão totalmente inadequados para a produção” – apesar de a mudança climática tornar a produção de café possível em algumas novas áreas.

Ele previu a cafeicultura potencialmente se espalhando para áreas mais distantes do equador, além de em altitudes mais elevadas. No entanto, o aumento da produção contra esse cenário requererá uma mudança radical na produtividade para evitar um déficit estrutural. “O crescimento da produção no passado foi linear”, disse ele. A indústria agora “requererá a descontinuidade” em seu desempenho de produção para acompanhar a demanda.

Há esperança de que passos significativos possam ser dados por meio de fatores, incluindo melhorias agronômicas, e diminuindo diferença na produtividade média mundial de 20 quilos por hectare para os 80 quilogramas por hectare alcançados em algumas partes do Brasil.

Além disso, o custo de cafezais geneticamente melhorados está “caindo rápido”, com uma redução notável nos custos mesmo quando a Colômbia fez um programa massivo de replantio por volta da virada da década, para conter a ferrugem do café.

Separadamente, Guilherme Braga, diretor executivo do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), disse que o Brasil conseguiu dobrar sua produção de café, em parte através de uma estratégia que aumentou as densidades de plantas.

As informações são do Agrimoney / Tradução por Juliana Santin
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