Com base no levantamento da fundação, o presidente da Comissão Nacional de Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita, ressalta que, apesar da forte valorização da saca de café no início do ano, a reação dos preços será insuficiente para recuperar os prejuízos. “Os produtores terão sérios problemas com a colheita, o que poderá comprometer sua renda”, alerta.
Foto: Aislan Henrique da Silva/ Café Editora
De acordo com nota técnica da CNA, não há como distinguir os grãos chochos (mal formados) dos granados, quando estão na árvore, o que obriga o produtor a fazer a colheita completa de sua lavoura. A partir daí, o produtor só consegue mensurar as perdas decorrentes dos grãos que não granaram na hora do beneficiamento. Neste momento, porém, o cafeicultor que já arcou com os gastos totais da colheita não terá a totalidade do volume colhido para comercializar.
Normalmente, são necessários de 400 a 500 litros do fruto para preparar uma saca de 60 quilos de café em grão. Com os problemas decorrentes da estiagem, no entanto, acredita-se que este ano serão necessários em torno de 550 a 600 litros, em função da alta incidência de grãos chochos e mal granados.
A severidade da seca ocorrida neste ano é inédita e o volume de chuva foi de apenas 20% da média histórica nas principais regiões produtoras, prejudicando a granação, que é a fase de formação do grão do café. O tempo frio nos meses de junho e julho pode agravar ainda mais a situação. Desta forma, a safra de 2015 poderá ficar entre 38,7 milhões e 43,6 milhões de sacas, volume próximo do previsto para este ano, mesmo sendo ano de bienalidade alta.
Informações CNA.